Terça-feira, Maio 31, 2005
 
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Faca amolada - 4
Muito tempo se passou antes que ele voltasse a si. Debruçado sobre a mesa ele acorda com um susto. Aquele sonho parecia real demais. Levantou-se e a cozinha não parava de girar, sentou-se novamente, e esperaria até que pudesse caminhar normalmente... Nada fazia sentido para ele, o sangue, a lembrança do amor perdido, o lugar onde estava. Decidiu sair dali e procurar alguém..., Mas quem? – pensou. Ele descobre agora que não tem ninguém. Ele força a porta do prédio que dá para a rua mas não consegue abri-la. Bate com força, chuta, e nada acontece. Estava preso ali...
Ele senta-se na escadaria, talvez esperando que alguém de fora abra a porta e ele consiga sair... horas e horas e nada acontece. Ele então, deseja ter de volta o amor que perdeu... A porta da rua se abre, uma luz muito forte vinda lá de fora não o deixa ver quem entrou. Ele corre em direção à saída do prédio, a porta se fecha rapidamente e ele não consegue segurá-la. Vira-se para aquela pessoa que entrou naquele instante e toma um susto. Lá estava ela novamente, muito mais bela agora e sem nenhum ferimento. Ele grita: VOCÊ ESTÀ MORTA!

ALEXANDRE COSTA
continua...
 
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Vamos em frente
Nem melhor nem pior,
às vezes nem iguais.
Outras tantas parecidos,
outras nem tanto.
Ninguém repara,nem reparará.
Vamos em frente olhando para os lados,
para os espelhos retrovisores
arrumando os cabelosou a gravata.
Pisando em nuvens ou em cocô.
Às vezes iguais.
Muitas vezes diferente.
Vamos em frente.
Que atrás vem gente.
[ROBERTO PRADO]
 
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microcontos
...e o beija-flor pousou em seus lábios. Labirinto de mel.
ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Maio 30, 2005
Faca amolada - 3
Deitado naquela cama imunda e com uma ferida aberta em seu peito ele a olhava com espanto e com tristeza, era como se pedisse ajuda e perdão ao mesmo tempo. Ele percebeu que não conseguia falar e ela também não lhe dirigia a palavra, apenas ficava ali, sentada na beirada da cama olhando-o fixamente. Ele tentou gritar, mas só ouviu seu pensamento. Pediu perdão, mas ela não podia ouvi-lo agora. Tentou se levantar, mas a dor em seu peito era muito grande e ele caiu novamente no colchão sujo e rasgado. Naquele momento ela parecia serena com um sorriso calmo e sem sofrimento. Ela virou então para ele, seria a primeira vez que voltaria a olhá-la depois de rasgar a foto...
Ela agora olhava fixamente para ele... Ele então gritou mais uma vez, como se fosse a primeira e a última vez que gritaria... encolheu-se na cama e um olhar apavorado tomou conta de seu ser. Ela sorria para ele um sorriso lindo, convidativo, seus olhos verdes brilhavam como nunca brilharam antes, seu rosto estava radiante, seus cabelos negros e macios deitavam em seu ombro suavemente, na lateral esquerda de sua cabeça, acima do zigoma, um buraco, de onde saía suas entranhas e misturava-se com o sangue ressecado. Então ela lhe disse: - Agora eu estou aqui, ao seu lado para sempre, como sempre desejou!

Alexandre Costa

continua...
 
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Sábado, Maio 28, 2005
 
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Quinta-feira, Maio 26, 2005
Mudamos


E por quê não???
A mudança faz parte da vida - da natureza. Mudar é dinâmico e saudável. Mude você também, qualquer coisa, pode até ser a cor da meia ou o jeito de pentear o cabelo, o caminho que faz para o trabalho ou o lado da cama em que dorme. Mude, faça algo diferente - ao menos hoje. Por isso nós mudamos, para adequar melhor a proposta do blog com o design. A comunicação se realiza através de 3 vias: auditiva, sensitiva e visual. São 3 caminhos diferentes do cérebro arquivar as nossas experiências. Mudamos para atender nossa necessidade particular que nos faz naturalmente dinâmicos e modernos. Assim é a natureza das coisas - me lembrei de Heráclito - mutativa. Enjoy o novo visual e não se esqueçam de mudar alguma coisa em vocês também.
Não somos nem melhor nem pior que ninguém. É isso aí!
 
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Diálogo


Falo a ti de boca aberta
ao pé do ouvido
na hora do sono
ao te ver passar;
Falo a ti de lábios vermelhos
de perfume artificial
com marcas pelo seu corpo;
Falo a ti sem deixar de lado
a paixão pelo diálogo
pelas palavras e seus sons;
Falo a ti de boca fechada
e o espírito aberto
falo bem de perto
pra sentir tua respiração
pra te deixar de boca aberta.

Falo a ti sem comentários
sem detalhes
falo direto em teu ouvido
peço pra você vir comigo
pra deixar a voz calar;
Falo a ti sem pedir resposta
mas com ouvidos de ver
sua boca se mexer
pra deixar tudo de lado
pra só ser diálogo.

ALEXANDRE COSTA
 
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microcontos
Queria muito viver, mas nunca nasceu. Ainda está por aí...
[ROBERTO PRADO]
Ele era vivo demais para morrer!
[ALEXANDRE COSTA]
 
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Faca amolada - 2
Jogou a garrafa com raiva contra a parede e pegou o retrato do chão. A mulher na foto olhava diretamente em seus olhos, um olhar triste, cansado, perdido. Apertou-a contra seu rosto e a beijou, queria que fosse tudo diferente, mas ele não podia mais voltar atrás...então, chorou diante dela deixando-se cair em cima da cama suja e fedorenta daquele quarto imundo. Aos poucos o álcool que havia consumido naquele dia foi entorpecendo seu corpo e ele perdeu os sentidos...na cama, assim como estava ficou por horas e horas...
Amanheceu e uma quase insuportável dor tomava conta de todo seu corpo, sua cabeça estava a ponto de explodir. Na mão o retrato do passado perdido, na lembrança o amor que não volta. Ele olhou mais uma vez para ela antes de rasgar a fotografia, depois caminhou até a porta da cozinha. A comida em cima da mesa era seu único alimento agora... e a faca ainda no chão o assustou mais uma vez. Olhou suas mãos novamente e viu mais sangue agora, gritou mais uma vez e colocou a mão no abdome...sentiu a dor dilacerando-o e caiu de joelhos mais uma vez no chão. Em posição fetal, ele gemia de dor... então, viu a mulher da foto estender a mão para levantá-lo...


Alexandre Costa

continua...
 
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Quarta-feira, Maio 25, 2005
Blue Moon


Lua triste, você me viu se levantando só
Sem um sonho em meu coração
Sem um amor próprio
Lua triste, você sabia que eu estava lá
Você me ouviu fazendo uma oração para
Alguém que eu realmente poderia me preocupar
E então, de repente em minha frente
A única que meus braços sempre segurarão
Eu ouvi algum sussurro, " Por favor me adore"
E quando olhei, a lua tinha se tornado ouro
Lua triste, agora há muito não estou só
Sem um sonho em meu coração
Sem um amor próprio
Lua triste

TADUÇÃO:Luan Motta Almeida, tirada do site
www.cifras.com.br
 
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microcontos
Tinha o silêncio dos sábios, mas na verdade era um cínico.

[ROBERTO PRADO]
 
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MANCHETES
Deve ser por causa da chuva que caiu a noite toda, me proporcionando uma agradabilíssima noite de sono, que hoje resolvi não escrever nada, poupandovocê meu querido leitor (digo isso por puro sarcasmo, haja vista que N I NGU É M, deixa nenhum comentário para mim, quer me elogiando, quer mecriticando ou mesmo me xingando). Em contrapartida, resolvi tirar o dia para ler meus jornais. Façamos um exercício de imaginação. Sem ter que ler as respectivas matérias,vocês lerão as manchetes e inventam as notícias, periga ficar engraçado, outrágico, dependendo do humor de cada um. Tentem.
1 - Homicídio cai, mas morte à bala cresce em SP.
2 - Violência contra mulher é 'endêmica' na AL.
3 - Planos de saúde atendem principalmente os mais saudáveis, diz IBGE.
4 - China recruta "bajulador on-line" para defender governo.
5 - Hospital cancela transmissão de cirurgia para mudança de sexo.
4 - China abre internet cafés para educação sobre sexo seguro.
5 - EUA desenvolvem remédio contra a ejaculação precoce.
6 - Impacto de fralda descartável no meio ambiente é igual à de pano.
7 - Suor masculino atrai homossexuais e mulheres, diz estudo.
8 - Internet ajuda chineses a formar grupos gays.
9 - Infarto e derrame surgem antes na periferia, aponta estudo.
10 - Quem nos protege dos médicos?
11 - Estudantes criam sistema de carona on-line em SP.
12 - Sem dedo, Lula brinca com luva em oferenda.
13 - Respeito a direitos humanos é "utopia", diz Anistia.
14 - Gorila operada de cataratas dá à luz em Bristol.
15 - Telecom japonesa transmite cheiros pela internet.
16 - Menino morre ao cair de avião na China.
17 - Dupla é presa por pichar frases contra Globo.
18 - Mais três morrem na fila da UTI no Ceará.
O que acharam? Valeu à pena, ou foi só uma perda de tempo? Bom feriadão, só volto agora na segunda-feira.
Até mais.

[ROBERTO PRADO]
 
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Faca amolada - 1
Olhou para suas mãos encharcadas de sangue e gritou, depois olhou o chão e a faca amolada caída a seus pés. Não viu ferimento nem ferido, girou em volta do calcanhar e em cima da mesa encontrou o jantar. Caiu de joelhos no chão da cozinha, as mãos sujas de sangue apertando-lhe os olhos. Um pensamento martelou em sua cabeça: O QUE ACONTECEU ?
Assustado levantou-se e caminhou pelo corredor daquele antigo prédio. Queria se lavar.
A construção era muito velha, as escadas de madeira sem manutenção rangiam a cada passo, as paredes esburacadas mostravam o ferro enferrujado e retorcido. Não havia quase iluminação, nem vizinhos também. Era apenas a solidão naquele andar. No centro do corredor, o elevador era apenas uma porta emperrada. O que havia ali, nem a própria memória de 40 anos ousava responder. Por que então ele estaria ali...?
A água enferrujada se misturava com o sangue em suas mãos, o cheiro do banheiro era quase insuportável, mas ali estava ele. Tonto com o acontecido, lembra que foi como se tivesse acordado de um sonho. Não entendia todo aquele sangue nem por que estava naquelas condições. Precisava descobrir o que aconteceu. O apartamento era pequeno, muito pequeno e sem banheiro, as paredes velhas e quase sem pinturas, os móveis de uma madeira vagabunda e quebrada. Ele olhou para a cama e viu a foto de uma mulher no criado mudo, apoiado em uma garrafa de pinga. Jogou a foto e pegou a garrafa, um grande gole e uma grande careta... a bebida queimava por dentro, desde sua garganta até o estômago, mas ele não parava... Outro gole então...!

Alexandre Costa

continua...
 
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... é desconcertante rever um grande amor
Vou começar parafraseando um trecho da música "Anos Dourados" do Chico Buarque e Tom Jobim: "... é disconcertante rever um grande amor". Isso é para ilustrar uma situação ocorrida com um conhecido, que como sabemos, não declinarei seu nome. Só para acrescentar um toque de mistério devo dizer que essa situação não aconteceu com o meu amigo a BestaCinzenta". Sigamos. Coisa de alguns anos, poucos anos para dizer a verdade, bem poucos, via internet ele se encantou com uma dona, uma senhora casada e consequentemente proibida para ele. Bem, nem tanto proibida assim, haja vista que ambos estavam "enamorados",(que palavra), um pelo outro. Os afastavam de maiores encrencas, a enorme distância que os separavam. O dito cujo morava aqui no litoral, a moça, no interior.Conversavam freqüentemente por e-mail, (nosso cupido moderno), trocavam juras de amor, faziam planos, marcavam encontros (que não compareciam por causa de suas vidas atribuladas, os respectivos cônjuges, filhos, quer nas escolas, quer nas reuniões de pais e mestres), sabe Deus por quê, nunca tiveram a chance de se encontrarem, se beijarem e, quem sabe, consumarem a paixão. Sim porque paixão havia... Sim senhor! Esse namoro durou mais que muito namoros "ao vivo", durou porque escapavam de se encontrarem cansados, de mau-humor, suados, de má vontade...Mas uma paixão tem que necessariamente ser consumida. Não bastava fazer juras de amor, planos de fugirem juntos, troca de carícias (?) on line. Tinha que haver um encontro de terceiro grau, tinham que se tocar, se sentirem, enfim. Mas com tempo a coisa acabou esfriando. Culpavam-se um ao outro pela dificuldade de consumarem o amor. Enfim brigaram. Ficaram muito tempo sem se falar, excluíram seus nomes, respectivamente, de suas listas de contato. Nunca mais se falariam...Esse era o desejo de ambas as partes. Mas...Até que um dia, muito tempo depois, por engano, acabaram se encontrando na web. Conversaram como bons amigos. Sem clima, sem rancor. Saudades? Sim dos planos, da loucura, da volta fugaz de uma juventude que achavam perdida para sempre. Ela separou-se. Ele se ajeitou com a sua família. Parece que ambos estão felizes. Para sempre? Quem sabe dizer?
[ROBERTO PRADO]
 
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Terça-feira, Maio 24, 2005
O homem que queria ser Jabor - FIM
... e perdido diante de tudo ao seu redor, pensou em quem seria ele de verdade e onde estaria a mentira que o desejava e o consumia. jabor já não se encontrava mais nele...uma estranha sensação de dor e satisfação tomava conta de seu corpo, e nenhum passo mais ele daria a partir daquele momento sem se sentir livre. As nuvens dissiparam-se e mostraram um céu negro e calmo, a brisa, agora morna da noite aquecia sua alma tranqüila e ele desejava ficar ali para todo o sempre. Uma leve brisa toca seu rosto e ele ouve em sua mente jaborrrrrrrrrr...ele entende agora que seu obsessor não está mais ali, sabe que jabor o derrotou para seu próprio bem, ele veio ao seu encontro para ajudá-lo e curá-lo. Caminhou em passos curtos e firmes em direção à grande varanda da grande mansão, e parado ali diante da imensa janela que lhe mostrava o seu antigo cativeiro jogou uma pedra que estilhaçou a grande vidraça...ele se sentia livre agora para desejar ser ele mesmo e seguir em frente, ir além dos grandes muros que lhe cercavam a existência. Deu mais um passo, cruzou a grande linha divisória entre a rua e a mansão, entre a liberdade e a dor, estava agora diante de uma grande escolha e era a única que ele podia ter. Olhou para trás e pela última vez viu o grande jardim que lhe havia acolhido, viu o céu de diamantes e desejou ir. E então, na grande janela da imensa sacada viu jabor lhe dando adeus!
[ALEXANDRE COSTA]
 
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microcontos
O homem inaudível! Jamais prestaram atenção ao que dizia!
[ROBERTO PRADO]
Mediram-lhe a altura, sete palmos para baixo.
[ALEXANDRE COSTA]
 
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Sexta-feira, Maio 20, 2005
Sim, o fim está próximo!


O fim de semana se aproxima de forma inexorável, e continuo sem grana. Não completamente duro, mas se gastar agora, o que farei no feriadão da semana que vem? Semana em que começamos a parar na quarta-feira, só voltando ao batente na distante segunda-feira do dia 30 de maio. Sim esse será um fim de semana morno, a menos que você querido leitor (tenho algum? Não acho nenhum comentário dos meus textos no blog) resolva ir aborrecer-se na fila de Star Wars (leia texto a respeito em Star Wars um pouco mais abaixo) ou alugue uns filminhos para assistir em casa, comendo pipoca. Esse será um fim de semana para ficar em casa e planejar o feriadão. O que fazer? Onde ir? Onde não ir? Com que ir? Com quem não ir? Praia? Campo? Casa de amigos? Casa de parentes? Fugir e não dar satisfação a ninguém? Trancar-se em casa, fechar as cortinas e desligar o telefone? Arrumar uma amante argentina e fugir para Punta Del Leste? São tantas opções. - [ROBERTO PRADO]
 
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Síndrome de abstinência
Ontem durante o meu expediente, (sim eu trabalho, e duro!) "caiu o sistema", ficamos completamente isolados do mundo, sem poder trabalhar, e pior, sem poder ler um jornalzinho sequer...É um inferno quando isso acontece. Trabalho com o sistema Thin Client, ou seja, quando cai o sistema, não tenho nada, nem word, nem excel, joguinho de paciência e nem droga nenhuma. Sem internet, sem e-mail, sem nada. Comecei a sentir a tal síndrome de abstinência. Andava de um lado para outro, ia à cozinha tomar café(horrível), tentei começar a arrumar a minha gaveta (quinze anos detranqueiras), fui à rua comprar amendoim e nada de voltar o sistema. Na repartição, (xiii, eu falei repartição?) não tinha quase ninguém, já que foram todos para a rua ver a vida passar, enquanto não chegava a chuva que o vento forte anunciava...Na sala, o chão cheio de areia que o vento empurrava para dentro, os computadores desligados, um silêncio (sim silêncio, com o advento dainformática, praticamente acabaram os carimbos e conseqüentemente o barulho) ensurdecedor! Por um momento eu entendi porque aquele sujeito com síndrome de abstinência comia caneta bic e pilha!...e não choveu. O que você faz quando "cai o seu sistema"? - ROBERTO PRADO
 
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O homem que queria ser Jabor - 4
Segundos se passam e as nuvens se dissipam, o vento para, a voz se cala, o corpo não treme mais. Ele agora está livre para ser quem é. Levanta-se cambaleante e vê a sua frente o seu grande pesadelo transformado em realidade, diante de seus olhos marejados e doloridos, jabor sorri um sorriso malicioso, como quem quer dizer: “vem...vem ser jabor”...ele dá um passo para trás, atordoado, assustado... vê mas não acredita em seus olhos, ouve mas não aceita seus pensamentos, quer estar ali, mas quer estar em outro lugar, e jabor então caminha em sua direção. Ele toca seu ombro como alguém que toca um santo, e diz: “você é quem é, mais ninguém, e ninguém será você ou como você, e você não será ninguém além de si mesmo, ninguém poderá ser excluído de sua natureza nem aliciado de seus valores...EU SOU JABOR.”
E dito isto se afastou lentamente, desaparecendo diante de seus olhos e ouvidos, só restou depois daquilo uma certeza...e uma dúvida. - [ALEXANDRE COSTA]

CONTINUA...
 
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microcontos

ROBERTO PRADO

- Socava a irmã. Ao fundo a trilha de O Senhor dos Anéis.
- Todos a odiavam, esse era o meu trunfo.
- Se achava mafioso, mas era só muito feio.
- Presenteou a sogra com 1,50m de corda e um banquinho.
- Fariseu cheio de proselitismo! Espero que morra.
- Saber tudo não resolveu em nada a sua vida.
 
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Quinta-feira, Maio 19, 2005
microcontos

ALEXANDRE COSTA

- Dobrou a esquina e guardou-a no bolso.
- Perdeu muito sangue. Foi encontrá-lo na faca amolada.
- Ele veio em paz e venceu a batalha!
- Cobriu-a de beijos e aqueceu a sala fria.
- Subiu as escadas e chegou ao fundo do poço.
- Bateu na porta e a ouviu gemer de dor.
- Depois do amor, nas duas bocas a mesma saliva.
 
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O homem que queria ser Jabor - 3
Na tv jabor, belicoso continua... gestos largos, cabelos nervosos, sílabas ferozes... entrega-se de corpo e alma ao seu ouvinte, sabe que fala por muitos que não falam, sabe de todas as testemunhas incorporadas em seu discurso, dos aliados e dos inimigos ocultos; dos que discursam junto e dos que ouvem calados, dos acomodados e dos participativos. E termina vitorioso. No grande jardim ele caminha, seus pés não lhe pertencem, nem seus olhos nem seu corpo, sua mente confusa parecem duas, ele não fala por ele nem por ninguém...”quem está aí” – pensa! ... ele continua confuso... senta-se diante de si mesmo... alguém lhe pergunta: “onde está jabor?” ... assustado olha em todas as direções e nada vê... “onde está jabor?” ...mais uma vez olha em todas as direções e descobre. Jabor está dentro de sua cabeça, falando-lhe ao pé do ouvido, sussurrando crônicas e poemas, escárnios, humor...ele grita, leva a mão à cabeça, arranca os cabelos, grita: saia, saia. Jabor está rindo, gargalhando, sátiro, satânico Ele grita ainda mais forte, gira envolta de si, cai de joelhos, cabeça apoiada no chão, ele pede: saia, saia. Então, um golpe certeiro do vento o arremessa no chão, cai indefeso, mas não imune...sua mente torna a girar e girar, seu corpo tomba. A sombra nefasta de seus próprios medos e renúncias levanta-se diante de si e ri – hahahahahahah. Estrondos em sua cabeça lembravam as nuvens carregadas: jabooooorrrrrrrr. Ele gritava e pedia: saia, saia daqui. Ssua cabeça girava em todas as direções. Onde ele estaria agora? - [ALEXANDRE COSTA]

CONTINUA...
 
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Star Wars

FOTO: UOL Posted by Hello

Não sei quanto a vocês, mas eu estou cheio dessa propaganda do último filme da saga Star Wars, o tema musical vive ecoando em minha cabeça. Já vi tantas fotos, tantas resenhas, tantos comentários positivos, negativos, pessoas que acham que os três primeiros foram bons, que os novos não tem a mesma "poesia" daqueles outros... ( como se quem comenta isso ainda tivesse a mesma idade e "poesia" daquela época, bando de velhos amargurados). É tanto comentário que eu vou dar uma opinião que diverge de todas elas, serei indiferente a ele. Não estou nem aí para esse filme, não vou entrar em filas quilométricas com doidos segurando espadas de luz (de plástico), com máscaras de Dart Vader(compradas em lojinhas de 1,99), gritando, fazendo ruídos onomatopaicos de lasers, explosões, raios, naves espaciais, etc, etc, etc...Homens na meia-idade carregando filhos pequenos (quando não netos) e chorões, coca-cola vazando dos copos, pipocas espalhadas por todos os lados, papeis de bala grudada nas solas dos sapatos...Não! Não vou assistir esse filme. Vejam que esse inferno descrito acima, é só da fila de entrada, imaginem lá dentro...Não tenho mais idade para isso, nem filhos pequenos para levar, e minha filha, já adulta, ainda não me providenciou um neto. Não vou assistir esse filme.
P.S. Não me contem a respeito. Tão logo saia o DVD, vou alugá-lo e assistir em casa, sossegado.
Passem bem!
[ROBERTO PRADO]
 
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Quarta-feira, Maio 18, 2005
O homem que queria ser Jabor - 2
Ali, impávido, assistia sem piscar, com ouvidos de ver e olhos de mastigar, sem se importar com o mundo ao seu redor. Só havia uma realidade agora. Por um ínfimo instante ele pensou ter visto jabor olhar em seus olhos, sim era a ele que jabor dirigia sua impecável crônica diária, uma gota de suor escorria do alto da sua testa até o canto dos olhos, morna, salgada, inquietante e angustiada. A imagem mitificada na mente, o mito vivo na imagem latente, olhos fixos, corpo paralisado e o desejo crescia e tomava conta de todo seu ser, uma onda de calor e frio invadia suas entranhas e ele desejava cada vez mais não ser mais quem era. E ele era quem? E desejava não ser ‘ninguém’; desejava poder sair da escuridão do anonimato; desejava o estrelato; desejava ser alguém que nunca foi; um astro; o mastro principal da fragata; a bússola que indica o destino dos aventureiros, desejava do fundo do coração que ele acendesse a chama de uma nova vida menos mesquinha e sórdida, abandonada por si próprio dentro de si mesmo. Ele sabia, jabor não mentia. Atrás de si, a janela se abre num golpe de vento e a luz da lua tardia, testemunha única de seu sofrimento abraça seu corpo inerte, flutuando entre os móveis da sala ele vê a si próprio e deseja voltar, mas ele não é mais quem era e não é menos também. - ALEXANDRE COSTA

[ CONTINUA ]
 
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bs Posted by Hello

" A janela da alma tem a vista mais privilegiada da vida"
 
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Terça-feira, Maio 17, 2005
microcontos

- Já havia passado da hora, mas ele não tinha relógio!
- Ele sabia de fato que a dúvida era sua única certeza.
- Se não fosse você, nada seria. Nem eu!
- Correu os olhos em seu corpo, até tropeçar em sua boca.
- Ontem comeu olhos, hoje lambe orelhas. Pobre canibal!

[ALEXANDRE COSTA]

 
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O melhor lugar do mundo

Minha cidade Posted by Hello

Dizem que a felicidade não está fora, mas dentro de cada um. Então, ser feliz é ter tudo de melhor e mais bonito dentro da gente. Assim, o lugar onde moramos passa a ser o melhor lugar do mundo para se viver. Esta é a minha cidade, onde eu adoro morar. Sei que você vai dizer que a sua cidade é melhor que a minha, e eu acdredito em você. Porque você incorpora o espírito da felicidade interior. Você está certo e eu também, e todas as pessoas que escolhem viver assim. Se você quer dizer a todo mundo como é lugar onde mora coloque um comentário falando da sua cidade.
 
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microcontos

- Um tapa na orelha o deixou a "ouvir estrelas"!
- Meteórica carreira. Até hoje tem coelhos saindo da cartola.
- Só de pensar tremia. Fez lobotomia e pôs um casaco.
- Antes beiçola, hoje boquinha de ouro. Como progredira!
- Sua paixão; discurso de José Sarney. E ainda chorava meu Deus...
- Tornou-se teratologista para conviver com a sogra.
- Economizava com as louças comendo em lata de goiabada.
- Ao chegar ao fundo, lembrou-se de respirar.- Era tarde.
- A lua prateada refletiu em seu dente de ouro.- Que sorriso!
- Cara, se você continuar vivendo assim, vai morrer!

[ROBERTO PRADO]

 
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O homem que queria ser Jabor - 1
Ele estava sentado diante da grande janela na grande varanda da grande mansão. Ali, curto em suas memórias, perdia a lembrança do que havia vivido até então e desejava: jabor, jabor, jabor. Olhos tão negros que escureciam a noite, mas o desejo iluminado de um anjo ou um deus louco. Assim olhando para o nada que o contemplava, desejava: jabor! Com um leve movimento de ombro, vira-se para a esquerda onde outras nuvens o olhavam também, e elas trovejavam: jaboooorrrrrr..., como quem troveja palavrões. Ele não desistia e desejava.
Na grande varanda iluminada pela lua tardia, jabor na tv encarnava um personagem maligno, com garras ferozes e língua afiada, talvez mais uma de suas crônicas inabaláveis em direção ao inimigo... e seus olhos brilhavam ao ver jabor na tv...

[ALEXANDRE COSTA]

[ CONTINUA ]
 
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Discussão pela Internet
Uma discussão sempre é boa e ajuda a passar o tempo. Clareia as idéias, nos mostra outro ponto de vista. Costumo dizer aos mais renitentes: “Convença-me!” Dou corda, me deixo levar pelas suas opiniões, balanço a cabeça afirmativamente, “digo sim(s), como não(s), pois é(s), pode ser por aí”, dou ouvido a todos, mas às vezes me aparecem umas topeiras que somente um paredão, guilhotina, ou vidro moído para nos poupar de tanta ignorância.
Tudo começou com a internet.
Que atire a primeira pedra, aquele que não troca fotos de mulheres peladas. Pois me enviaram uma que era feia, muito feia, horrorosa, a mulher parecia a encarnação de todos os vícios do mundo, desse e outros que pululam pela via láctea... A desgraçada era tão feia que resolvi sacanear um amigo.
Enviei-lhe a (mal)dita foto.
Pois não é que o infeliz (só acho essa classificação no momento) gostou?
Tem tara para tudo nesse mundo de meu Deus, eu sei. Mas isso?
O caso é que ele respondeu ao meu e-mail agradecendo e tecendo comentários das qualidades da (des)dita cuja. A princípio pensei que fosse brincadeira, e dei-lhe corda, (como é meu hábito) três ou quatro e-mails depois, descubro, para meu espanto, que o doente (vocês concordam com isso, não é?) estava falando sério. Daí foi mais uma dúzia de e-mails. Eu tentando fazê-lo ver que isso era ridículo, não havia naquela criatura (sim, criatura!) nada de atraente, nada de sensual, enfim nada que chamasse a atenção senão o fato de ela ser muito repugnante e se deixar fotografar (quanto ela teria pagado?) E pior veicularam essa miséria.
A coisa degringolou. Passamos a nos ofender. Nos xingamos. Nos ameaçamos. Jurei mostrar toda a nossa correspondência para a mulher dele (quero deixar claro que isso não é de meu feitio) tudo para fazê-lo voltar à realidade.
Meus esforços foram em vão.
O “desinfeliz” fincou pé e continuou com sua opinião.
Deixo a vocês o último e-mail que lhe enviei.
Julguem vocês mesmos se ainda vale à pena lutar nesse caso:

“Falando sério.
Isso é nojento, é rebaixar-se demais, isso não é sexualidade e nem sensualidade, isso é nojeira...
Aquilo é repugnante, é animal, aquilo parece com os porcos que ficam pendurados à venda nos botequins lá perto da chácara.
Aquilo é só carne, e quase putrefata...
Amigo meu, aquilo é indigno até de ser fotografado, quanto mais ser reproduzido, ad náusea, na internet.
Respeite-se, respeite a humanidade, da qual você ainda faz parte, respeite o seu corpo.
Faça amor! Faça sexo! Mas não copule com qualquer mamífero que apareça à sua frente!
Olhe-se no espelho com orgulho, de cabeça erguida!
Acho que isso serve para encerrarmos essa conversa.
Abraços fraternais.”

Por hora é só. Basta!
ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 1:54 PM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Welcome
Todo começo é uma novidade e a cada passo elas se acumulam diante de nosso espírito. Esse é um primeiro passo virtual da estrada digital onde acabamos de pisar. Assim como nós, sejam benvindos ao Contos e Cultos.
 
posted by Alexandre Costa at 8:48 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments