Quando ele chegou ela já o esperava no portão.
Ao pegar a carta, já com as mãos suadas e trêmulas ela o olhou fixamente.
Ele imediatamente pensou:
- O que será que diz esta carta, para ela ficar tão alterada? É daqui mesmo. Por que elas não se falam por telefone?
E era assim todas às vezes que recebia a carta da amiga que morava na mesma cidade.
Uma vez por semana ele passava no mesmo endereço, entregava sempre a carta da mesma pessoa, e ela sempre o recebia da mesma maneira.
O tempo passava e agora eram duas cartas por semana.
A cada visita do carteiro a mesma reação. Ele pensava:
- Puxa, pena que não posso abrir a carta para saber o conteúdo da conversa. Ela está sempre trêmula e com as mãos suadas. Por quê?
O tempo passou e passou.
Então naquela tarde o carteiro chegou.
- Quem é você? Perguntou ela com uma forte decepção na voz.
- Eu sou o João!
- E o outro carteiro?
- Foi remanejado!
Dito isso, entregou a carta e se foi.
Ela virou-se, abriu o envelope. Lá dentro uma folha de papel em branco.
Era só um disfarce muito bem bolado de um coração apaixonado.
ALEXANDRE COSTA