Sexta-feira, Abril 28, 2006
Concepção Artística da Mulher - IX


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O que você diria?
O que você diria
Se eu te dissesse o que sei
O que você diria?
Doces palavras
Podem dizer verdades e mentiras

O que você diria
Se eu te dissesse o que sei
O que você diria?
Doces palavras
Podem fazer você acreditar (ficar ou fugir)
Mas tudo o que sei
Se eu te dissesse um dia
Faria você ficar mais um pouco?

Para ouvir doces palavras
Nada mais importaria.
O que você me diz?

ALEXANDRE COSTA
 
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Ironia
Sentado à minha mesa
Olhando a janela
Vejo navios indo
e
vindo
.
.
.
E eu continuo
Plantado aqui
Vendo a vida passar
(literalmente)
Na minha frente.
O navios seguem
Mar à dentro
Sumindo no horizonte
Indo a outras terras
E eu pegando
O mesmo ônibus
Todos os dias
Todos os dias
Todos os dias
Todos os dias

ROBERTO PRADO
 
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A Revolda de Amélia
E então de repente
Não mais que de repente
Cadeiras voaram
Seguidas de trouxas de roupas para lavar
Passar, engomar e pregar botões
E vai ferro de passar, louças e talheres
Fraudas voando feito pipas
E para espanto dos passantes
O tanque, a lavadora e o berço do bebê
Como um raio corre pelas ruas
Um homem assustado, apavorado, seminu
Nos ares ainda ecoam as palavras de ordens
E palavrões da Amélia rebelada...

ROBERTO PRADO
 
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Crítica do mês
No fim de semana passado, semana santa, reuni-me com alguns amigos.
Amigos esses que lêem esse blog, que, quero crer, no momento, vocês também lêem.
Fizeram alguns comentários, comentários esses pertinentes, elogiosos, simpáticos, edificantes, essas coisas que nos enchem o peito de orgulho.
Mas, sim tem um “mas” nessa história.
Imaginem vocês queridos amigos leitores, existe gente nesse mundo que não só gosta de (argh!) Richard Clayderman, como (o mundo acabou de vez) coleciona os petardos que ele (minha vontade é escrever “it”) grava.
Envio a vocês a foto desse mamífero, vejam a cara dele, vejam o perfil (embora ele esteja de frente) de quem ouve esse “it”.
Lamentável!
Somos amigos a muito tempo, e jamais imaginei esse desvio de conduta (minha vontade é dizer “tara”) dele.
Francamente!
Mas a vida continua, mas nunca mais será a mesma, nunca mais....

ROBERTO PRADO
 
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Quinta-feira, Abril 27, 2006
 
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Universos
Resolvi reler "meus escritos" há muito tempo guardados no porão, dividindo lugar com os "ácaros do meu armário". Eram textos antigos, da época adolescente. Abri o caderno, e lá "escritos em letra de forma", minhas lembranças. Foram longos minutos de uma viagem no tempo que me fizeram chorar. E as "lágrimas lavadas" na minha face me renovaram de certa forma. Como é bom e ao mesmo tempo difícil lembrar-se de si mesma e não desejar voltar. Mas a vida é uma "Rua de mão única" que não dá carona nem pára para descansar. Sentada como se fosse aquela adolescente de anos atrás ouvi passos na escada. Minha mãe me perguntava.
- O que é isto minha filha?
- Sou "eu em letras", minha mãe. Poemas e coisinhas que eu escrevia quando era jovem.
- Você está com lágrimas no rosto. Essas lembranças são um teste difícil para você, não?
- "Sim, isto é um teste, Sr!" - respondi, lembrando de uma de minhas crônicas que li naquela hora.
A noite passou rápido enquanto lia todos os cadernos. Lembranças das amigas da escola: da "Pat" e da "KS".
Guardei-os novamente no velho armário do porão e fui me deitar, já quase amanhecendo, esperando que um dia meus Contos se transformem em Cultos, em livro!

ALEXANDRE COSTA
 
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Quarta-feira, Abril 26, 2006
A Lua de Londres
A lua de Londres roubou meu amor. Numa noite de tempestade, destruiu a ponte que nos unia, único caminho direto entre dois corações. A chuva forte castigava nossos corpos, moia nossos ossos e congelava nossa paixão.
Na manhã seguinte o jornal noticiou: “A Lua de Londres fez o vento soprar forte. Os pássaros não voaram, um cão morreu. Um casaco e um paletó foram encontrados rasgados. Um grave acidente aconteceu.”
E assim, desse jeito inusitado, foi informado aos leitores do diário que “A lua de Londres” mais um crime cometeu.
Mas, estranhamente, os corpos não foram enterrados, ao contrário, impregnados de aromas e perfumes. Embalsamados e colocados juntos num abraço terno para a visitação pública.
E, nas noites frias de inverno, os casais se uniam em paixão pelas ruas da velha cidade e visitavam os amantes em seu descanso eterno. Numa procissão silenciosa, levavam nas mãos, velas perfumadas e flores. E esperavam que o pássaro não voasse, que um cão não ladrasse, e os ventos começassem a soprar forte.
Assim, depois que o último fruto caiu da árvore, a Lua de Londres apareceu no céu, trazendo tempestade e chuva, castigando os fiéis e congelando os corações dos apaixonados. Na manhã seguinte o jornal noticiava: “Um cão matou uma lebre, o sol não aqueceu a Terra naquela noite. E os fiéis maravilhados, diziam surpresos: - Ontem choveu muito.”
Esta é a lenda da Lua da Rua Londres, que em noites cheias, trazia uma história nova para o povo contar.

ALEXANDRE COSTA
 
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O Sol
Discretamente olha para fora.
O sol ainda está lá.
Volta para dentro.
Espera.
Torna a olhar para fora, teimosamente o sol ainda brilha no céu. Pelo jeito brilhará para sempre...
- Maldito sol!
Encolhido num canto espera. Espera impacientemente. Sente vontade de roer alguma coisa, mas com esse maldito sol lá fora...
Anda de um lado para outro, sobe as paredes, mas lá fora ainda brilha o sol.
A fome começa a apertar, somando-se a isso a irritação e o calor do sol.
O sol. A tarde demora a chegar. A noite já se torna um delírio, um sonho distante.
Nunca chegará.
- Na próxima vida quero nascer qualquer coisa, menos barata outra vez!
Importante saber que antes que anoiteça, nos cantos do apartamento um pedaço de comida envenenada, espera pela barata.

ROBERTO PRADO
 
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Drama Relâmpago III
A Última Faixa do LP

Rec rec rec rec - fazia a agulha no final do disco de vinil – rec rec rec – isso continuaria por toda a noite, até o raiar do dia.
Nenhum dos dois, envolvidos em caricias e carinhos sem fim, abraçados, enrolados, colados, presos a beijos e mais beijos, ouviam mais nada.
Rec rec rec – a agulha acabaria ali mesmo nessa noite, sem dó nem piedade ela se desfaria em rec rec rec...
Cada amor tem o fundo musical que merece.
Fim.

ROBERTO PRADO
 
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PREPARE-SE!
Em breve algo vai mudar.
 
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Concepção Artística da Mulher - VIII
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Terça-feira, Abril 25, 2006

 
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O dia está tão lindo, que até dá vontade de ser feliz!

ROBERTO PRADO
 
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ENSAIO SOBRE UM CONTO SEM SENTIDO
As marcas que ficaram em mim depois de tantos desencantos, imunizaram minha alma. Já não existia mais um único vestígio de amor e compaixão que pudesse alimentar meu espírito com novas esperanças. Ela havia desistido de mim várias vezes, e não seriam as últimas. Sim, parecia que uma possível volta aconteceria, mas apenas para alimentar o motivo de uma nova separação. Isso não era vida!
Depois de tantas decepções – e algumas já previstas antecipadamente –, a única saída agora era desistir daquela relação.
O céu estava claro naquela tarde – não que isso fizesse diferença -, mas era um alento para mim. Um vento frio, mas agradável, soprava em minha face quando decidi descer e andar um pouco pelo calçadão. Pensamentos e mais pensamentos tomavam conta de mim e, por várias vezes, perdi a atenção naquilo que realmente era importante naquela hora. Voltei várias vezes ao início, tentando não perder o fio da vida – que sustentava a minha aparente e estranha existência. Enfim, nada fazia sentido. Eu poderia desistir de tudo e deixar que o anjo da morte me levasse. Poderia lutar também, não desistir, passar por cima de tantas coisas irrelevantes, mas me faltava coragem. Faltava vontade, faltava ela.
Sentei no jardim na grama fofa e molhada, mas não me importei com isso. Afinal, nada mais importava mesmo!
Dei várias voltas com meus pensamentos, passando por todas as alternativas possíveis. Esperando e tentando descobrir uma brecha em meu destino. Minha cabeça explodia, os olhos pesados e o corpo entregue. Por um momento – um infinito momento – quase me entreguei, quase desisti. Mas, parei de repente, e diante de meus olhos, enxerguei a salvação. Tão clara e certa que me espantei. Sorri, chorei.
Olhei para os lados tentando ver se alguém me observava. Ninguém! Gritei e saltei no ar. Estava escrito nas estrelas, nas calçadas e paredes, nas placas de trânsito e na minha testa, piscando em luzes vermelhas. Tive certeza que estava delirando, mas era um delírio delicioso. E lembrei que ontem, quando já não restava um único motivo pra sorrir, uma frase num livro me alertava “Teste Para Saber Se Sua Missão Aqui Na Terra Está Cumprida: SE VOCÊ ESTÁ VIVO, NÃO ESTÁ!”

ALEXANDRE COSTA
 
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Concepção Artística da Mulher - VII
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Oração para um blogueiro
Não fique triste, se não te visitei ontem. Não estava afim!
Não fique triste, por não saber se ontem passei por aí e nem te disse um oi. Não dava tempo.
Não fique triste, achando que não te dou mais atenção. Não estava em casa.
Não fique triste, porque tristeza não tem fim.
Não fique triste, porque, afinal de contas, nunca vai saber se estive por aí. Não comentei nada.
Não fique triste, se descobrir que as visitas estão rareando. Ninguém é unânime.
Agora. Fique triste se não puder dizer o que diz todos os dias, porque essa é a sua paixão, o seu modo, a sua vida.

ALEXANDRE COSTA
 
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Drama relâmpago
Velhinho, octogenário, vem caminhando pela rua, quando uma dessas mocinhas o interpela:
- Ô vovôzinho, o senhor dá conta de tudo isso aqui?
Apoplético e asmático, sacudindo a bengalinha, o velhinho entre uma tossida e outra, xinga a menina.
Afinal, todos à sua volta rindo, se perguntam:
- Ele está bravo porque a menina achou que era muito velho ou impotente?

ROBERTO PADO
 
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Croniqueta
Na rua chuvosa, um vento frio nos obriga, os passantes, a andar rápido, chegar rápido onde quer que seja, desde que seja num lugar seco.
Venho pela rua com a mesma preocupação, quando uma cena me chama a atenção.
De uma porta, chutada, talvez com raiva, desprezo, sei lá, um ramalhete de botões de rosa. Como em câmera lenta, um segundo depois, vejo os pés que a chutaram, logo seguido do corpo de uma mulher, que na porta do hotel em que trabalha, gesticula e xinga, talvez clamando aos céus uma das sete pragas do Egito.
Quem ela xinga?
Não sei, e nem quero.
Fim da história?
Não, não, não...
No chão ramalhete sujo e molhado, largado.
Passa um bêbado, pega, cheira e o leva consigo.
Em estando atento, vemos muitas coisas bizarras nessa terra.

ROBERTO PRADO
 
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Quinta-feira, Abril 20, 2006
 
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Concepção Artística da Mulher - VI
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Coleção Alexandre Costa
Um tempo

O tempo
Que oculta todos os segredos
Varre léguas de saudade e solidão.
Desfaz as desventuras
Marca em nossa pele a sua passagem.
É como o que nasce
Com esperanças demais
Desejos de menos
Anseios pequenos.
E se perde em momentos
Tão curtos e longos
Quanto a inexplicável sensação
De não saber quem se é.

Um olhar

Foi num olhar
De um olhar
Que tudo nasceu.
Nasceu seu gosto por mim
E o meu pelo seu.
Foi sem reparar
Que tudo se mostrou
E o que vimos foi bom
Apesar do que faltou.
E assim
Sem mais palavras
Mas com olhos e boca
Nos conhecemos
E nos despedimos
Todas as manhãs.

ALEXANDRE COSTA
 
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Ode ao inverno
Enfim o frio está chegando. Não há estação mais agradável e sentimental que o inverno. É quando tudo muda, se transforma. O inverno é uma passagem. Devemos estar atentos aos seus sinais. Somos mais solícitos, mais compreensíveis, perdemos menos líquidos, tomamos mais vinho, agendamos mais encontros. No outono o aviso da natureza está dado. Ao cair da noite e das flores e folhas, despedimo-nos de um momento e entramos em outro. Este é para mim o clima ideal para os 365 dias do ano.
Com o rosto colado no vidro da janela, olhamos a chuva forte lá fora, enquanto tomamos nossa xícara de chocolate, esquentamos os pés com meias, e assistimos TV na cama.
Então, daqui pra frente, e pelos próximos meses, um grande brinde ao inverno. Que nos permite mais abraços, mais beijos demorados, mais amor debaixo da coberta, mais pele com pele.
Aproveite!

ALEXANDRE COSTA
 
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Quarta-feira, Abril 19, 2006
 
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Lilia e Anna
Coincidiu dela aparecer justo naquela hora.
E àquela hora não era o momento adequado.
E aquele “erro” jamais seria reparado se não fosse por sua estranha mania de se desculpar com todos e tudo.
Mas ela sabia que apenas havia remediado um futuro nada promissor.
Enfim, padeceu de seus próprios exageros quando decidiu voltar atrás e beijá-la.
Daí começou aquele estranho amor.
Mas, estranho, só para os outros.
Anna e Lilia vivem felizes, apesar das desventuras.
 
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Concepção Artística da Mulher - V

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Cena patética
Cenário: Banheiro cheio de vapor.
Mulher sai do banho, nua.
Pega a toalha e começa a enxugar-se lentamente.
Passa a mão no espelho para limpar o vapor e deixa a toalha cair no chão.
Mira-se no espelho, vê um cravo.
Aproxima-se um pouco mais no intuito de espremê-lo.
Olha-se profundamente no reflexo, apóia a mão no lavatório.
Soluça e começa a chorar.
- Onde eu errei meu Deus, onde?

ROBERTO PRADO
 
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O que conta Dona Dedé para doidinho dormir?
Alta noite.Gritos, muitos gritos.
Gritos histéricos e dolorosos que balançavam os quadros dos antepassados de Dona Dedé, vetustos homens de vastos bigodes, coletes de veludo e olhares severos.
Em sua alcova de viúva, a velha Dedé ri e esfrega as mãozinhas encarquilhadas, que encontram eco na dentadura de sorriso úmido dentro do copo d’água.
Era Doidinho, tendo outro de seus freqüentes pesadelos, causados pelas histórias de terror que a velha senhora conta para ele, antes de adormecer.
A dessa noite falava alguma coisa sobre os castigos aplicados às crianças mal-criadas de seu tempo.
Doidinho chorava de tremer.
A mãe, dando colinho e carinhos, diz que tudo é besteira, disparate da velha gagá...
Quando o garoto já estava quase tranqüilo, uma voz cavernosa atravessa a parede e diz:
- Bobagens nada. É tudo verdade! Eu mesma já capei muita criança!
Doidinho volta a chorar, sendo acompanhado pelas lamúrias lacrimosas de sua mãe.
- Eu sei a quem esse moleque puxou, agora eu sei...

ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Abril 17, 2006
CRÔNICA SEM SENTIDO ou (Ensaio sobre o tempo)
Enquanto estamos atrás de janelas, persianas verticais, mesas de escritório; alheios aos acontecimentos que constroem nossa realidade, algo lá fora se move independente de nossa vontade, em completo silêncio, e sob nosso consentimento. Vivemos sob a ignorância de nossas crenças e mitos. Acreditamos que algo vai mudar quando prometemos mudar o que nos faz ser o que somos, pelo simples fato da terra contornar o sol. Acreditamos que nossos pecados serão perdoados e que nossa existência não fará mais sentido se nos descobrirmos mais um no universo ao contrário de os 'únicos'.
Enquanto olhamos para nossos umbigos, nus ou adornados com piercings, algo dentro de nós se move em silêncio, completamente livre de nossos sentidos. Sem percebermos estamos sendo consumidos. Assim, perdemos a melhor parte de nós pelo fato de que algo que acreditamos estar 'fora' de nós, na realidade é o que nos compõe.
Enquanto escrevo esta crônica; enquanto você a lê, ele não se distrai e continua a subtrair algo que o deixa cada vez mais vitorioso.
Então, tudo o que nos move sem que tomemos conta disso: é o tempo.

ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Abril 13, 2006
Concepção Artística da Mulher - IV
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Seguindo (ainda) pelas ruas
Lá estava eu andando pelas ruas do centro, em minha hora de almoço.
Quarta-feira, dia de feijoada, não escapei ao lugar-comum, e aproveitei para me atracar com o famigerado torresminho (ai ai ai)...
Enfastiado, saí a andar pelas ruas sem muito rumo (como se fosse fazer alguma diferença ter rumo no centro dessa cidade), para queimar as calorias que desse desvario alimentício.
Gosto de andar olhando para todos os lados, para cima, para baixo, uma vitrine, uma estátua. Às vezes as pessoas à minha volta devem pensar que sou neurótico ou psicótico, porque do nada paro e olho para atrás, imaginando o que posso estar perdendo.
Mas o que faz mesmo o meu gosto é olhar para as... putas!
(Espero que o Alexandre não me censure)
Olho para as suas poses, suas roupas, as cantadas bestas que nos dão, ou então as vejo todas sentadinhas nos degraus da escadaria do hotel em que trabalham, parecem, desculpem-me a comparação, anões de jardim, cada uma com uma cor de roupa, tipo de cabelo, maquiagem...
Todas mexem comigo!
Sim, eu sei esse é um comentário inglório, haja vista que elas mexem com qualquer um, até com você que me lê aí agora, mas pelo menos elas reparam em mim, o que não acontece aqui onde trabalho, mas isso é assunto para outra crônica em outro dia (tudo farei para evitar esse dia e assunto), mas estou a divagar, deve ser o peso da comida ainda, feijoada com esse calor...
Deixemos as meninas para lá, porque minha mesa me espera com metros e metros de papeis para dar andamento.
Passem bem.

ROBERTO PRADO
 
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Visão do inferno






O que é a visão do inferno?
Meu hollerith?
Abrir a porta e ver um cunhado?
Carta de cobrança?
A folhinha mostrando que ainda
tem muito mês para pouco salário?
Uma folha em branco a que me propus
escrever alguma coisa?
Crime na primeira página?
A mulher que acabou de acordar?
Encarar no elevador as pessoas
que evitaremos o resto do dia?
Me encarar no espelho com vontade gritar?
A minha carteira vazia?
Arghhhhhhhhhhh!

ROBERTO PRADO
 
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Drama relâmpago
Mocinha pergunta ao velhinho que passa:
- O senhor tem fogo?
O velhinho começa a revirar os bolsos do paletó, do colete (sim era um senhor de muita classe), os bolsos da calça. Não encontrando nada, começa a revirar a valise, nada.
A mocinha sem graça, vendo os esforços do velhinho, diz:
- Se o senhor não tem fósforo não se preocupe...
- Que fósforo minha filha! Estou procurando o viagra – Responde ríspido o velhinho.
A mocinha segue em frente, o velhote olha para os lados procurando a farmácia mais próxima

ROBERTO PRADO
 
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Mensagem Pascal!
Saio na quinta-feira.
Sexta-feira me guardarei em meditações e preces.
Sábado me acabo malhando o Judas. ...e domingo, ah! o domingo.... fugirei dos chocolates, das colombas, bombons, trufas e outros venenos “engordativos & calóricos”, afinal estou me guardando para o bacalhau que eu prepararei, hummmmmmm...
Espero voltar na próxima segunda-feira com os mesmos quilos com que vos escrevo hoje. Torçam por mim!

ROBERTO PRADO
 
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Quarta-feira, Abril 12, 2006
Coleção Roberto Prado
A Grande História Jamais Escrita!

Tinha a vontade de escrever uma história sobre uma terra que vivia sob a sombra de reis barbudos, severos, gigantes e belicosos.
Que viviam em lutas constantes, destruindo tudo à sua volta, não respeitando vilas, famílias plantações.
Espalhando a morte e a peste, doenças e pragas pelos quatro pontos cardeais.
Teria também nessa história, como só costuma acontecer nessas narrativas, dragões cuspidores de fogo e devoradores de donzelas, muitas donzelas. Ah! Heróis também teriam a sua vez, haja vista que não durariam muito, afinal, se lutar com gigantes não é moleza, imagine somado à essa miséria ainda tivessem dragões?
Muito e muito tempo se passaria até que alguém, talvez um estrangeiro - eles sempre fazem suas avarias por onde passam -, daria um jeito nesses gigantes e dragões, e por fim se casaria com a última donzela do vilarejo. Claro que ele teria ainda de esperar uns anos, que, por causa dos excessos dos dragões, a última donzela estaria com sete anos de idade...
Já ficou imaginando as aventuras que o estrangeiro viveria?
Afinal ele teria que empregar seu tempo, paciência e energia em alguma coisa, enquanto a sua donzela estivesse crescendo.
Depois de matar gigantes, dragões, praticar um ou outro estupro (pense na donzela, como demoram a crescer!), roubo de cavalo, ele iria explorar outras vilas, outros países e quem sabe, procurar uma outra donzela menos complicada.
Sim, seria uma grande história. Com um pouco de boa vontade de minha parte, tornar-se-ia uma grande saga.
Mas a preguiça...
De mais a mais, não tenho problemas com donzelas.

Poeminha irônico

As folhas caem
O vento empurra
O buraco na rua engole.
Os pássaros voam
Em círculos se despedem
Talvez voltem no verão
O céu escurece
Um trovão ao longe
Choverá?
Os carros passam
Espalham água
Os ônibus passam e não param
O vento fica mais forte
Começa a chuviscar
Olho para o céu com uma certa ironia
Tanta poesia no ar
E eu sem guarda-chuva
Vou para casa encharcado
Sigo a pé
Pisando nas poças
Esperando o resfriado
Sim
Sem dúvida
É o fim.

Esse amaldiçoado cruzou meu caminho de novo.

Novamente ele atravessa o meu caminho!
Estava eu sentadinho em minha mesa, tentando trabalhar, mas um ruído, uma estática, um arranhar de unhas em um quadro-negro trouxe-me de voltar a esse vale de lágrimas.
Era ele, aquele que acende velas negras ao Demo, aquele que sacrifica virgens e bodes pretos ao senhor das trevas, aquele que profana nossos ouvidos com músicas (?) que nos levam ao suicídio.
Ele:
Richard Claydeman!
Esse amaldiçoado, esse cão, esse...
Estava o supracitado indivíduo profanando a bela” La Vie em Rose”, quando eu já saturado, levantei-me de minha mesa, que fica no extremo oposto da repartição, e estupidamente dirigi-me à mesa onde estava o cd player.
Encostei na mesa, olhei para as colegas, e perguntei:
- Vocês gostam mesmo dessa música?
Para meu espanto, elas responderam que sim, ao mesmo tempo e em uníssono.
Por um segundo as fulminei com os olhos, debalde, não perceberam. Respirei fundo, e como que divagando, deixei sair bem baixinho, entre dentes, alguma coisa assim:
- É muito bom ouvir La Vie Em Rose, tocada por um velhinho francês e seu igualmente velho acordeon, nos brancos degraus da branca Sacre Coeur, em Paris.
Tornei a suspirar e segui para o banheiro, sob apupos e vaias.
Da janela do banheiro, por um instante, divaguei...

ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Abril 10, 2006
Concepção Artística da Mulher - III

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Sexta-feira, Abril 07, 2006
 
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Dica de Blog
"Meus Escritos" de Larissa Marques, uma descoberta poética.
 
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A Sereia e o Antropofilos
Quase como uma lenda “perdida para todo o sempre”, a Sereia não deixava de se tornar tangível, a fim de provar que tudo era mentira aos olhos dos céticos. Ela dava grandes saltos de dentro d’água para a pequena plataforma construída na praia por ela mesma. Ironicamente, todos que passavam diante do tal lugar, ignoravam por completo a sua performance. Não havia motivo então, para tão apaixonado trabalho de marketing pessoal.
Sem se sentir derrotada, resolveu contratar a assessoria de um antropofilos, na esperança de ter seu talento e realidade reconhecidos pelos humanos. E assim, o tal intelectual, deu cabo de seu “plano de medidas extremas”.
Em apenas uma semana a praia estava lotada de pescadores para ver a Sereia.
Muito curiosa, perguntou ao profissional, como havia conseguido tamanha façanha. No que ele respondeu:
- Não basta que você salte 100 vezes por dia para fazer com que o povo te reconheça, é preciso dar um bom motivo para eles.
- E que motivo foi esse? Perguntou a Sereia curiosa.
- Eu apenas disse a eles o que não fazer!
- Como assim?
- Eu coloquei uma placa dizendo: PROIBIDO PESCAR!

ALEXANDRE COSTA
 
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O Conto UM
Final

Sentei novamente na beirada da cama, ao lado do criado mudo e peguei o remédio das convulsões. Não eram remédios para curá-las, mas calmantes fortíssimos. Lembrei-me então de ter tomado seis comprimidos há uns dias atrás. Achei que me fariam encontrá-los, onde quer que estivessem. Eu decidi sozinha que não havia mais motivo para continuar a viver sem os dois. Ninguém saberia o que aconteceu até acharem meu corpo deitado na cama. Aí seria tarde demais, e eu já estaria à procura de minha filha e marido. Mas eu não sabia que a realidade se estenderia para além das coisas da vida material. E assim como os perdi enquanto viva, também os perdi agora.
Meu suicídio foi às 23:46h do dia 20/03/06. Causa da morte: parada cardíaca.
Fiquei por muito tempo procurando um motivo para aceitar o que havia feito!
Escrevi o bilhete para que me lembrasse de não se arrepender e aceitar as coisas que viriam. Por um tempo não adiantou até que fui tomada por essa luz incrível que agora me acolhe e restaura. Minha filha e meu marido, morreram dias antes em um acidente de carro quando íamos para um piquenique. Só eu sobrevivi, para meu desespero. Renunciei a tudo e a todos, descartei a vida que ainda me restava, pois não havia mais motivo para vivê-la. Não sou mulher de aceitar a solidão. Não sou forte sem eles. Agora estou à espera de um novo recomeço, uma nova oportunidade para desfazer as coisas que podem ser desfeitas. Mas isso, não me cabe decidir. Não agora!

ALEXANDRE COSTA
 
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Concepção Artística da Mulher - II
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Quinta-feira, Abril 06, 2006
 
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O Conto UM
Cap. V

Meu corpo começou a tremer novamente, menos violentamente. Eu senti agora que podia controlar aquela situação. Concentrei-me e pensei nos dois.
Silêncio!
Por alguns minutos, um grande silêncio invadiu o quarto, a casa, o mundo lá fora.
Eu deixei que ele tomasse conta de mim também. Fechei os olhos e então fui invadida por mil sons, mil imagens, a mil por hora. Era como se minha vida passasse toda em milésimos de segundos, e nesse ínfimo tempo, eu pude entender tudo.
Cada momento de minha vida, um capítulo derradeiro, que me levou ao meu destino atual. Peguei o bilhete todo amassado que ainda estava ao meu lado na cama e tornei a ler. Agora eu podia entender.
Só havia uma verdade agora. Uma única verdade, não pra ser entendida, mas aceita.
Decidi que era hora de levantar. Apoiei-me na beirada da cama e pus os pés firmes no chão. Caminhei lentamente até a janela para ver pela última vez a luz do sol, as árvores, as flores. Sentir o cheiro da fumaça dos carros e o barulho do trânsito. Era o suficiente por agora.

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
posted by Alexandre Costa at 8:07 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Certas Relações
Odeio ser invisível
Não suporto não ser reconhecido
Passar despercebido
Como se não estivesse lá
Ou aqui, acolá
Não aprecio ser desprezado
Não, não finja jamais que não me viu
Não faça de conta que eu não conto
Saiba que na minha matemática eu não sou
Um zero à esquerda
Eu somo
Faço a diferença
Participo
Estou lá.
Resumindo:
Qualquer diferença
Tenha coragem e
Fale comigo!

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 8:04 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Crônica de um dia desses
Aqui estou, no centro da cidade.
Centro feio, descuidado, largado, desleixado, resumindo, miserável!
Acabou-se o encanto que senti quando voltei para cá em novembro passado. Dói-me o coração ver como tudo aqui é/está esculhambado. O que poderia ser, não foi, o que deveria ser, não chegou há.
Mas triste mesmo é o que eu ando vendo de pessoas cabisbaixas, tristes, e o que é pior, muito pior, falando sozinhas.
Tem as que simplesmente murmuram. Tem as que reclamam a meia voz, e as que gritam. Hoje passei por um que gritava, xingava, sacudia os braços e olhava para nós, bem no fundo dos nossos olhos (dava medo) e voltava a gritar.Todos à sua volta riam, mas riam um riso amarelo, um riso que dava a entender que se a situação continuasse piorando de jeito que está, logo, logo seria um de nós o protagonista daquele patético espetáculo.
O infeliz porta-voz da desgraça que nos (?) aguarda (Deus queira que não), estava molhado, encharcado, com a chuvinha fina e intermitente, mas parece que nem se apercebia disso, seguia em frente com sua cantilena alucinada, feito um pregador de apocalipses.
Não. Não ri dele.
Afinal posso não sair falando sozinho por aí, mas que tem dias que eu fico namorando a marquise do terceiro andar onde trabalho, eu fico.

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 8:02 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Quarta-feira, Abril 05, 2006
Não Basta (ou Uma pequena Ode ao Copo)
Não basta beber até cair
Não!
Não basta beber até ver jacaré debaixo da mesa
Não!
Não basta beber até sermos todos amigos desde pequeninho
Não!
Não basta beber até brigar e quebrar copos e garrafas
Não!
Não basta beber até perder a consciência e tomar glicose
Não!
Não basta beber até esquecer onde mora
Não!
Só basta de beber quando fecha o último bar.
Que lástima....

Para o amigo Vadinho!

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 8:20 AM ¤ Permalink ¤ 5 comments
Concepção Artística da Mulher - I
ALEXANDRE COSTA
(clique na imagem para ampliá-la)
 
posted by Alexandre Costa at 8:11 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
O Conto UM
Cap. IV

De repente acordei, ainda ouvindo aquela canção. Não estava no carro, nem com minha filha e marido, mas sim, deitada na cama. Olhei para o teto e pensei comigo mesma que não havia motivo para sair dali. Senti que algo estava se transformando dentro de mim. Uma dúvida estava clareando, tomando forma de resposta, mas muito tênue ainda.
“Você vai querer voltar. Vai querer desistir de tudo, mas não há mais nada que possa fazer. A escolha foi sua. Não desista de tentar encontrá-los, ou quem sabe, talvez, nunca mais revê-los”!
A frase ecoava em minha mente e não me deixava dormir. Um misto de dúvida, pavor e resignação tomavam conta de mim. Tão contraditória era a minha situação agora. Eu me perguntava “por quê?”
Ainda não fazia sentido as respostas que encontrava.
Ainda não podia entender a verdade que eu mesma escondi de mim.

ALEXANDRE COSTA

CONTINUA...
 
posted by Alexandre Costa at 8:07 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Terça-feira, Abril 04, 2006
Poema sem Motivo
Não me espere na esquina
Nem em outros detalhes alheios.
Não percebe que o que muda
É o que mais tememos?
Não diga que não desiste
Quando na verdade já o fez.
Não olhe ao redor
Se não pode ver o óbvio.
Afinal nada mais faz sentido
Quando mais queremos entender.
Não me espere voltar
Pois fui sen nunca ter dado um único passo!

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 8:19 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
As rotinas na casa de Doidinho
A mãe desceu as escadas exausta, cansada, fatigada, já de olhos fundos.
- Hoje esse moleque deu trabalho para dormir, tive que ler três discursos de Ruy Barbosa, e mesmo assim ele ainda não estava de todo adormecido quando saí do quarto...
Jogou-se na poltrona da sala, e suspirou.
Dona Dedé, explica que a sua tarde com ele não foi nada melhor.
- Esse menino assistiu a todos os jornais esportivos, vendo replay dos jogos de domingo.
- Para quê?? Pergunta a mãe, pouco interessada.
- Dava pena de ver. O menino ficava torcendo para ver se mudava os resultados dos jogos...

ROBERTO PRADO
 
posted by Alexandre Costa at 8:15 AM ¤ Permalink ¤ 5 comments