Quinta-feira, Setembro 29, 2005
Ao ouvir as tuas letras
Descendo meus ouvidos abaixo
Mastigando minhas idéias
Tão absurdo como te parece
É efêmero também.
São bocas que não ouvem
Ouvidos que não falam.
Tua língua
Forma afiada de exceder
Teu casto e imaculado dorso
Faz nascer parafusos
Em lugar de membros
Nuvens em lugar de veias.
E assim tão contrário à razão
E ao bom senso
Disparo meu olhar inepto
À procura dos restos
Que me fazem
E te fazem
Assim...

(PARA V...)

ALEXANDRE COSTA
 
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Para esses animais que estão por aí
Tal qual num pasto moderno
Mas de asfalto
Segue o gado em fila
Mugindo e chifrando
Eles seguem obediente
Se acaso mamíferos são
Já racionais, não, não são
Mas isso não importa
Tal qual gado
Seguem em fila
Para o abatedouro
Em vez de berrar
Vão satisfeitos e cegos
Sorrindo e cantando
Esses idiotas
Se consideram o máximo
Mas esses animais
Quanto mais se abate
Mais se multiplicam
Num moto contínuo.
Alimentam-se e se alimentam
Eternamente dessa ignorância sem fim
Que entranhado nas células
Passam de pai para filho
De geração em geração
Até o fim dos tempos
Amém

ROBERTO PRADO
 
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O velho homem
O velho homem lentamente olha para os lados
Coça a sua longa barba branca
Puxa pela corrente de ouro de seu relógio
Pensa na vida
Revê suas velhas fotos amareladas pelo tempo
(quanto tempo...)
Sua poltrona, com o peso dos anos (e o seu)
Tomou-lhe as formas
Isso o deixa ainda mais cômodo
O velho homem já não lê mais
Tão pouco escreve
Não há mais vontade
Nem há para quem
Nem há mais porquê...
O velho homem olha outra vez para o relógio
O tempo já não passa hoje como passava antigamente...
Tudo está mais devagar
Como ele ao andar, ao levantar-se
O olhar do velho homem é vago
O velho homem está só
Ha muito tempo até suas lembranças o deixaram
O velho homem já não ora mais
Perdeu a fé
Tudo se foi
Só ele, o velho homem ficou
Para que ficou?
Ele já não lembra mais
O velho homem olha para o relógio
Até o tempo o esqueceu...

ROBERTO PRADO
 
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Ao entardecer de minha alma
No crepúsculo dos olhos que se fecham
Deixo em ti as marcas da minha presença.

Para prima Yara (1960-2005)
 
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Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Teoria sem lógica?
Vivemos em um mundo maniqueísta e xenófobo. A vida em sociedade está longe de ser um lugar seguro. A globalização nos mostrou a crueldade que antes não podíamos ver, nem ler. E isso nos deixa uma pergunta: Para onde caminha a humanidade?
Abaixo dou um exemplo do perigo que é a divisão da humanidade em castas. Este texto que vocês lerão é fictício (recebi por e-mail de um amigo há muitos anos atrás e não tenho o autor). Vejam como as coisas que vemos hoje podem se tornar piores se os homens que fazem as leis continuarem a olhar para o próprio umbigo.

Vivemos num mundo no mínimo incoerente, louco, sem o menor sentido. Um mundo onde pessoas invadem lanchonetes à noite e metralham tranqüilos comedores de Big Mac pelo simples prazer de ver o sangue jorrar entre os buraquinhos e se misturar ao molho de tomate artificial. Um mundo que pode ser denominado simplesmente por um vocábulo que resume em si toda a complexidade contraditória das relações humanas: absurdo.
Neste planeta abobalhado e estúpido onde moramos, teorias como a que mostrarei a seguir são discutidas com seriedade e até postas em prática, como nos prova a história, uma sucessão de fatos com uma aparente ligação entre si mas que até agora não nos levaram a nada.
Imaginemos que a inocente brincadeira de se olhar para os quadros em terceira dimensão se torne uma mania amplamente difundida, uma coqueluche. Toda a sociedade curiosa por saber o que se oculta por trás, ou melhor, por dentro daquelas imagens que, à primeira vista, são o tema de casa de um debilóide ou um almoço devolvido em um liqüidificador. Assim, cada um deveria ter o seu em casa e quem conseguisse ver mais o dos outros seria muito bem cotado. Quem não conseguisse estaria fadado ao desdém, ao preconceito e, num estágio mais avançado, à segregação. Sim, pois a evolução desta mania levaria em pouco tempo a uma nova organização social, movida e mantida pelos ditos quadros em terceira dimensão.
Haveria um grupo no poder, grupo este muito restrito e extremamente fechado. Seriam os fabricantes e designers das figuras, aqueles que teriam seus privilégios assegurados em qualquer situação, pois com eles estaria a tecnologia e o modo de aplicá-la.
O resto da sociedade seria dividido em duas castas antagônicas: os que conseguiriam ver os desenhos em 3D e os que não teriam essa capacidade. Aqueles que conseguissem seriam os dominantes, com direitos civis, trabalho digno e garantido, moradia e ajuda governamental. O resto, pobres párias, teria que se virar com restos, levar a marca da incapacidade em seus documentos e viver nas periferias em sociedades próprias e submundanas. Terras sem lei, onde o estado não se envolveria. Ele estaria mais interessado em manter o status dos que enxergassem, os privilegiados.
Claro que o modo para separar o joio do trigo seria uma obra prima da engenhosidade: haveria centros especiais para o cadastramento, grandes complexos onde a população compareceria para ser testada. O conjunto constaria de um comprido corredor que cortaria uma sala na metade de sua extensão. A sala seria separada do exterior por portas comandadas pelo pessoal da seleção.
Cada cidadão deveria comparecer quando tivesse idade adequada para fazer o teste, que se daria da seguinte maneira: ele deveria entrar no corredor, seguir até a sala e nela ser trancado. Logo após, em uma das paredes se abriria uma janela, onde estaria exposto um quadro em 3D. Quem, num espaço de tempo determinado, adivinhasse a figura, estaria salvo, e seria bem recebido. Os corredores serviriam para isolar o interior dos centros das imensas filas que se formariam. Evidentemente, os quadros seriam trocados para cada caso, de modo que não haveria como quem passou no exame dar a “cola” para quem estivesse do lado de fora. Na sua aparência exterior todas as gravuras seriam iguais, o que eliminaria também a possibilidade de se decorar as imagens pelas suas variações perceptíveis sem a devida técnica.
Neste panorama aparentemente infalível, também aconteceriam as artimanhas. Haveria aqueles que, quando da implantação do sistema, já seriam importantes, e assim utilizariam de suas influências e poder econômico para comprarem atestados frios. Caso diferente seria o dos ditos inconvenientes, pessoas que teriam idéias por demais revolucionárias para serem levados a sério e, para estes, estariam destinados quadros indecifráveis. Por fim, cabe ressaltar que haveria um recadastramento periódico para confortar e acalmar o público desafortunado (maioria, com certeza) e, assim, garantir a continuidade dos privilégios. Não é preciso dizer que ninguém, propositadamente, teria seu posto social reconsiderado. Muito conveniente.
Está aí a minha idéia sem pé nem cabeça para a nova sociedade. Quanto a você, não seja levado pelo impulso imediato de considerá-la de todo um devaneio. Cabe rememorar uma época em que qualquer um que mostrasse comportamento estranho ou fora dos padrões poderia acabar na fogueira. Esta matança indiscriminada e bestial recebeu a bênção da maior instituição de seu tempo e do nosso, a Igreja Católica do Vaticano. A inquisição também era uma insanidade e, no entanto, foi bem real.
Mais recentemente, quem não se comove com as milhares de pessoas que encontraram a morte nos campos de concentração, apenas pelo fato de terem nascido com a descendência dita errada? O holocausto foi outra realidade bem bestial, e a força crescente das organizações neonazistas nos leva a refletir .
Por estes e outros motivos, não ria desta TEORIA SEM LÓGICA. Tenha medo dela. Ou então, desconsidere. Pode ser mais fácil e confortante pensar que não existe absurdo maior que sentar e escrever tantos absurdos. Até que eles venham a acontecer.
 
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No cinema
A sessão já começara, na tela o morto, frio, esperava a chegada da polícia, o corredor escuro, vozes xingavam enquanto o casal passava pedindo “lincença-licença-lincença”, derrubando pipoca e refrigerante.
Conseguiram um lugar nas últimas poltronas, no fundo, mais escuro, sentaram-se.
E começaram a sessão de beijos e não viram ao filme.

ROBERTO PRADO
 
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Terça-feira, Setembro 27, 2005
Ameaça
Qual Quixote desvairado
Em meu cavalo branco
Corro atrás não de moinhos
Mas de dedicados leitores
E ai de vós que eu veja
Sentado, distraído
Que num átimo
Coisa de segundos
Vos encho de meus papeis
E vos forço a me ler
Temei ó desocupados
Porque lereis
Ah!
Lereis até a morte!

ROBERTO PRADO
 
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Escritos em Letra de Forma
Uma dica de leitura muito legal é o blog da Sandra Pontes. Inteligente e bem humorado. Não deixem de ler.
 
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Lábios de mel
Quituteira de mão cheia. Afamada, fazia doces e salgados como ninguém.
Diziam que mais doces que seus doces só os seus lábios de mel.
Mas um dia, de sua janela, sem esperar, viu Juca beijando Leonor.
Amargou a vida, azedou os lábios e acabou com a vida.
Juca e Leonor? Passam bem, obrigado.

ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Setembro 26, 2005
 
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Albino lê jornal na praça
Sentado no banco da praça Albino lia o jornal, relia a manchete pela terceira vez. Cada vez que lia, mais enfiava o chapéu na cabeça, arrumava o óculos escuros, e levantava o colarinho da jaqueta.
Crianças felizes e despreocupadas corriam de lado para outro, gritando, jogando bola...
Albino olhava para elas e lia o jornal com mais atenção. Sorria. Sabia que amanhã seria manchete de novo.
Mas o que o matava era viver nesse anonimato.
Ou não?

ROBERTO PRADO
 
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
Ah! Marilzinha.
Marilzinha era orgulhosa de seus namorados, todos sempre bonitões, bem de vida, endinheirados. Embora sempre bons partidos, nunca duravam muito. Saía com o sujeito, gastava por conta do infeliz e depois o descartava. Não demorava muito tempo sozinha, logo estava com outro. Seu segredo?
Simples, respondia ela:
__Hímen complacente!

ROBERTO PRADO
 
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A Missiva
Meticulosamente escreveu a carta, e enquanto o fazia, rejubilava-se por ainda dominar a arte da escrita.
Era um missivista desde tenra idade, herdara do velho avô o gosto pelas cartas.
Escolheu as palavras, meditou sobre cada uma delas, nenhuma palavra sobrava em seu texto. Era claro, sucinto, sem ser seco, dizia somente o que deveria ser dito, evitava a redundância, expôs de forma clara a sua decepção, sua frustração, seu ódio. Despejou toda a sua amargura com palavras rebuscadas e esvaziou a sua alma naquelas folhas brancas, que pouco a pouco ele escureceu com o negro de sua tinta...
Ao término, respirou fundo, aliviado, esvaziado de todos os sentimentos.
Pegou o envelope, fechou, selou, postou.
No minuto seguinte arrepende-se.
Outra carta, agora pedindo desculpas...

ROBERTO PRADO
 
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Sobre aquelas coisas que não falamos no dia-a-dia
A troca de idéias, as relações de igualdade entre uma reflexão e a outra, as conclusões nem sempre idênticas, mas respeitadas entre seus interlocutores leva o que se pode chamar de um diálogo formal para um diálogo filosófico. Indagar sobre nós e o mundo ao nosso redor nos torna mais que simples faladores e fofoqueiros.
E imaginem só, que de repente, a filosofia começa a fazer parte da nossa vida (sim, só agora percebemos que ela sempre fez) através da tv. Sim, desta vez em horário nobre e numa grande rede. Porém, ainda é muito pouco para aqueles que como eu, ainda acredita que a 'tv aberta de massa' ainda pode nos dar algo de útil no seu dia-a-dia.
A reflexão é um estado sublime da mente. Uma potência. Transformemos esta potência em ato e nos lembremos que toda ação tem de ser uma ação para o bem. O bem próprio e o bem comum. Pois filosofar não é só tagarelar ou assistir a programas relacionados, é agir!

ALEXANDRE COSTA
 
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A Bela Arte de ser Pessimista
Ser pessimista
É nunca ser pego de surpresa
Ser pessimista
É nunca querer chegar mais cedo
Afinal alguém já passou a noite na sua frente
Ser pessimista é
Não sofrer,
Afinal você não estava esperando nada mesmo
Tava na cara que aquilo ia dar errado
Ser pessimista
Tem seu charme, seu encanto
Aquele olhar vago
Aquela postura de quem não está nem aí com nada
Ah!
Ser pessimista é uma espécie de antibiótico
Contra o otimismo vazio e inconseqüente
Daquela postura “Poliana” de ser
Dos que dizem bom dia, quando está chovendo
Que quando você espirra dizem:
__Saúde!
Ser pessimista e saber que no fim
A única coisa certa é o fim
Ser pessimista
É não abrir com sofreguidão o hollerith
Afinal ele vai ser igual ao mês passado
Ser pessimista
É olhar para o céu claro e ensolarado
E ter certeza que no sábado chove
(e o diabo é que chove mesmo)
Ser pessimista
É ter prazer em argumentar com evangélicos
(Tentem)
Ser pessimista
É ter certeza que ninguém me lerá.
Ser pessimista
É ter medo de ficar prá semente...

ROBERTO PRADO
 
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Estou gripado
Minhas últimas palavras serão: cof cof cof, seguidos de espirros, e então, cairei duro.
Acho que dessa vez a gripe me levará para a outra margem desse rio. Gente, desde ontem que estou com dores pelo corpo, tossindo feito cachorro, espirrando, tendo calafrios, resumindo estou um caco, que dá pena de ver...
Já tomei remédios, cházinhos, sopinhas e todos os mimos que requer uma gripe, caminha com muitos cobertores, edredons, e com direito até ter a Bia (minha cachorra) ao meu lado, esquentando esses velhos ossos. Mas tudo debalde! Resumindo, duvido muito que eu sobreviva até o fim de semana.
Ai, ai.
Passem bem!

ROBERTO PRADO
 
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Terça-feira, Setembro 20, 2005
O caminho

Aquele caminho
Tão antigo e tão atual
Me levava de viagem em viagem
Aos quatro cantos das minhas lembranças.
Era quando pequeno, que me perdia em suas curvas
Me deitava em sua sombra
E brincava com a vida que habitava seu solo.
Hoje, o seu céu que me olhava me procura
Pergunta onde anda aquela criança
De pegadas leves e passos curtos.
E hoje me pergunto
Onde anda aquela criança
Que amava aquela terra
O seu céu que me velava e
Aquele caminho que me guiava.
O tempo me levou
Mas deixou sempre jovem
As lembranças mais queridas
Da minha infância e
As marcas mais profundas das
Minhas pegadas.

ALEXANDRE COSTA
 
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Rever velhos amigos
Ontem, na Igreja de Santo Antônio do Valongo, fui assistir a ordenação do meu amigo Marcos Hideo, e aproveitei para matar as saudades dos meus amigos do tempo da Jufra, (Juventude Franciscana) que não via há mais ou menos uns vinte anos. Caramba! Vinte anos é muita coisa. Era impressionante as reações de espanto. Vinte anos fazem um estragado danado, por mais que nos cuidemos, o tempo deixa lá as suas marcas, que não há creminhos e tratamentos que a Avon tire...
Tinha colegas que olhavam para mim, e ficavam com aquela cara de "onde já havia visto esse sujeito antes?" Era preciso que eu me apresentasse, "Oi sou eu o Prado, lembra de mim?" Para que eles saíssem daquela pasmaceira...
Afinal muitos ainda lembram-se de mim magro feito um bambu, não este senhor de barba branca, uma respeitável barriga, pesando noventa e sete quilos e cabelos já começando rarear (lembram que eu falava das marcas do tempo mais acima?). Bem, se não estamos todos assim tão velhos, estamos com certeza, maduros demais. Casados, descasados, com filhos...
As perguntas mais comuns eram: "Quantos filhos você tem?", "qual a idade?"seguido de; "Puxa vida, mas como está grande!"Rimos muito, nos abraçamos bastante (acho até menos de que queríamos), e inexoravelmente nos relembramos dos "bons tempos", e rememoramos as velhas histórias que vivemos. E são/foram muitas. Como em todos os encontros chegamos àquele ponto em que trocamos telefones, hoje, e-mails e juras de nunca mais tornarmos a perder contato...
Até agora ninguém me ligou ou enviou alguma mensagem...
Talvez ainda seja muito cedo, só espero não ter que aguardar mais duas décadas afinal o tempo urge e não espera por ninguém.Por hora é só.
Passem bem

ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Conto rápido demais
Ela levantou a saia e deu uma risadinha safada, que dizia tudo, tudo o que se precisava saber com uma risadinha. Menos que o pai era bravo e andava armado.
Ele sentiu que era o seu fim.
O pai dela teve a certeza.
Mas no próximo sábado ela fará tudo de novo.

ROBERTO PRADO
 
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A janela

Ao olhar a janela, podia ver que o tempo não a poupara de nada.
Ao olhar pela janela, podia ver que lá fora tudo estava exatamente como sempre foi, menos ela.
Podia ver que muita coisa havia mudado, dentro e fora.
De si.
Com olhos marejados, limpou as marcas do tempo que enfeitavam a janela.
Todas elas eram testemunhas da mudança que havia ocorrido.
Ela viu então que dentro e fora, agora, não importava.
Importava sim o como e quando.
Que o coração não sentiu, a saudade não levou e tempo não apagou.

ALEXANDRE COSTA
 
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Tenho que morrer? Que ao menos seja no monte de Vênus!

ROBERTO PRADO
MICROCONTO

 
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Tédio
Abre
Fecha
Vira
Desvira
Revira
Senta
Levanta
Vai
Vem
Volta
Vira para um lado
E outro
Coça a cabeça
Aponta lápis
Vai ao banheiro
Vai à cozinha
Vai à rua respirar
Olha para o céu
Olha para o chão
Mete a mão no bolso
Limpa a unha com uma chave
Volta à mesa
Senta
Levanta
Cruza os braços
Descruza
Olha o relógio
E só passou um minuto!
E começa tudo de novo...

ROBERTO PRADO
 
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Sexta-feira, Setembro 16, 2005
 
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Ao olhar em sua direção
Pude ver claramente
Dentro desses grandes olhos
A verdade que eu buscava.

ALEXANDRE COSTA
 
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E tenho Dito
Sabes o que é a Meia-idade? É a altura da vida em que o trabalho já não dá prazer e o prazer começa a dar trabalho!!!
 
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Mistério...
Tudo começou de uma forma bem simples, quase estúpida, mas de qualquer forma, trivial. Sumira uma cadeira. Cadeira some? Desaparece? Escafede-se? Some no éter?
Positivamente, não! Mas não falaremos mais nessa cadeira, afinal isso não é mote para nenhuma história. Sigamos.
Assim, a cada dia alguma coisa estranha acontecia. Rádios ligavam-se sozinhos, em estações diversas e com o volume de som sempre alto, num irradiando futebol, noutro a pregação de um pastor evangélico qualquer, outro tocando músicas de gostos duvidosos. Depois a coisa foi degringolando ainda mais. Até que...
Chegou em casa e encontrou debaixo da porta, uma conta atrasada, cobrando o alpiste dos curiós.
__ Que curiós, meus Deus? E de repente, do nada, uma babel de curiós começaram a cantar. Ele assustado, encostou-se à parede, e com os olhos arregalados, se arrastando, foi para o banheiro. Quem sabe um banho...?
Ao terminar o banho, ainda molhado, água escorrendo pelo corpo, estende a mão para apanhar a toalha. Apalpa o tecido, estranha a sua textura, mas mesmo assim o puxa! Qual não é a sua surpresa ao ver:
__ A bandeira do Íbis???
Não, não, não.
Senta-se no chão e começa a rir. Pára a risada quando a primeira rã, gelada, cai em seu pescoço. Salta, nu em pelo, corpo ainda escorrendo água, corre para o seu quarto. Da sala ainda se ouve o canto estridente dos curiós, do banheiro o coaxar das rãs, que já começam a invadir o corredor, pulando uma sobre a outra. Pulando para cima da cama, esconde-se, ainda molhado, debaixo das cobertas. Treme. De repente, toca o telefone. Espantado, ele, como que impulsionado por uma mola, pula da cama, corre para atender, escorrega nas rãs, e com uma expressão de asco, tenta chegar ao aparelho.
__ Alô?
Do outro lado da linha uma voz lhe diz secamente:
__ Cuidado com o japonês. Clic.
Nada mais foi dito.
Mais atarantado que antes, ele corre à janela de sua sala e olha para rua procurando algum japonês que pudesse colocar a sua vida e perigo. Coçando a cabeça desesperadamente, ele se pergunta o que estaria lhe acontecendo. O dia, dada as circunstâncias, começara tão bem...
Claro, não fosse a cadeira que sumira...
Torna a olhar pela janela. Nada de japonês, ou chinês, ou coreano, ou qualquer um de olhos puxados. As rãs chegam na sala. Morrendo de nojo, ele senta-se no batente da janela. O canto dos curiós começa a atrair outros pássaros que também iniciam uma cantoria infernal.
Os vizinhos começam a reclamar e gritar. No apartamento da frente, donaMaria Luíza, histérica, desmaia quando uma das rãs, que já começam a se espalhar, entra em seu apartamento, mas isso é problema dela, não nosso. Sigamos.
Olhando para a rua, ele se pergunta, o que estaria acontecendo?
Da cozinha, um sinal estridente começa a soar.
__Droga, só faltava dar pau na geladeira!
Dando um grande impulso, ele pula do batente da janela, para a luminária no teto, feito um tarzan urbano, ele salta sobre os batráquios, e dando uma pirueta em pleno ar, aterriza no chão da cozinha. Olha a geladeira, moderna, comprada recentemente. Todas as luzezinhas piscando e apitando. Abre a porta, e para a sua surpresa (como ainda haveria uma reserva de surpresa nesse homem?) uma cascata de água gelada, refrigerantes, verduras, legumes, frutas, carnes, e inverossímil dos inverosímeis, caranguejos vivos avançam com suas pinças em riste em sua direção.
Tomado de um pânico-histérico, ele enrola-se na bandeira do Íbis Futebol Clube e corre para rua. Na sua fuga desenfreada, deixa a porta de seu apartamento aberta, o resto das rãs espalham-se pelas escadarias. Passando pelo apartamento de Dona Joana Eleocádia, síndica há dez anos, prende a bandeira num vaso enferrujado, esse rasga o tecido, ainda desesperado, ele continua correndo, agora nu, e deixando à mostra e a execração pública uma estranha tatuagem de uma borboleta sobre a sua nádega esquerda, corre em direção rua, quando:
__ Não!
Ele grita, quando vê seu Toshiro, vendedor de banana. Fornecedor oficial de Manoel Mendes, dono da quintandinha localizada no térreo do edifício. Mas seu Toshiro não se deixa intimidar pelo grito dele e diz;
__Não adianta tentar fugir e nem bancar louco, trate me pagar pelas bananas que eu lhe vendi semana passada.
Ele pensa: Então era esse o recado?

ROBERTO PRADO
 
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E tenho Dito
Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito mas um hábito."(Aristóteles)

O poeta Heine duvidava seriamente que os americanos tivessem alma. Nietzsche também.

"Estamos vivos, e estar vivo é aprender a morrer", dizia Sócrates.

O filósofo romano Sêneca, dizia que a fama é uma coisa horrível, pois depende sempre da opinião dos outros.

Mas Clarence Darrow, o maior criminalista de todos os tempos nos EUA, havia dito o que ficou sendo lugar-comum: "Quem defende a si mesmo tem um idiota como cliente."
 
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Homenagem
João Carlos, professor de informática da turma de comunicação e tecnologia da unimonte 2004. Excelente professor, amigo verdadeiro dos alunos, um mestre. Deus quis que ele fosse ensinar mais perto dele. Adeus professor, madaremos um e-mail aos anjos que o senhor ensinar.
Agradecemos de coração aos seus ensinamentos e sentiremos saudades do amigo que foi.

Seus alunos,

ROBERTO PRADO, ALEXANDRE COSTA, MARIA JOSÉ - TODA A TURMA DE COMUNICAÇÃO E TECNOLOGIA UNIMONTE 2004
 
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Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Seu predicado
Sem cultura
Sem diploma
Sem berço
Sem terço
Sem fé
Nem consciência
Ri de tudo
E para todos
Não entende nada
De nada
Está em todas
As bocas
E becos
É querida
Desejada
E convidada
Freqüenta todas as rodas
E em todas roda
Não aprende
E se orgulha
De seu único atributo
Predicado que a distingue
Que em si mais abunda
"Sua bunda"

ROBERTO PRADO
 
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Calendário de um só dia, todos iguais. Essa é minha vida.

ROBERTO PRADO
MICROCONTO
 
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Encontrei você assim
Ao abrigo da luz
À espera.
De olhos alegres e
Boca úmida.

Com feitio de praia e
Corpo de flores.

Vejo você assim
Poesia e
Metáfora

ALEXANDRE COSTA
IMAGEM: CONCEPÇÃO - ALEXANDRE COSTA

 
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Quarta-feira, Setembro 14, 2005
A fuga
Já estava ofegante, o coração parecia sair pela boca, se não estourasse antes no peito. As pernas, tremiam, estavam fracas, o suor empapava a camisa, escorria pelo rosto, descia pelo pescoço, dando calafrios na espinha. Respirou fundo, apurou os ouvidos, e ouviu os passos. Voltou a correr. Estava fraco. As pernas, como num sonho recorrente, davam a impressão estar grudadas no chão, os pés não conseguiam livrar-se do piche, do asfalto mole, presos como em um papel pega-moscas... Corria, já com o corpo caindo para frente, os olhos esbugalhados, os cabelos desalinhados por causa do suor e da chuva fina. Não arriscava olhar para trás e perder velocidade. Fugia de quê? Não sabemos. Estava escuro, já anoitecera a algum tempo, as luzes da iluminação pública estavam acesas, não que fizesse alguma diferença, iluminavam o chão e nada mais. Exausto, encosta-se em um poste, respira fundo, e lentamente, quase sem perceber, começa a cair inexoravelmente em direção ao chão. Tenta, ainda segurar-se no poste, mas o cansaço fala mais alto, e ele despenca... Desesperado, olha para trás, procura pelo seu algoz, o coração disparado, faz com que tenha a sensação de a terra estar tremendo, soluça de pavor, dedesespero, prepara-se para o pior. Não conseguindo mais levantar-se para correr, arrasta-se feito um réptil, consegue virar numa esquina. Escuro. Consegue abrigar-se no portão de uma casa abandonada. Não tem forças nem coragem para entrar nela. Encolhe-se, abraça suas pernas e começa a chorar, a princípio baixinho, a seguir começar a soluçar e a bater com a cabeça contra o portão, que range na dobradiça. Com o barulho um cachorro começa a latir, poucos segundos após, outro responde ao longe, e logo todos os cães da rua começam a latir juntos. Pânico. Ele se urina todo. Essa é sua última humilhação.
Ele grita:__Basta!!
Os cães aumentam os latidos, agora somados a uivos e ganidos. Os passos! Ele torna a ouvir os passos. Sem forças, quer físicas, quer morais, ele se entrega. Desiste.
Abre os braços, estica as pernas, vê, humilhado a marca úmida na sua calça e fecha os olhos!
(fim?)

ROBERTO PRADO
 
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Se não fosse você, nada seria. Nem eu!

ALEXANDRE COSTA

MICROCONTO
 
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O estóico
Da corrente
(cromada ou não)
dos grilhõesda porta de ferro
do fosso que separa
dos arames farpados
(e enferrujado)
do olhar perdido no horizonte
do suspiro que vem do fundo d'alma
das cartas de amor lidas
(e relidas)
dos riscos nas paredes que contam os dias
dos morcegos que sobrevoam a insônia
das minhocas na cabeça
dos piolhos nos cabelos
da comida estragada
(quando vem)
da água que pinga do teto
dos ratos que correm no chão
(onde durmo).
O que incomoda mesmo
é o vizinho da outra cela
que grita quando apanha!

ROBERTO PRADO
 
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Terça-feira, Setembro 13, 2005
Coisas da repartição
Não esqueçam que eu sou funcionário público.
Lembrados disso, vamos em frente.
Aqui na repartição acontece de tudo, ouvimos de tudo e vemos de tudo, tempo não nos falta para testemunharmos essas coisas. Um colega da mesa ao lado hoje saiu com uma boa. É importante lembrá-los que ganhamos pouco, e estamos a onze anos com salário congelado. Então estamos sempre com idéias mirabolantes para ganhar dinheiro lá fora. Já vendemos perfumes, roupas, bijuterias, balas de alfiniz, tele-mensagens, chaveiros... Mas o que o colega me contou hoje superou as expectativas... Ele resolveu mudar o rumo de sua vida, assim resolvido, levantou-se de sua mesa, com o dedo em riste, com passos largos, dirigiu-se a mim, de olhos vidrados e me disse:
­­__ Vou abrir uma escola!!
Fiz-lhe ver que para isso ele deveria ser formado em alguma coisa e ainda por cima ser bacharel em pedagogia etc e tal (importante frisar que ele não é formado em nada). Para meu espanto ele ouviu os meus argumentos. Parou, pensou um pouco e argumentou que ele iria abrir uma escola sim, mas de religião. Perguntei-lhe se ele era formado em teologia (sei que não).
__Claro que não! Vou dar aulas de religião sim, mas de Umbanda, não temos nada que se pareça com isso na região! Minha escola vai fazer barulho, muito barulho! Umas das disciplinas vai ser aulas de atabaque! Diante do exposto, calei-me, e voltei a ler o meu jornalzinho.
Prestem concurso, prestem!

ROBERTO PRADO
 
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O Ranzinza pergunta
Dia 23 de outubro eleitor volta às urnas para decidir sobre o comércio dearmas de fogo no País.

"No próximo dia 23 de outubro os brasileiros maiores de 16 anos voltam obrigatoriamente às urnas. É o referendo sobre o comércio de armas de fogo e munição. E a pergunta que o cidadão terá que responder "sim" ou "não" é sobre se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil. O referendo faz parte da Lei nº 10.826, também conhecida como o Estatuto do Desarmamento, e que foi aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2003. O Estatuto regulamenta a posse de armas no Brasil. Nele está previsto o referendo para a população opinar quanto ao artigo 35 da Lei, que estabelece a proibição da comercialização de arma de fogo e munição em todoo território nacional, salvo para as entidades previstas no artigo 6 - agentes da lei que podem portar arma de fogo. Caso a população opte pelo"sim", o artigo está referendado e o comércio proibido. Caso opte pelo"não", o artigo será retirado da lei, continuando outros artigos que determinam normas para a aquisição de armas e munições."

Qual é a opinião de vocês quanto a isso?
Taí mais uma questão que suscita discussão. Nós entregamos as armas, e quem nos protegerá? Não creio, tão piamente assim, que ter armas em casa seja a melhor panacéia, não! Mas será que podemos contar com o estado para a nossa proteção? Já precisei chamar a polícia uma vez, caso besta, de um vizinho fazendo festa na sua casa, às quatro da manhã, com karaokê. Já sentiram o drama?
Liguei par a policia, relatei o que estava ocorrendo, e segue esse (absurdo) diálogo.

__Não temos nenhuma viatura disponível no momento ( diz o policial)
__Mas o que eu vou fazer? Preciso descansar para trabalhar amanhã (eu)
__ Bom só posso sugerir que o senhor vá lá embaixo e dê um tiro no seuvizinho, como não temos viatura o senhor pode fugir que não terá ninguém para prende-lo (correção gramatical minha) (diz policial)

Depois de ouvir essa barbaridade, comecei a tremer, e se tivesse uma arma ,juro que teria exterminado o meu vizinho... Nessas horas, uma arma é um perigo, mas vamos supor que em vez da dita festa com karaokê fosse um ladrão tentando arrombar a porta do meu apartamento, fosse um estuprador tentando atacar minha mulher ou minha filha? Ter uma arma em casa, não é propriamente um perigo, ela é um coringa, que deve ser usada com muita razão e bom senso. Pensem bem, não é sempre que podemos contar com a polícia ou a dona justiça. Até dia vinte e três de outubro terei muito tempo para pensar.
Passem bem e pensem melhor.

ROBERTO PRADO
 
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Último desejo
Se você pudesse escrever seu epitáfio,
qual seria?
 
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Receita de silêncio
Miauuu
Miauuu
Miauuu

-crash-

uma garrafana cabeça do felino*
e a noite volta à paz!

*(pode-se trocar o gato por qualquer coisa que incomode o seu sono)

ROBERTO PRADO
 
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Desejo que continuemos vivendo no sistema (minando-o!)

By Agda
 
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De palavras e pensares
Não somos assim
Tão herméticos
Secretos
Encriptados
Cifrados
Trancados
Que impeça a compreensão
De tudo o queremos dizer.
Não usamos palavras arcanas
Tão pouco línguas mortas
Descartamos o grego e o latim
Facilitamos o meio e a mensagem.
E nutrimos a crença
Que alguém ainda nos traduza
Facilite a compreensão
Amplifique a explanação
Espalhe aos quatros ventos
Por todos os pontos cardeais
Nossas palavras e pensares
Afinal escrever para quê?
Se ninguém nos lê?

ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Ontem foi 11 de setembro
Os caros leitores já devem ter lido o artigo do amigo Alexandre, esse santo homem ainda tem fé na humanidade. Não posso deixar de admira-lo por isso. Mas é um desperdício de fé e de amor. Seria melhor dedicar essa doçura, esse amor aos animais.
Sempre lhe digo:__Crie um cachorro! Eles são fieis, amorosos, amigo de toda a vida.
__Dê de beber aos beija-flores!
__Plante uma árvore! Detesto o pé em que vai a humanidade, basta ler a Bíblia, Alcorão, e outros livros ditos santos e os de história. A humanidade é uma matilha de lobos, a humanidade é como um bando de animais raivosos...
Uma besta-fera coletiva, sem controle, sem bom-senso...
Pensava nisso ontem, quando voltava de Itanhaém, e passei em frente a uma agência do Bradesco, e vi o seu símbolo, que nos remete aos dois aviões batendo contra as torres gêmeas.
Ri com os meus botões, na certeza que tudo o que é hoje, continuará amanhã e pelos séculos que virão! Sou pessimista, ranzinza, mas nunca sou pego de surpresa. Mas tenho uma cachorra, alguns patos. Outros tantos gansos, galinhas, muitos beija-flores, flores, árvores...
Assim me vacino semanalmente contra essa dita humanidade. Passem bem!
P.S. Antes que me perguntem, já respondo:
___Esqueci das bombinhas ontem!.

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 10:36 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
 
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Teu corpo
É a tela onde pinto
Os meus desejos mais secretos,
Minha fala mais completa.
É onde imagino meu abrigo,
Descubro o meu destino.
Me desfaço feliz!


ALEXANDRE COSTA



Imagem: Alexandre Costa
 
posted by Alexandre Costa at 10:18 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments

Cria em Deus, mas mantinha uma poupança em dólar.
Rezava ajoelhado, mas de olhos bem abertos.

ROBERTO PRADO
MICROCONTO
 
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11/09
Imagem: Alexandre Costa

25.200.000.00

Ao longo desse recém-nascido século XXI, esta data será lembrada como uma das mais obscuras do século, sem dizer que a combinação destes números se tornou cabalístico. Três anos se passaram e o tempo se encarrega de amenizar a lembrança de tanto sofrimento. O número acima (vinte e cinco milhões e duzentos mil) é hoje o número de páginas da Internet que falam sobre o assunto desde seu acontecido. É impressionante. Quanto ao seu carrasco, foi esquecido pelo governo americano, preocupado mais com o petróleo e menos com vidas humanas inocentes. Digo isso porque NÃO HÁ MOTIVO, POR MAIS FORTE QUE SEJA DE SE SUSTENTAR, DE MATAR EM NOME DO QUE QUER QUE SEJA. Convicções políticas, religiosas, geográficas, xenófobas, ideológicas. Não há mocinhos nesta guerra, só bandidos da pior espécie. Vivemos num mundo maniqueísta, pensamos de modo maniqueísta. A verdadeira justiça está no fato de que devemos deixar o outro livre para ser o que quiser ser, sem prejudicar quem quer que seja. Estamos ligados a este planeta e um ao outro, somos parte de uma coisa só chamada organismo. Na verdade o que estamos fazendo é nos matando pouco a pouco, um suicídio coletivo. A morte moral e física de nossa espécie. Não me acusem de pessimismo antes de refletir sobre o mundo em que você vive.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:04 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Minha dica é que vocês visitem estes 2 blogs. São muito bons.
Eu em letras - da minha amiga blogueira Elyene > uma brasileira que mora no Canadá.
Não discuto - por Patrícia Antoniete > imagens e belas palavras.
 
posted by Alexandre Costa at 8:33 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Sou tão ranzinza que até dói.
Estava vindo para o trabalho hoje de manhã, quando, parado pelo trânsito, olhei para uma dessas portas de correr, de uma lojinha, ainda fechada. Havia nela uma pintura, dessas bem brega, exagerada nas cores, com motivos new age, essas bobagens com cores chamativas e fosforescentes. Embaixo, no canto direito, pouco acima da assinatura do artista, havia uma frase que me chamou a atenção, estava escrito assim: "Deus criou, eu desenhei!", como já estava de saco cheio com o engarrafamento, emendei: "Deus criou, eu desdenhei! "Tá certo, pode não ter graça, mas naquela hora da manhã, com o meu mau humor, não se poderia esperar coisa melhor.
Passem bem.

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 8:11 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Sexta-feira, Setembro 09, 2005
A arte de arrumar encrenca
A arte de arrumar encrenca.
Em mim é natural.
Como uma força da natureza.
Um terremoto.
Uma inundação.
Falo o que penso.
Faço o que quero.
Ajo, depois reflito (?).
Me arrebento muitas vezes.
Mas não me acanho.
Me remendo.
Mas não me emendo.
Falo, escrevo, digo, imprimo, envio, publico, picho, fuxico, grito,digito... Arco com as responsabilidades.
E durmo em paz.
Com minha consciência.
Amém!

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 11:13 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Nirom Ragde

Os amigos do Curso de Comunicação e Tecnologia da Unimonte (formandos 2004 - 4ª turma), conhecem muito bem nosso 'amigo' Edgar Morin. Introduzido guela e mente abaixo pelo nosso não menos 'querido' professor Luiz Carlos 'Black'.
Gente, para acabar com seus pesadelos, vamos à forra participando em peso neste congresso.
Tenho uma dúvida: "a transdisciplinaridade aliada ao existencialismo materialista em contrapartida ao construtivismo enquanto forma e fenômeno pode ser aplicada em conclusões a priori?"
 
posted by Alexandre Costa at 10:36 AM ¤ Permalink ¤ 10 comments
Ainda a Profissão de Fé
É impressionante como as pessoas (aquela meia dúzia que me lê) estão falando do poeminha Profissão de Fé. Para uma amiga a quem enviei por e-mail, tive como resposta:
__Não entendi o você quis dizer, pode me explicar? Primeiro fiquei pasmo. Depois comecei a rir. Claro que expliquei.
__"Nos somos bons, o resto é bosta! "Não preciso dizer que, depois de dizer que sou (somos) arrogantes e metidos, ela parou de falar comigo. Espero que ainda hoje dê sinais de vida. Para outra, que trabalha comigo, a quase duas mesas de distância, a peguei revirando, freneticamente o bom e velho "Aurélio", atras da palavra "estulto", como não encontrou perguntou para mim o que significava:
­­__Estúpida, burra, iletrada.
__(magoada) Também não precisa ser ignorante, eu só perguntei o que significava...
E eu bestamente lhe fiz entender que estava lhe respondendo o que significa"estulto".
Ela:­­­__Ah!
Pois é...

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 10:22 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments

Se você olhar para trás, verá o que passou.
Se olhar para frente verá o que virá.
Entre esses dois momentos está você. Este é seu o presente, o único que você pode manipular. Tudo o que se passou ou o que virá depende dele. Pense nisso!

Alexandre Costa




Imagem: Alexandre Costa
 
posted by Alexandre Costa at 9:05 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
 
posted by Alexandre Costa at 9:03 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments

 
posted by Alexandre Costa at 9:02 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments

Estou de ego inflado!
Cheio.Uma agulha e expludo. __Bummm.
Ontem uma amiga disse que me leu, e gostou. Gostou! Sabem lá o que é isso? Deu vontade de perguntar:
__Então foi você que me leu? Tá bom eu sei, a piada é velha. Mas não podia perder essa oportunidade infâme. Ela disse que estou escrevendo muito bem, que isso e aquilo, e eu só ali, inchando de prazer e felicidade. Deixo a vocês o juízo de valor da opinião dela, e do que eu escrevo. Sei que não sou um Drummond, mas deixo cá, sempre que posso, minhas opiniões em algumas linhas. Se vocês concordam ou discordam, façam o mesmo. Afinal depois do advento da internet, só não escreve quem não quer, foi-se o tempo em que eu escrevia em estencil, rodava mimeográfo...
No nosso blog, como em qualquer outro, é dado às pessoas o direito de escreverem, deixarem suas opiniões, sugestões, até receita de bolo...Exerçam esse direito, afinal é muito bom escrever (e ser lido).
Passem bem.

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 8:20 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Terça-feira, Setembro 06, 2005

O marinheiro gritou:__Terra à vista.Engano, era um cisco!

ROBERTO PRADO
MICROCONTO
 
posted by Alexandre Costa at 1:42 PM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Feriado em meio de semana. É um prêmio, uma felicidade. Deveria ser lei parar nas quarta-feiras; trabalha-se na segunda e na terça, descansamos, voltamos para a quinta e a sexta-feira. Encaramos o sábado e o domingo, e estamos preparados para começar tudo de novo. Pois é, num mundo ideal talvez fosse assim...Mas por aqui nessa terra (no sentido patriótico (?) e geológico) as coisas não são assim e, creio eu, nunca serão! Ralamos sem sentido, entorpecidos dia a dia, mês a mês, ano a ano, até o fim de nossos dias, sem esperanças, caminhando feitos zumbis para a morte que há de nos redimir. Uns indo a igrejas acender velas e orar, outros, como eu e uma meia dúzia que conheço, comparecendo religiosamente às lotéricas a comprar aquele bilhetinho que nos alforriará. Mas não vamos nos ater às misérias da vida, hoje não, amanhã é feriado,chuvoso, concordo, mas é um feriado que nos permitirá dormir até mais tarde, curtir a família, visitar amigos...
Por hoje é só.
Em tempo, Feliz Aniversário Maria José.
 
posted by Alexandre Costa at 1:39 PM ¤ Permalink ¤ 0 comments
A Metáfora do Homem
Lá fora a chuva que caía lavava os seus pecados.
Debaixo dos seus pés molhados o chão áspero e duro lembrava perfeitamente a sua própria condição. A loucura, parceira diária, teimava em lhe visitar todos os dias colocando à prova sua sanidade. Mas ele não desistia.
Porque seus olhos podiam ver mais que a simples chuva.
Seu corpo podia sentir mais que a cor da solidão.
E suas convicções podiam alcançar mais que o simples desejo de fugir daquele lugar.
Assim, a vida lhe mantinha vivo para que pudesse domá-lo, provocava e curava com a mesma rapidez.
Se o paraíso existia, tinha-lhe fechado as portas. Se seu “deus” pudesse recebê-lo, não atenderia suas reivindicações. Então, não havia nada que pudesse devolvê-lo ao mundo e ele se mantinha à margem de todos aqueles homens de “verdade”.
Ele pensou: - “Sou uma sombra, e só uma sombra tem a liberdade que eu tenho. Sou tão livre que nada me atinge. Maldita a liberdade que possuo”.
Foi assim então, que o homem desejou não ser livre. Criou deuses, ídolos, ícones e mitos, desejos e a falta deles. Hoje curte com desmedida paixão seu cárcere espiritual.

ALEXANDRE COSTA
 
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Segunda-feira, Setembro 05, 2005
Aquilo que nos parece único
Na verdade são dois.
Aquilo que nos provoca
Na verdade quer perguntar.
Aquilo que nos distrai
Na verdade quer se mostrar.
Aquilo que se esconde
Na verdade não está lá,
Mas nunca deixou de existir.

Na verdade, as palavras não dizem nada
diante de uma imagem.

Imagem: Alexandre Costa
 
posted by Alexandre Costa at 3:19 PM ¤ Permalink ¤ 5 comments
Dúvidas
Auto-ajuda Ajuda?
Pronto-socorro Socorre?
O que ocorre ?
Leio livros
Estudo filósofos
Vejo o meu horóscopo
Consulto as cabalas
Ouço as ciganas
Jogo na loto
Na mega-sena
Onde estará a minha sorte?

ROBERTO PRADO
 
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REVISTA CAROS AMIGOS - clique aqui para ler!
 
posted by Alexandre Costa at 2:02 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
A estranhesa do estrangeiro - Aos brasileiros que venceram no exterior.


Aqui
Fora da minha morada
Longe das minhas raízes
E do cheiro da minha terra
Espalho a semente
Dos meus desejos e sonhos.
Aqui
Tomo em meu peito o que antes
Não havia se formado
Trago uma nova visão
Para a mesma imagem
Coloco minha marca indelével
Neste lugar que agora é meu
E de todos.

ALEXANDRE COSTA

 
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Profissão de Fé
Tantos contos
Tão poucos cultos
Outros tantos estultos
Estúpidos.
Gastamos tempo
Saber
Conhecimento.
Incomodamos
Os néscios
Perturbamos os iletrados
Damos vertigens aos rasos de saber
Sufocamos os que vivem na aérea ignorância
Seguimos em frente
Altaneiros
Cheios de nós mesmos
Enfastiados com o resto
Sim ainda não nos bastamos.
_Questão de tempo!
Gritamos do alto de nossos pedestais.
Somos egocêntricos?
Somos antipáticos?
Somos arrogantes?
Ora! De que vale vossa opinião?
_Vão ver televisão!
Gritamos, outra vez, do alto de nossa auto-suficiência.
Damos a vocês a chance do saber.
Dividimos com vocês a luz do nosso saber...­­
_Prá que?
Nos sobra saber!
Altaneiros, de peito cheio
Seguimos de cabeça erguida
Olhamos à frente
Pensamos primeiro
Vestimos o branco
Temos a toga
Carregamos com orgulho a tocha
Somos filhos de Prometeu
Tudo a ser dito já foi
Quantos a vocês...
Passem muito bem!

ROBERTO PRADO
 
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CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O MAPA DE VISITANTES DO BLOG
 
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Sexta-feira, Setembro 02, 2005
Enquanto ela segue em frente
No balanço
Pendular
Do ir e
Vir
De lá
Prá cá
Graciosa
Macia
Deliciosa
Branca
Alva
Clara
Discreta e
Secreta
Ela para
Anda
Senta
Levanta
Segue balançando
Rebolando!

ROBERTO PRADO
 
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Quero lhe falar dessa boca,
Dessa fala de tantas certezas,
Dessa maneira como explicita
A verdade.
Menos dita,
Mas muito falada.

Quero romper todo o silêncio,
Dessa língua e do veneno,
Da trincheira engasgada
De saliva.

Desta vez nem a forma,
Nem o modo,
Nem o aroma,
De tantas palavras
Ditas e não-ditas,
Arrancarão a verdade
Dessa boca encarniçada.

Sou menos boca,
Mais ouvidos.
Sou fechado,
Quando você é aberta.

ALEXANDRE COSTA

 
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NGC6744

Imagem: UOL
Imagem feita por telescópio sul-africano mostra a galáxia NGC6744, muito parecida com a Via Láctea. A NCG6744 fica a 30 milhões de anos-luz da Terra.
Incrível a semelhança desta galáxia com a nossa.
Olhando para ela, não há como não especular, e até, arriscar afirmar que pode haver vida por lá, inteligente mesmo.
Todas esses estrelas e o núcleo; alguém que só visse a imagem e não lê-se o texto imaginaria que seria a nossa galáxia.
Abaixo, coloco a integra da reportagem do UOL


26/07/2005 - 15h08Descoberta galáxia similar à Via Láctea
Madri, 26 jul (EFE).- Uma nova galáxia com características similares às da Via Láctea, com um disco azul formado por estrelas jovens, foi descoberta por uma equipe de cientistas da Instituição Carnegie de Washington.Um dos membros da pesquisa, o espanhol Armando Gil, declarou à EFE que as novas observações do satélite Galex da Nasa permitiram observar em uma galáxia distante a presença de "um grande número de braços espirais" parecidos aos que a Via Láctea possui.Gil afirmou que a importância da descoberta, publicada no último número da revista Astrophysical Journal, reside no fato de que a nova galáxia "facilita enormemente o estudo da Via Láctea".Segundo o astrofísico, o disco desta nova galáxia, formada há cerca de 10 bilhões de anos, tinha passado despercebido até agora nas observações de categoria visível devido à intensidade de sua cor azul.Quando o disco se fez visível na categoria ultravioleta, os cientistas apreciaram nele a presença de estrelas "muito quentes e jovens", com menos de um bilhão de anos de idade, que emitem sua luz principalmente em ultravioleta.Armando Gil acrescentou que se trata de um dado curioso, uma vez que as estrelas da Via Láctea "podem ser até dez vezes mais velhas".
 
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Quinta-feira, Setembro 01, 2005

 
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posted by Alexandre Costa at 2:11 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Sou Babaca
Sou babaca
Sou bundão
Analfabeto de nascença
Ignorante por opção

Nunca lí um livro
Nem nada com letra
Ouço rap
Curto funk

Picho parede
Grito feito primata

Sou babaca
Sou bundão
Analfabeto de nascença
Ignorante por opção

Meu pai rala o dia inteiro
Minha mãe tá no fogão
Acham que tô escola
Mas tô na rua c’os “irmão”

Visto calça
Mas mostro a cueca
Pego a cachorra
E vou pro malho

Sabe porquê?

Sou babaca
Sou bundão
Analfabeto de nascença
Ignorante por opção

Meu futuro?
Overdose ou
Tiro certo

Sabe porque?

Sou babaca
Sou bundão
Analfabeto de nascença
Ignorante por opção

Sou esperto
Sou o bicho
Sou sacana
Eu sou um lixo

Sou babaca
Excluído
Já não sou ser humano!

Mas você sabe porque
Sou babaca
Sou bundão
Analfabeto de nascença
Ignorante por opção

Saio com matilha
Azaro tudo pela frente
Sou uma praga
Sou inútil por prazer

Mas a verdade é uma só:

Sou babaca
Sou bundão
Analfabeto de nascença
Ignorante por opção

Tá ligado?

Sai da frente!

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 1:40 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Café Café Café

Se tem uma coisa que eu adoro é café, e não poderia deixar de indicar aqui umas receitas deste líquido maravilhoso. Para aqueles que gostam, carpe dien!



Imagem: Topwalls.com
 
posted by Alexandre Costa at 9:00 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments