Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Faca amolada - epílogo
Uma luz incrivelmente forte tomou conta do lugar, ele caiu com uma forte dor no peito. Abriu o olhos e estava novamente no chão da cozinha... levantou-se, olhou para suas mãos encharcadas de sangue e gritou, depois olhou o chão e a faca amolada caída a seus pés. Caiu novamente de joelhos no chão da cozinha, as mãos sujas de sangue apertando-lhe os olhos. Um pensamento martelou em sua cabeça: eu a matei!
O revolver com uma única bala ainda estava em cima do corpo dela, o tambor aberto... ele não achou outra bala para ele... correu até a cozinha e pegou uma faca, cravou-a no próprio peito duas vezes...não sentiu dor alguma...há muito ele já estava morto!

fim

ALEXANDRE COSTA
 
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Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Nova crônica do Centro de Santos
Hoje fui ver antigos monumentos, velhos casarões, velhas histórias, antigas riquezas.
As sempre eternas misérias que no cercam, o tempo ajudou, estando nublado, prometendo chuva. Criou o clima perfeito cercado de flanelinhas, mendigos e outros tipos não menos suspeitos (e às vezes perigosos. Por que não?) Estou gostando desse trabalho, já que não gosto do que faço no trabalho "oficial". Acho que por hoje é só isso, amanhã vou procurar mais o que fotografar, se eu criar coragem, vou começar uma série de fotos das "meninas" que ficam aqui pelas redondezas. Não prometo nada, mas que seria uma série, no mínimo interessante, seria, vocês não acham?
Até amanhã, e espero que chova, fotos de dias chuvosos são o meu forte.

Fotos- escadarias fundação casas antigas
 
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Feito o céu que se abre
A nuvem que se deita
Teu colo me parece
Feito do mais puro desejo
Da mais clara convicção
De que tudo faz parte
Daquilo que costumamos chamar
De incompreensível.

ALEXANDRE COSTA
 
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"A incrível história irreal de um fato verdadeiro- IX"
Era uma vez, há muito tempo atrás, longe de qualquer lembrança, caída no esquecimento, perto do abismo, uma pedra. Lutava contra ventos fortes e a chuva que castigava a borda daquele penhasco. Suas companheiras não tiveram a mesma sorte que ela e conheceram primeiro o duro destino da queda livre. Pouca vegetação restava agora para segurá-la ali. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde o seu fim chegaria. Decidiu então que nos últimos dias de vida procuraria se redimir de todos os pecados que cometeu e dos erros que lhe atormentavam os sonhos. Escreveu uma carta de adeus na esperança de que algum pássaro desavisado passasse por ali em ritmo de descanso e lê-se sua triste história. E finalmente o dia chegou. Ventos fortes e a implacável chuva castigavam a borda do penhasco. Ela sentiu-se como se fosse arrancada de suas entranhas, tentou se segurar, mas não havia nada a não ser poeira e lama. Que deus cruel esse que pune sem julgamento, pensou ela. O que ninguém sabia é que era de uma família de metais nobres. Seus familiares faziam parte de uma importante pesquisa geomorfológica, mas ela, teve seu fim completamente só, sem nem ao menos um cacto para amortecer sua queda.

ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Faca amolada - cap 6
- Sim. Você me matou! Mas por que?
- Eu não queria! Eu a amava muito.
- Eu sei!
- A sua beleza e ternura, a sua benevolência, o seu caráter. Eu não suportei. Eu era pequeno demais para você!
- Mas eu ainda te amo.
- Não faça isso comigo, não me perdoe por favor!
- Mas, por que?
- Onde está seu ódio, seu rancor? Eu não mereço seu amor nem seu perdão. Por que você não me odeia? Por que?
- Eu não sei fazer isso. Você sempre foi uma boa pessoa. Não havia motivo para tudo isso.
- Eu te matei porque eu te amava demais. Porque não conseguiria viver ao seu lado sem poder ser eu mesmo também. Te matei porque ninguém seria capaz de dar o amor que você merece. Não seria uma vida digna se não pudessem lhe dar o que você dá. Eu poupei você do sofrimento que seria toda a sua vida.
- Isso não é verdade... eu era feliz. Mas agora estamos juntos novamente para sempre.
- Não é verdade! Por que você diz isso?
- Porque agora nós estamos do mesmo lado.

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
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"A incrível história irreal de um fato verdadeiro- VIII"
Acordou.
Pegou o chuveiro ao lado da cama e encheu um copo de água quente.
Tomou seu café ali mesmo e pagou a conta para o garçom que esperava em pé a sua frente.
Não disse nada, nem bom dia e já estava de mau humor com os amigos do escritório brincando de ciranda no meio da cozinha.
Resolveu então voltar para o quarto e ali mesmo fez seu bacon com ovos.
O cachorro não parava de latir, deitado na gaiola pendurada dentro do guarda roupa.
Ele pensou: Que dia hein?!?
Olhou pela janela e a chuva lá fora não afinava.
Foi então que decidiu colocar o pijama e sair.
Ao chegar no escritório, deu um beijo na esposa e nos filhos e deitou-se para dormir, finalmente em paz.

ALEXANDRE COSTA
 
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Ainda sobre andar nessas ruas
Segui pelas ruas após o almoço
(muita verdura e alguns cani)
Caminhei feito uma camelo para emagrecer
(a canícula me fazia pensar em arábias e outros desertos)
As sombras das marquises estavam muito disputadas e a velhinhas
(que deveriam estar em casa)
Nos agrediam com suas sombrinhas
Aproveitei para tirar umas fotos do Centro Velho
(hoje caduco e decadente)
Procurei outra vez por caras conhecidas
Mas parece que estive fora daqui por muito, muito tempo
Sou um estranho entre estranhos.
Temo não agüentar muito tempo essa rotina
Dia após dia fazendo a mesma coisa...
Sei não!
Sei não!

ROBERTO PRADO

VEJA OUTRAS FOTOS DO CENTRO DE SANTOS

ESTAÇÃO TREM SANTOS-JUNDIAÍ

BOLSA OFICIAL DO CAFÉ

RUA DO COMÉRCIO

RUA DO COMÉRCIO - IGREJA DO VALONGO AO FUNDO

IGREJA DO VALONGO
 
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Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Já dizia NIETZSCHE: "Quando olhamos muito para o abismo, ele também olha para nós."
Será que isso também se aplica ao térreo quando olho aqui do terceiro andar???
 
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Ao acaso
Ele adorava o acaso, saía todos os dias para andar e esperava fervorosamente que algo acontecesse. Cada passo era meticulosamente analisado para que nada pudesse interferir no processo. Sim, o acaso era um processo muito bem elaborado por deuses malignos e benignos. Assim era sua vida e assim ela se transformava a cada novo dia. Mas, por mais que ele contribuísse para tal acontecimento, nada! Decidiu que deveria desistir de tudo...e isso aconteceu por puro acaso!

ALEXANDRE COSTA
 
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Faca amolada - cap 5
Muito tempo se passou antes que ele voltasse a si. Debruçado sobre a mesa ele acorda com um susto. Aquele sonho parecia real demais. Levantou-se e a cozinha não parava de girar, sentou-se novamente, e esperaria até que pudesse caminhar normalmente... Nada fazia sentido para ele, o sangue, a lembrança do amor perdido, o lugar onde estava. Decidiu sair dali e procurar alguém..., Mas quem? – pensou. Ele descobre agora que não tem ninguém. Ele força a porta do prédio que dá para a rua mas não consegue abri-la. Bate com força, chuta, e nada acontece. Estava preso ali...
Ele senta-se na escadaria, talvez esperando que alguém de fora abra a porta e ele consiga sair... horas e horas e nada acontece. Ele então, deseja ter de volta o amor que perdeu... A porta da rua se abre, uma luz muito forte vinda lá de fora não o deixa ver quem entrou. Ele corre em direção à saída do prédio, a porta se fecha rapidamente e ele não consegue segurá-la. Vira-se para aquela pessoa que entrou naquele instante e toma um susto. Lá estava ela novamente, muito mais bela agora e sem nenhum ferimento. Ele grita: VOCÊ ESTÀ MORTA!

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
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Sexta-feira, Novembro 11, 2005
Responda a Pesquisa
 
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O inferno é pegar um engarrafamento na Av. Nossa Senhora de Fátima, com sol na cabeça, e ouvindo "O Melhor de Ray Conniff" pensem nisso!

ROBERTO PRADO
 
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Que só eu que podia
Te ver assim tão nua.
Te tocar como se fosse o ar
Pra perceber teu calor.
E nem que tuas linguas
Ouvissem meu coração gritar
Ou que teus olhos
Pudessem me dizer.
Mas que só eu que podia
Assim tão sem sentido
abraçar tuas mãos
E não me sentir perdido.

ALEXANDRE COSTA
 
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Faca amolada - cap 4
Deitado naquela cama imunda e com uma ferida aberta em seu peito ele a olhava com espanto e com tristeza, era como se pedisse ajuda e perdão ao mesmo tempo. Ele percebeu que não conseguia falar e ela também não lhe dirigia a palavra, apenas ficava ali, sentada na beirada da cama olhando-o fixamente. Ele tentou gritar, mas só ouviu seu pensamento. Pediu perdão, mas ela não podia ouvi-lo agora. Tentou se levantar, mas a dor em seu peito era muito grande e ele caiu novamente no colchão sujo e rasgado. Naquele momento ela parecia serena com um sorriso calmo e sem sofrimento. Ela virou então para ele, seria a primeira vez que voltaria a olhá-la depois de rasgar a foto...
Ela agora olhava fixamente para ele... Ele então gritou mais uma vez, como se fosse a primeira e a última vez que gritaria... encolheu-se na cama e um olhar apavorado tomou conta de seu ser. Ela sorria para ele um sorriso lindo, convidativo, seus olhos verdes brilhavam como nunca brilharam antes, seu rosto estava radiante, seus cabelos negros e macios deitavam em seu ombro suavemente, na lateral esquerda de sua cabeça, acima do zigoma, um buraco, de onde saía suas entranhas e misturava-se com o sangue ressecado. Então ela lhe disse: - Agora eu estou aqui, ao seu lado para sempre, como você sempre desejou!

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
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O Batman
Passos no telhado.
Barulho.
Uma telha caiu. Outra.
A família acorda assustada. O pai com uma pá de lixo na mão, a outra mão com uma vassoura.
Mais barulho, agora nos fundos da casa. O gato grita – pisaram em sua cauda.
Todos correm para ver o que é.
É o bat-doidinho vestido com a capa de chuva de sua tia-avó, Dona Dedé.
__Assim não dá – diz o pai, exausto.
O bat-doidinho some na noite.

ROBERTO PRADO
 
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Quinta-feira, Novembro 10, 2005
Experiências extra-literárias II
Nosso amigo Roberto Prado mudou de endereço. Trabalha agora em Santos. Veja aqui as fotos de seu novo escritório.

Escritório

Janela
 
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Pequena crônica
Hoje eu rodei pelo centro
Coisa que não fazia há muito tempo
Revi os prédios
As ruas feias
As putas tristes
Tudo igual
Às vezes pior
Tudo acabado
Tudo alquebrado
E as putas mais velhas
Ou estou ficando mais velho
Ou muito mais exigente.

ROBERTO PRADO
 
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Ler
Pegando uma carona no que o Blogodita disse sobre ler, lá no "Abre Aspas", coloco aqui a minha contribuição para o tema.

Ler é:
Ganhar tempo
Perder tempo
Viajar
Retirar-se deste mundo
Ouvir melhor
Falar melhor
Chorar e rir
Amar e odiar
Aprender
Perder preconceitos
Ganhar um amigo
Um momento íntimo ou compartilhado
Um momento de reflexão
Um nirvana pessoal

Ler é deitar-se num colo macio de uma mãe divina à sombra de uma árvore no meio do paraíso.

ALEXANDRE COSTA
 
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Faca amolada - cap 3
Jogou a garrafa com raiva contra a parede e pegou o retrato do chão. A mulher na foto olhava diretamente em seus olhos, um olhar triste, cansado, perdido. Apertou-a contra seu rosto e a beijou, queria que fosse tudo diferente, mas ele não podia mais voltar atrás...então, chorou diante dela deixando-se cair em cima da cama suja e fedorenta daquele quarto. Aos poucos o álcool que havia consumido naquele dia foi entorpecendo seu corpo e ele perdeu os sentidos...na cama, assim como estava ficou por horas e horas...
Amanheceu e uma quase insuportável dor tomava conta de todo seu corpo, sua cabeça estava a ponto de explodir. Na mão o retrato do passado perdido, na lembrança o amor que não volta. Ele olhou mais uma vez para ela antes de rasgar a fotografia, depois caminhou até a porta da cozinha. A comida em cima da mesa era seu único alimento agora... e a faca ainda no chão o assustou mais uma vez. Olhou suas mãos novamente e viu mais sangue agora, gritou mais uma vez e colocou a mão no abdome...sentiu a dor dilacerando-o e caiu de joelhos mais uma vez no chão. Em posição fetal, ele gemia de dor... então, viu a mulher da foto estender a mão para levantá-lo.

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
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Doidinho e sua tia-avó
Estava Dona Dedé, tia-avó de doidinho, sentadinha numa poltrona, tricotando, quando vê passar na janela, em direção vertical, (de cima para baixo), doidinho.
Ele saltara do primeiro andar do sobradão da família.
Dona Dedé desmaia sobre as agulhas de tricô, mas antes, grita:
__Ai doidinho.
A família, desesperada não sabe a quem socorrer primeiro, se Dona Dedé, já nonagenária, ou doidinho, que dava vôos rasantes no quintal, seguido por um bando de pardais barulhentos.

ROBERTO PRADO
 
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Quarta-feira, Novembro 09, 2005
Ao cair da noite...II
Toda transformação o revigorava. Todas as noites de lua cheia ele se transformava. Ao cair da noite ele deixava de ser ele mesmo, não podia evitar, era uma maldição ou qualquer outra coisa que você queira acreditar. Parava em frente ao espelho e tornava-se outra pessoa, outra personalidade. Na manhã seguinte o esquecimento, nada nem ninguém para contar seu imaculado segredo.
Os dias se passaram e mais uma lua chegou.
Foi para frente do espelho em em minutos não era mais ele.
Agora era Penélope a Drag Queen!

ALEXANDRE COSTA
 
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Dúvida certeira - II
Parou em frente ao espelho, olhou e olhou. Qual a cor escolheria?
Gostava de pink, mas gostava de cereja também, gostava de vermelho fogo e gostava de azul bebê. Que dúvida!
Pensou então que a ocasião era muito importante.
Não teve dúvida: preto para velório!

ALEXANDRE COSTA
 
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Faca amolada - cap 2
Assustado levantou-se e caminhou pelo corredor daquele antigo prédio. Queria se lavar. A construção era muito velha, as escadas de madeira sem manutenção rangiam a cada passo, as paredes esburacadas mostravam o ferro enferrujado e retorcido. Não havia quase iluminação, nem vizinhos também. Era apenas a solidão naquele andar. No centro do corredor, o elevador era apenas uma porta emperrada. O que havia ali, nem a própria memória de 40 anos ousava responder. Por que então ele estaria ali...?
A água enferrujada se misturava com o sangue em suas mãos, o cheiro do banheiro era quase insuportável, mas ali estava ele. Tonto com o acontecido, lembra que foi como se tivesse acordado de um sonho. Não entendia todo aquele sangue nem por que estava naquelas condições. Precisava descobrir o que aconteceu. O apartamento era pequeno, muito pequeno e sem banheiro, as paredes velhas e quase sem pinturas, os móveis de uma madeira vagabunda e quebrada. Ele olhou para a cama e viu a foto de uma mulher no criado mudo, apoiado em uma garrafa de pinga. Jogou a foto e pegou a garrafa, um grande gole e uma grande careta... a bebida queimava por dentro, desde sua garganta até o estômago, mas ele não parava... Outro gole então...!

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
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- Siga por este caminho. Disse o mestre.
- Onde ele vai me levar mestre? Indagou o aprendiz.
- A direção não importa, apenas como você irá construí-lo.
- Mas o caminho já está à minha frente.
- Não, o que existe aqui é uma possibilidade.
 
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"A incrível história irreal de um fato verdadeiro- VII"
O coração batia forte, acelerado, podia sentir dentro de sua cabeça a vibração do músculo. Ele corria sem direção, olhava para trás a cada segundo, mas lá estavam eles sempre perto, cada vez mais perto. Ele saltava de um telhado para o outro, se esquivava, rastejava, pulava, mas não conseguia aumentar a distância. Estava cansado. Nada podia parar seus algozes.
Ele suava, gritava por dentro para não perder a sanidade. Muitas vezes pediu ajuda, mas as pessoas nas janelas não lhe davam atenção. Riam de sua condição.
Seu coração parecia sair de dentro do peito, ele estava a ponto de desistir. Chegou ao fim da linha, não havia mais prédios para onde fugir. Decidiu pular. Pensou que seus carrascos não o seguiriam.
Foi um grande salto. E no meio do caminho entre a vida e a morte ele pensou em si, e pensou que tudo podia ser diferente, desejou voltar atrás e refazer o caminho que o levou a esta situação.
O chão, misteriosamente se aproximava muito devagar, como em câmera lenta. Olhou pra trás e viu todos aqueles olhos famintos observando sua queda. Desejou voltar atrás, mas não podia.
Fechou os olhos ao bater na calçada de concreto. Deu um grande grito antes de aceitar seu destino.
Ouviu alguém lhe dizer:

- Acorde, você está sonhando!

ALEXANDRE COSTA
 
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Terça-feira, Novembro 08, 2005
Faca amolada - cap 1
Olhou para suas mãos encharcadas de sangue e gritou, depois olhou o chão e a faca amolada caída a seus pés. Não viu ferimento nem ferido, girou em volta do calcanhar e em cima da mesa encontrou o jantar. Caiu de joelhos no chão da cozinha, as mãos sujas de sangue apertando-lhe os olhos. Um pensamento martelou em sua cabeça: O QUE ACONTECEU ?

continua...

ALEXANDRE COSTA
 
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Queria assim
De mil maneiras
Te ver.
E duplicado o meu desejo
Tatuar em teu corpo
Mil maneiras de dizer
Um único modo de falar.
Queria assim
Que tudo fosse mais
E que você não pedisse menos
E que tudo fosse múltiplo
Como múltiplo é o meu desejo.
Queria assim
Que tua imagem voltasse breve
Que Morasse para sempre
Entre minhas imagens imaginárias.

ALEXANDRE COSTA
 
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Lua deserta
Irrestrita lua
Absoluta
Navega na noite
Observa no olhar
Aos que nada sabem de ti
Lua inquieta
Metamorfose do céu
Sob o olhar dos amantes solitários
Desaparece no véu
Das nuvens faceiras
Tolas palavras
Em nome da Lua
Que lá em cima flutua
Sem nem saber
Que existo

ALEXANDRE COSTA
 
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Leia minha amiga Sandra Pontes todas as segundas no MIMEOGRAPHO.
 
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"A incrível história irreal de um fato verdadeiro- VI"
No quarto, acima de sua cama, próximo ao teto, flutuando como se não houvesse gravidade, ele.
Abaixo podia ver os tubos, os aparelhos, os médicos e seu corpo coberto até o pescoço com um lençol branco.
Não podia ouvir nada, mas via em seu próprio rosto a dor.
Tentou se aproximar da cama e pegar em sua mão.
Não havia mais nada que pudesse mudar sua situação, mas os médicos não sabiam disso.
Olhou através do vidro da porta do quarto e viu lá no corredor as pessoas de sua família. Seus pais, sua esposa e seus filhos.
Pensou em chamá-los para perto, mas não podiam ouvi-lo. Resolveu então, pela última vez retornar ao seu corpo para dar o último adeus.
Um movimento involuntário de uma das mãos chamou a atenção dos médicos, que imediatamente chamaram enfermeiros e atendentes.
Agora o quarto estava mais cheio que antes.
Um dos auxiliares, o mais sensível pediu para que chamassem alguém da família.
Os médicos se retiraram e pais, esposa e filhos puderam olhá-lo pela última vez.
Ao abrir os olhos, como não havia feito nos últimos dias, ele pode ver a beleza dos rostos amigos, o sorriso dos filhos e as lágrimas ternas de seus pais.
Depois de alguns poucos minutos se foi...

ALEXANDRE COSTA
 
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Sexta-feira, Novembro 04, 2005
UNESCO - Metade dos idiomas podem desaparecer no século XXI
Li esta reportagem do UOL no "Abre Aspas" e achei muito relevante colocá-la aqui.
 
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Arthur Schopenhauer (1788-1860), escreveu: "A alegria e a despreocupação de nossa juventude deve-se, em parte, ao fato de estarmos subindo a montanha da vida e não vermos a morte que nos aguarda do outro lado".

Schopenhauer reservou-nos sábias palavras: "A sólida base de nossa visão de mundo e também o grau de sua profundidade são fornecidos na infância. Essa visão é depois elaborada e aperfeiçoada, mas, na essência, não se altera".
 
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Muita gente acha que bom mesmo é o melhor, eu já acho que melhor mesmo é o que é bom.
 
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Coletânea Roberto Prado - II
O Novo

O estranhamento que nos causam as mudanças
Nos deixam de cabelo em pé
De pernas bambas
Mãos trêmulas
A cabeça com mil minhocas
O olhos apreensivos
Os ouvidos atentos
As novidades nos assustam
Dizem os otimistas que tudo muda para melhor
Eu retruco:
__Para pior, para pior!
Não sei o que me espera pela frente
Mas sei o que deixo para trás
Contabilizo o prejuízo
Não antevejo nenhum lucro
Positivamente o novo nem sempre é bom para mim.

Angústia

Ah! A angústia do não–saber...
Desconhecer o porvir
A venda negra que nos impede de vislumbrar o futuro
O medo a medir os nossos passos
A certeza do perigo
A incerteza da fuga
O tropeço, a queda, o fim
 
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Coletânea Roberto Prado (Minicontos)
Aquela mocinha simpática
Era sempre risonha, simpática, mas não era muito dada não, aliás, diziam, era cara pra diabo.
Os pobres meninos das redondezas, viviam de olhos fundos, meio corcundas, alguns, diziam as mães preocupadas, quase tuberculosos.
E ela passava todas as tardes, com a sua saia justinha, aquele sorriso perfeito, aquelas pernas torneadas, naqueles saltos altíssimos...
Os meninos babando corriam para casa.

Mais outra do Doidinho
Doidinho estava quieto demais.
A mãe foi ver.
Voltou correndo, os olhos cheios de lágrimas, mãos tremendo, pernas bambas, quebrou um salto do sapato enquanto gritava.
__Doidinho morreu, doidinho morreu!
Todos acorreram ao banheiro. Lá estava ele no fundo da banheira. Olhos arregalados.
Gritos, ais, lamentos, ranger de dentes.
De repente Doidinho sai da água e diz.
__Muito chato ser peixe.
Sai correndo para a rua.
 
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Quinta-feira, Novembro 03, 2005
"A incrível história irreal de um fato verdadeiro- V"
Chegou.
Acendeu a vela em cima da mesa.
Olhou ao redor procurando por ela.
Tateou em todos os cantos escuros.
Para ele era uma questão de honra. Há dias ela havia desaparecido.
Não perguntou-se sobre seu próprio descuido ou nem se lembrou que poderia ter esquecido de algo.
Todos os dias era assim, a mesma ladainha, os mesmos passos.
O que havia agora dentro de si era uma incrível vontade de se punir. Não devia deixar acontecer novamente aquilo com ele.
Procurou e procurou.
Um dia encontrou.
Ela estava ao seu lado na cama, entre as páginas do livro de dormir.
Suspirou aliviado e pensou:

- Amanhã mesmo pago essa conta da luz!
 
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Assim
O teu brilho
De caso com o meu
Levou do coração
Nossas manias
Venceu
Dos anos que vieram
Cada curva demasiada
Juntou Corpos
Multiplicou

ALEXANDRE COSTA
 
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Coisas de detetives
Qual um Sherlock, um sabujo treinado em artes de detetives, seguimos as pegadas, por quilômetros e quilômetros, e qual não foi a nossa surpresa!
O culpado era o sapato!

ROBERTO PRADO
 
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O fantasma
O que parecia fantasma
Era uma camisola fugindo do guarda-roupa.
Branca, esfiapada e pálida
Pé ante pé (?), pelos corredores da casa ela seguiu
Mas não esperava, oh! que a negra a visse,
Gritasse
E desmaiasse.
Agora presa num gavetão, terá mais tempo para planejar outra fuga.
O verão ainda estava longe.

ROBERTO PRADO
 
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Terça-feira, Novembro 01, 2005
Chuva
Sigo molhado
E indignado
Debaixo desse aguaceiro
Que Deus manda.
Sem guarda-chuva
Sem chapéu
Nem uma única marquise para me proteger.
As poças d’água
Insistem em avançar em minhas pernas
Molhar meus sapatos
encharcar minhas meias e deixar frieiras em meu pés
As velhinhas ameaçam meus olhos com suas sobrinhas homicidas
As crianças correm feito crente em dias de apocalipses
O céu permanece negro
Os urubus (coitados) já baixaram suas asas e se conformam
Com o novo dilúvio que se apresenta.
Minhas mãos já estão enrugadas
A roupa grudada
E uma gripe, insidiosa, se aproxima.

ROBERTO PRADO
 
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Doidinho e o Auau
Ia o doidinho andando pela rua feliz da vida com seu cachorro, que no seu limitadíssimo vocabulário, ele chamava carinhosamente de auau.
Auau pra lá, Auau pra cá.
De repente um gato passa à sua frente e ele grita:
__ Pega Auau, pega!
E o cachorro ali, parado.
__ Pega Auau, pega!
Passa a velha solteirona que grita nauseada:
__ Larga esse cachorro morto menino porco!

ROBERTO PRADO
 
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"O livro entre aspas"
"Os livros constituem um mundo melhor dentro do mundo."
ADAM SMITH

"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria."
CLARICE LISPECTOR

"Poesia não é para compreender, mas para incorporar."
MANOEL DE BARROS
 
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