Sexta-feira, Junho 30, 2006

 
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Palavra
Para cada palavra
Um gesto que a complete
Um momento que a fixe
Um olhar que a acompanhe
Um sorriso que a compreenda
Um beijo que a cale!

ALEXANDRE COSTA
 
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Ritinha II
Sentada no banco da praça, ainda pensava no antigo namorado. Havia se passado sete horas desde que desmancharam, e ela não se conformava com a desculpa que ele deu. Seria voluntário como homem-bomba numa facção radical fora do país.
Ritinha pensava: “Mas que cara egoísta, só pensa nele.”

ALEXANDRE COSTA
 
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Sobre todas as coisas
Infinitamente abismo
Recado esquecido
Despedida sincera
Tristeza demais.
São todas as coisas
Que sem aviso
Se desfazem diante
Da alma de quem se distrai.
Propositadamente abismo
Drama esquecido
Perdão sincero
Amargura demais.
São todas as coisas
Que sem abrigo
Rodam em círculos confusos
Mas estranhamente iguais.

ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Junho 29, 2006
Na sala expomos nossas opiniões, no quarto nossos desejos mais secretos!
 
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Frases que gostaríamos de ter dito
Atire a primeira pedra aquele que não lê ou não gosta de frases de impacto. Ditas por aqueles que de alguma forma ficaram conhecidos por suas palavras, nem sempre simpáticas, mas com muita propriedade. Pra dizer a verdade, quando lemos essas frases nos identificamos bastante com elas, a ponto de dizer para si mesmo: "Puxa, como isso é verdade."
Mas, nem sempre ficamos sabendo quem é o autor de tamanha pérola.
Agora já podemos saber na série "Quem disse isso?".
Aproveitem!
 
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Quarta-feira, Junho 28, 2006
TODOS QUEREM SE FAZER OUVIR!
De algum modo, todos querem se fazer ouvir. E, se apesar disso, dizer algo for difícil, esperam que faça sentido, e que o outro os reconheça.
Todos têm essa vontade dentro de si e, ainda que precariamente, não consigam expressar suas idéias, suas emoções, fazem o possível para serem conscientes e expressivos.
As palavras compõem todo o nosso ser, atravessa dimensões que vão desde a vida diária até nossos sonhos. Com elas, falamos, pensamos, e escrevemos a nossa história.
Em muitos momentos até brigamos com elas na tentativa de organizar nosso pensamento e nossas idéias. Pensamos para falar e, às vezes falamos sem pensar. Escrevemos para que os outros reconheçam em nós a voz do outro.
Assim, a linguagem e a escrita desenvolvem a capacidade de comunicação com as palavras, e nos faz sentir mais livres.
A liberação da linguagem e do pensamento passa necessariamente pelo espírito, para depois despejar-se no mundo material através da fala e da escrita.
Escrever é comunicar o que foi ou está sendo vivido; é resgatar em cada linha aquela lembrança ou idéia que merece ser compartilhada; é enunciar os desejos e as esperanças.
Escrever também é esclarecer e organizar as idéias, porque precisamos das palavras tanto quanto precisamos de amor.
Por isso, escrevam livremente, naturalmente, ouvindo sua própria voz interior. Afinal, não existe escrita que não seja construída com o corpo e com a emoção.

ALEXANDRE COSTA

PARA O AMIGO ROBERTO PRADO
 
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Segunda-feira, Junho 26, 2006
Eis aqui a Minha demissão
( ou a confirmação de que foi tudo em vão)

Humildemente me inclino à platéia
(aquela eterna meia-dúzia)
Sorrio, bato palmas
E faço eco aos aplausos.
Olho para todos os lados ainda sorrindo
Espero que a bilheteria tenha dado lucro
(mas se conheço esse circo, acho que não)
Com as mãos, começo a tirar a maquiagem
Ainda, saindo do palco, vou tirando a fantasia
Saio, nem triste nem alegre
Saio, talvez com alívio
Mas com a alma lavada
Fiz a parte
E a fiz com honestidade e amor
Mas, parece-me, em vão.
Saio, não sei para onde
Talvez para pensar
Refletir
Me convencer
Que ainda vale a pena escrever, e
Aos que ficam:

- Adeus!

ROBERTO PRADO
 
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Sexta-feira, Junho 23, 2006
Ritinha
Ritinha entrou correndo, cansada e com os olhos arregalados. Os convidados, assustados, murmuravam uníssonos, uma estranha ladainha. Ela então, com um sorriso amarelo, olhou todos a sua volta, sabia que estava atrasada. E diante daquela situação constrangedora em que havia se metido, caminhou rápido até o altar e disse:
- Sim, eu aceito. Ajeitando o vestido branco.
- Aceita o que minha filha? Disse o padre confuso.
- Ora! Respondeu sem hesitar.
– O noivo como esposo!
- Mas isso é um velório. Completou o padre totalmente sem jeito.
Ouve-se então, um grito solitário lá na entrada.
– Ritinha! Igreja errada!

ALEXANDRE COSTA
 
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Concepção Artística da Mulher - XVII
Não sei, mas
Uma coisa me diz
Que nesse teu corpo feliz
Não existe por quê?

ALEXANDRE COSTA
 
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O amor
O amor
É um observar
É um dançar sem sair do lugar
É querer ficar pra continuar.
O amor
É entre todas as coisas
O tudo que se espera alcançar.
É
Finalmente
Um aprender e um desaprender
É se contentar
Em perder sem ter.

ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Junho 22, 2006
Concepção Artística da Mulher - XVI
Todas as formas ainda se encontravam inacabadas.
Um esboço do que poderia ser.
Um traço, um pequeno detalhe, o acaso.
E tudo se transformou.

ALEXANDRE COSTA
 
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Respeitável Público

Pra quem gosta de palhaçada, indicamos os amigos aí do lado.
Maçaneta e Gororoba em: QUE PALHAÇADA!
Dia 24 de junho de 2006 às 15:00h
No Parque da Aclimação
Porque rir é bom demais.
NÃO PERCAM!
 
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Coleções II
Imagine

Imagine
Que hoje o tempo parou
Que a lua chorou.
Imagine
Que hoje o vento soprou
Toda dor pra longe de nós
Que o tempo não é mais nosso temor.
Imagine
Que as nuvens agora são portos
Seguros como nosso amor.
Imagine
Que os homens resolveram chorar
Que as moças não são mais o sexo forte
E que todas as vezes que dormíamos
Imaginávamos que acreditávamos
Que o tempo parava
Que a lua chorava
Que o vento soprava
Que a dor nos deixava a sós.

Em cada esquina

Procurei em cada esquina
O amor que não perdi
Pra ver se encontrava
Um bom motivo pra deixar
Que aquele estranho desejo
Não me enganasse mais uma vez.
Procurei em cada esquina
A lua que não brilhava
Pra ver na escuridão do dia
O sol que me iluminava
De dentro pra fora.
Procurei em cada esquina
As sete ondas de pular
Pra não esquecer as superstições
Que teimavam em não me deixar.
Procurei em cada esquina
Pra que você pudesse me encontrar
Sorrindo tão naturalmente
Ao te ver tão de repente
Que não pudesse de ti escapar.

ALEXANDRE COSTA
 
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Quarta-feira, Junho 21, 2006
Dona Dedé e a Copa
Dessa vez Dona Dedé surta de vez.
Época de Copa do Mundo, aquela barulheira toda, fogos, bandeirinhas, discussões bestas, brigas sérias, a televisão ligada na hora da sua “siesta”, ou como ela costuma dizer, orgulhosa e com a mão esquerda cobrindo os lábios, já secos e murchos:
- Meu sono de beleza!
Futebol virou febre.
Doidinho só fala nisso, e passa o dia trocando figurinhas com seus amiguinhos (todos imaginários é claro).
Dona Dedé fez o possível e o impossível para fugir desse inferno, refugiando-se na Igreja, participando de novenas, vendendo santinho, mantendo a maior parte do tempo ocupada com a sua fé.
O pobre São Jorge já não agüenta mais tanta reclamação dela, o cavalo branco não para mais de bufar, e o dragão, coitado, já nem mais solta fogo pelas ventas, de tanto que chora com a aflição da beata senhora.
Mas...
A próxima partida da seleção é contra quem?
Quem?
Sim contra o Japão!
A velhota está louca, não pode ver nada com as cores vermelha e branca. Acorda depois da dez da manhã para não ter que ver o sol nascente...
Vive resmungando pelos cantos da casa. Ninguém sabe se ela está rezando ou rogando pragas. Mesmo à noite dormindo os sobrinhos ouvem a velha falando com o falecido, que por alguma razão, ainda desconhecida, ela atribui aos japoneses, coreanos, chineses, ou qualquer oriental em geral.
Doidinho acompanhando o drama dos pais, que geralmente já são tensos, agora estão uma pilha de nervos.
Algo acontecerá eles tem certeza disso!
Esconderam a televisão. Retiraram todos os aparelhos de rádio da casa, pediram aos vizinhos (que há anos acompanham o drama do casal) que evitem gritar muito durante a partida. Todos os discos do velho Gardel estão polidos, limpinhos para serem tocados à exaustão, tudo para que a velha não dê o desprazer de um velório durante a Copa.
Mas...
Doidinho, vendo o progresso dos pais, sentindo a calmaria no velho casarão, dá um jeitinho de perturbar Dona Dedé.
Entra no quarto dos pais, que atarantados com a centenária parenta esqueceram de trancar.
Abre as gavetas, revira o guarda-roupa...
Lá embaixo, Dona Dedé, sentadinha em cadeira de balanço, fingindo que tricotava, olhando fixamente para a porta da frente e a janela, esperando a qualquer momento uma invasão nipônica, quase não respirava.
Os sobrinhos na cozinha, com as mãos trêmulas, tentam, quase em vão, tomar um de chá erva-doce, acompanhado de três comprimidos calmantes.
Há muito tempo que uma xícara de chá não era acompanhada de biscoitos. Prova disso é Biscoito, o papagaio, que não faz outra coisa na vida além de dormir no seu poleiro.
Silêncio, tenso, mas silêncio.
Quando Doidinho, vestindo um robe branco de seda da mãe, uma gravata vermelha do pai amarrada na testa, calçando uns tamancos de madeira, que só Deus sabe onde ele encontrou, deslizando pelo corrimão da escada, segurando um cabide de madeira à guisa de kataná , grita:
- Banzai!
Os pais na cozinha, abraçam-se, põem-se a chorar convulsivamente, a mãe morde um tufo de cabelos, e juntos, deixam as xícaras caírem no chão.
Dona Dedé possessa, grita:
- Ishiro! - e vai ao chão.

ROBERTO PRADO
 
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O CIRCO CHEGOU NA CIDADE, OU BEM VINDO PAIAÇÃO!
A felicidade invade meu coração.
Ssenti umas pontadas no peito, achei que fosse o infarto (espero por ele como uma criança espera pelo Papai Noel), respirei fundo, contei até três, como não morri (nota-se) pensei com meus botões:
- Só pode ter acontecido alguma coisa boa.
Por via das dúvidas, fiquei mais um pouco na cama, nunca se sabe. É dureza ser pessimista assim...
Mas levantei-me, fiz minhas abluções matinais, tomei meu café, entrei no carro, enfrentei o trânsito, que não estava nem melhor nem pior que o normal, estacionei aqui em frente à Delegacia onde trabalho, subi as escadas de granito cinza de mau gosto impressionante, subi pelo elevador, que já estava no térreo (coisa rara), liguei o computador, que nem demorou os seus normais mil minutos e meio, tomei o café, que infelizmente continua o mesmo (bom sinal, poderia ter piorado), guardei minha bolsa, coloquei meus óculos de leitura (Ah! A idade é o preço que pagamos ....). Enfim o computador ligou, fui aos meus Favoritos, abri http://www.quaseporacaso.com.br/, e lá estava a minha boa sensação.
Sim, meus olhinhos míopes e (levemente estrábicos) brilharam de alegria, o coração até bateu mais forte (ou terá sido os peões aqui do lado, que estão reformando o prédio?), quando vi que o meu amigo Armando Júnior está escrevendo aqui conosco (e fazendo concorrência) no Quase Por Acaso.
Espero que os nossos leitores curtam suas letras e principalmente seu otimismo!
Mercadoria rara nos dias de hoje.
Não por minha causa, quero deixar bem claro, afinal mais pessimista que eu não há. Ou há?
Isso eu deixo para o Rodrigo responder.
É um grande prazer tê-lo e lê-lo aqui, espero que nossos leitores concordem comigo nesse ponto (não peço, nem espero, nem mereço mais que isso).
Paiação, seja bem vindo!
P.S. Paiação, palhaço, é mesmo ladrão de mulher?

ROBERTO PRADO
 
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Clarinha
Entre bananeiras, Clarinha brincava entre as pernas de Carlos.
Entre um roçar e outro, uns muitos, outros poucos gemidos podia-se ouvir.
Entre todas as moças, Clarinha era a melhor!

ALEXANDRE COSTA
 
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Numa gota,
A última
Ainda suspensa
Comprova o corpo
O cansaço
Exaustão
Do amor
Num sorriso
Discreto
Nos olhos
Pesados
Só falta
O sono.

ROBERTO PRADO
 
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Terça-feira, Junho 13, 2006

 
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Coleções
A poesia não está apenas nos livros ou nas letras, está também nas coisas. No vivido e no viver, nas relações com as palavras e com os outros.
A poesia cria os anticorpos do não-viver, o poema é algo que se realiza, vira verbo, ato, carne e sangue.
A poesia é uma linguagem criadora, do absurdo ao cotidiano, da fantasia ao dia-a-dia, ela chama a nossa atenção e o nosso querer. E o poeta, nasce cuspido desse mundo para si e para os outros, não pede troco, mas tira vantagem do seu dom.
______

Ao pensar me modifico
No pesar de cada momento
Apesar de todos os motivos
A pesar em mim meus sofrimentos.

______

Esses inquietos ventos andarilhos
A roçar de mansinho em sua nuca
Desfaz os cachos que tanto amo.
Ah! Se esses ventos tivessem coração
Não fariam isso não.
Levantariam suas sedas
E te fariam corar das orelhas até o chão!

______

Não se pode dizer tudo
Muitas vezes, é difícil dizer algo.
O que sonhamos
O que vivemos
O que amamos
Nossos desejos
Nossas esperanças
Tecem a nossa história.
A linguagem e a vida
São inseparáveis.


ALEXANDRE COSTA
 
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Segunda-feira, Junho 12, 2006
Ah! Esses meus amigos...
Alguns amigos esperam de mim um novo “Guerra e Paz”, mas no momento estou oferecendo um simples: “Vamos Parar Com Essa Baderna”!

ROBERTO PRADO
 
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Tadeu com o 'cão'!
Saiu batendo a porta, depois de ter gritado um bocado de palavrões.
Desceu as escadas furibundo, fazendo barulho com os saltos dos sapatos.
Chutou o Aramis, o gato da Dona Desiree (francesa da Guiana), que mora no terceiro andar, e dormitava no corrimão.
Bateu o portão da frente, e ainda deu para se ouvir seus gritos com o Manoel, porteiro do prédio, que àquela hora tomava a sua cachacinha no Bar do Alemão (na verdade um português dos Açores), que fica em frente ao prédio.
Atravessou a rua e quase foi atropelado por um motoqueiro. Gritou e xingou o infeliz, que seguiu em frente sem ouvir nada.
Enquanto ainda gesticulava para o rapaz, um ônibus que fazia uma curva muito fechada, atropelou-o.
Mas não morreu.
Agonizava no chão, gritava e ainda xingava o motorista, o cobrador e a mulher, que em casa não sabia de nada do que estava acontecendo na rua.
Chegou a ambulância que o levou para ao hospital.

- Como ele está? Não sei nem quero saber desse tipinho mau-humorado e sem educação!
Por mim que morra!

ROBERTO PRADO
 
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Pensando
(ou, para onde ir, para quê ir, de que adianta ir?)

De frente para a bifurcação
Sentado pensando
Para onde ir
Direita?
Esquerda?
O quê a direita
O quê a esquerda?
Sentado pensando
O tempo passando...
Direita?
Esquerda?
Para onde meu Deus, para onde?
Direita, onde?
Esquerda, para quê?
Sentado, pensando, coçando a cabeça
Direita, esquerda, direita, esquerda...
O tempo passa
E a morte irá encontrá-lo lá
Sem saber para onde ir
Céu ou inferno?

ROBERTO PRADO
 
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Das compras e suas conseqüências
É cada uma que me acontece.
Parece piada, mas foi verdade.Creio às vezes que minha vida é uma piada.
Nem ia contar essa miséria aqui, mas almoçando hoje com o Alexandre, ele acabou por me convencer, afinal o ridículo aconteceu comigo, não com ele. Aquele rato!
Como já é do conhecimento de todos os que me lêem (acho que ainda dá uma dúzia de leitores), vivo tentando emagrecer. Faço regimes, como alface, tento parar com o açúcar, mas o que funciona mesmo é fórmula.
Pois bem, estou na base de comprimidos, uns tantos em jejum pela manhã, outros tantos antes do almoço, e outros antes do jantar.
Otimista que sou, já fico me imaginando uns dois ou três números menores, tanto de calças como de camisas, e por que não, cuecas?
Com o peito cheio de orgulho por, pensar que estou, emagrecendo, fui a umas dessas lojas de departamento, (que não declinarei o nome, afinal ainda não sou patrocinado por nenhuma delas), e escolhi vários modelos. Entre tantos escolhi um modelo modernoso, em que num dos lados está escrito “BAD BOY”, olhei e me imaginei magro, numa calça de corte reto, sem estar caída na frente empurrada pela barriga.
E lá fui eu para o caixa, pagar.
Enquanto a fila se arrastava, brincando, perguntei para a colega o quê a menina da caixa acharia de ver um velho de barbas brancas comprando esse modelo. Cínica e rápida de resposta, falou:

- Vai pensar que é para o seu namorado.

Rindo, concordei, e continuei na fila.
Mas, na fila, continuando na conversa, e sem olhar para trás, para ver se ela estava lá ou não, perguntei, imbuido ainda do espírito da brincadeira:

- Mas será que o meu namorado vai gostar da cor e modelo?

Quando olho para trás, para ver o que ela iria responder, qual não foi a minha surpresa ao ver uma velha senhora, com olhos arregalados, boquiaberta, medindo-me dos pés à cabeça, imaginando o pior de mim...
Fiquei amarelo, branco, sem palavras, sem fôlego, sem graça, querendo que o chão se abrisse e me engolisse naquele momento.
Segundos, que pareceram-me anos, expliquei que pensei estar falando com uma colega, e enquanto falava, com os olhos aflitos procurava pela infeliz.
Fui encontrá-la atrás de umas araras rindo de se acabar.
Larguei a peça por lá mesmo, e fui embora sem comprar a bendita cueca. Evito ainda passar em frente da dita loja até agora.

ROBERTO PRADO
 
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Sexta-feira, Junho 09, 2006
Erramos
Amigos! Não se pode agradar a todos, e longe de nós discordarmos da opinião e gosto de nossos leitores. Desde a mudança de lay-out de nosso blog, temos recebido algumas críticas (positivas até). Assim, o nosso leitor é quem manda por aqui, e quase todos gostariam que voltássemos para o lay-out antigo, pois era mais bonito, mais fácil de ler. Erramos, e se é com os erros que se aprende, aprendemos a lição e voltamos a nossa antiga página. Obrigado a todos pela compreensão!
 
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A porta se abriu, e se você me amasse, atirar-se-ia em meus braços sem explicação, mas a porta se fechou, e se eu te amasse, não a trancaria como você a trancou.
Nem eu, nem você, nem a porta, nada se moveu. E não faria diferença se nenhum dos três pedisse perdão!

ALEXANDRE COSTA
 
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A casa azul
No descer da rua
No fim do trânsito da manhã
Na beira da quadra
Na estreita passagem popular
Assombrada pelos mendigos
Erguida com desmedida amargura
Via-se a casa azul.
Construção centenária
Testemunha da história
Guardiã da escória
Abrigo de filhos bastardos
Nas noites órfãs e sem amor.

ALEXANDRE COSTA
 
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Do que nos acontece e nos afeta (besteiras para uns, tudo para outros)
Hoje estou particularmente azedo.
Não sei explicar o motivo, é uma coisa assim sub-reptícia, quase um fantasma de um sentimento, uma sensação assim...
Sabem como é?
Parece que hoje tudo me está atravessado, uma angústia me aperta o peito, uma espécie de mágoa me oprime.
Uma dor que lateja n’alma.
Um olhar para vida com desconfiança, como olhar para um cristal trincado, sentir uma imcompletitude (essa palavra existe?) que não consigo assimilar.
Acordei chateado, triste, não uma tristeza de lágrimas, ou olhos marejados, não nada disso, é só a tristeza de um buraco no peito, alguma que me faz falta...
Acho que isso passa, espero que sim.
Trago aqui dentro de mim a certeza de que mesmo que passe, e há de passar, as coisas nunca mais serão as mesmas.
Uma pena!

ROBERTO PRADO
 
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Quinta-feira, Junho 08, 2006
Alguém a altura (ou baixeza) de Richard Clayderman
Não morro de amores pelos americanos, não, de jeito algum, mas quando eles acertam uma eu tenho que dar a mão à palmatória (vocês conhecem alguém que já tenha, realmente dado a mão para apanhar de palmatória? Bem isso não vem ao caso agora). Senão, vejam os essa notícia que eu li no site http://nominimo.ibest.com.br/noticia:
“As autoridades de Sidney, na Austrália, querem impedir que grupos de jovens desordeiros se reúnam em estacionamentos, onde estão incomodando a vizinhança com um comportamento anti-social. Para isso resolveram pegar pesado. Vão tocar Barry Manilow no mais alto volume para afugentar os visitantes indesejados. Manilow é um clássico da cafonalha. Para quem não lembra, ou ainda não tinha chegado ao planeta, ele fez um enorme sucesso nos anos 70 (cantava “Copacabana” e “Mandy”), e foi tirado da tumba do ostracismo em que estava há 20 anos pelo programa “American Idol”.
Só falta agora os “irmãos do norte” (haja ironia para eu dizer isso) descobrirem que Richard Clayderman é bem pior, capaz de deixar os ditos meliantes desacordados por dias à fio, quiçá, até em adiantado estado de coma.
Quero colaborar para o fim dos desordeiros oferecendo as músicas(?) de nossos (?, e eu tenho cara de quem tem algum grupo) de axé, música(??) baiana, pagode(!!) e outras pérolas que a industria fonográfica nos empurra goela, digo, ouvidos abaixo.
Eu sempre soube, em meu íntimo que um dia essas porcarias teriam algum proveito, peço às nossas autoridades que não percam mais tempo, música ruim neles!

ROBERTO PRADO
 
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Samba, Futebol e Cerveja ou (Pão e Circo da Era Moderna)
Não estou aqui para condenar ninguém, muito pelo contrário, saúdo a seleção brasileira e todos os brasileiros fanáticos (assim como eu) pelo melhor futebol do mundo (mas não vamos contar com o ovo na galinha). Não vamos gritar aos quatro ventos que já somos hexas antes do apito final. Achar que ‘a copa do mundo é nossa, com brasileiro, não há quem possa. ’
Mas também não estou aqui para passar a mão na cabeça de todos os brasileiros fanáticos (assim como eu) pelo melhor futebol do mundo, como se fosse um grande pai caridoso.
Estamos numa época mágica, onde todas (eu disse todas mesmo) as preocupações que afligem cada um de nós são colocadas dentro de uma ‘cartola’ e desaparecem. O sentimento patriótico é exacerbado, ficamos deitados em berço esplêndido por 1 mês inteiro. Driblamos o patrão, bolamos aula, faltamos ao emprego, decidimos que só importa ver e respirar futebol. É uma espécie de merecimento divino.
Esquecemos dos políticos que não vão votar aquela lei importantíssima para o país, que o assassino confesso continuará solto graças a um hábeas corpus de um famoso juiz, que o nosso salário não vai aumentar porque a ‘nossa’ seleção foi campeã, o desemprego continuará subindo, os empresários neo-capitalistas continuarão a demitir para cortar custos e aumentar a produção, visando lucros e mais lucros. As guerras continuarão a matar gente inocente.
Esquecemos ou deixamos de lado aquele projeto por que lutamos tanto na empresa, que existem milhões de pessoas que passam fome neste país, que a segurança da população é precária, que o estado é ineficiente em quase tudo.
Aquele regime fica pra depois da copa; aquela votação na câmara fica pra depois da copa; as revisões dos problemas econômicos, sociais e ambientais também ficam pra depois da copa... E assim vamos empurrando com a barriga os problemas, as dívidas, as dúvidas, as promessas e tudo o mais que for conveniente.
Samba, futebol e cerveja passam a ser os 3 mandamentos do brasileiro em ano de copa.
Assim como na Roma antiga, onde o povo era comprado com comida e diversão (daí a famosa frase: pão e circo), para que não se revoltassem contra seus governantes, a copa do mundo exerce um fascínio no ser humano (fanático por futebol) assim como eu, e ficamos mansinhos e esquecidos.
E esta é a deixa para que muitas coisas que deviam acontecer desapareçam de pauta e aquelas que não poderiam nunca começar, estejam já antigas depois que voltarmos nossos olhos para a realidade.
Mais uma vez venho dizer que não estou condenando a copa do mundo (pois eu estarei na frente da TV vendo quantos jogos forem possíveis), mas apenas lembrando que ‘a vida continua’ apesar de tudo, e que devemos estar atentos aos acontecimentos cotidianos de nossas vidas. Não devemos nos cegar para os problemas que nos rodeiam apenas porque a copa do mundo começou.
Porque a copa vai passar, mas os problemas permanecerão até a próxima, e aí em 2010 começa tudo outra vez!

ALEXANDRE COSTA
 
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Quarta-feira, Junho 07, 2006
A arte de ser breve na hora de dizer último e definitivo adeus para a mulher que estupidamente pensamos que amávamos tanto.
Fui!

ROBERTO PRADO
 
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Sobre a Copa
Odeio futebol!
Comecei bem?
Chamei a sua atenção, consegui a sua antipatia? Ótimo.
Bom ou você concorda comigo, e não gosta de futebol, ou já mudou de página e está me chamando ( no mínimo) de besta quadrada.
Sigamos.
Nunca, desde de criança, gostei do dito “esporte bretão”, ainda moleque, quando havia ruas de terras, meus colegas me obrigavam a participar dos jogos. (eu era magrinho, franzino, não esse monstro de quase cem quilos, que sou hoje) Relutante eu ia, mas nos primeiros minutos já estava chutando uma pedra, e deixando um pedaço do meu dedão na rua.
Corria para casa, e logo voltava com o dedo enrolado em um pedaço de pano, livre do jogo.
Assim cresci. Até hoje sou um sujeito pouco a feito a disputas (sou o sujeito menos competitivo que conheço), não presto nem para uma disputa de buraco, dominó ou mesmo porrinha (em alguns lugares, conhecido como palitinhos).
Agora, nessa maldita fase de copa do mundo eu enlouqueço
.Não consigo assistir a um jornal na televisão sem falar em Ronaldo, Ronaldinho, e outros zinhos..., ligo o rádio, a mesma coisa, passo em uma banca de jornal, só fotos desse “evento”.
Mas a “cereja em cima do chantili” é a minha hora de almoço.
Saio da repartição, sigo até o restaurante de “comida por quilo” (desculpem a propaganda, mas leiam o que já escrevi sobre isso também), enfrento a fila, tento não escorregar no chão empastelado de gordura (acho que nunca limpam aquilo), quando por fim, com o prato pesado, sento-me à mesa, algum “desinfeliz” pede para o dono do restaurante colocar na TV Bandeirantes, de dá-lhe futebol, replay de gol, discussão sobre o gol, o outro lado do gol, o que convidado achou do gol, e torna repetir o gol, minhas mãos tremem, a comida engasga na garganta, olho para os lados, e todos, como que hipnotizados, olhando para TV.
Não sei se chegarei ato fim da copa sem brigar com uma meia-dúzia de torcedores fanáticos/idiotas.
Aqui as harpias (segunda propaganda, leiam As Harpias) com quem trabalho, digo, cumpro pena, estão planejando vestirem-se de verde e amarelo, trazerem apitos e bandeirinhas...
Francamente, eu não mereço esse destino infeliz.

ROBERTO PRADO
 
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Dona Dede lê Dante Alighieri (Ou o Inferno de Dante de Dona Dedé)
Dona Dedé, velha quase centenária, sábia e levemente lúcida, tenta, de vez em quando, iluminar as trevas da ignorância em vive o seu sobrinho-neto, Doidinho.
Essa noite, por exemplo, que os seus sobrinhos saíram, e a noite está especialmente mais escura, a letrada parenta, vestida de toga (na verdade um lençol da cama de Doidinho), sentada em sua cadeirinha de balanço, usando suas pantufinhas de coelhinhos, tendo somente uma vela a iluminar-lhe a sala, lê para a dita criança o Paraíso, primeiro volume de a Divina Comédia, de Dante Alighieri, edição, que dizem os parentes mais mordazes, autografado pelo próprio autor. Mas não vamos nos envolver com essas maledicências...
Sigamos.
Tendo a luz da vela à sua frente, e às costas, sombras densas e fantasmagóricas projetadas na parede, Dona Dedé dramaticamente lia:

__Canto I – pigarreia e segue a leitura – “A meio caminho desta vida, achei-me a errar por uma selva escura, longe da boa via, então perdida.”

__Tia Dedé, falta muito para o Inferno? – Interrompe Doidinho.

Com a calma que só a idade e muito antidepressivo traz, ela ignora a criança e continua leitura:

__ “Ah! Mostrar qual a vi é empresa dura, essa selva selvagem, densa e forte, que ao relembrá-la a mente se tortura.”

__Tia Dedé, falta muito para o Inferno? – Interrompe outra vez Doidinho.

A velha tosse disfarça a cera quente que lhe queimou a mão e deixou o livro cair ao chão. Olha para Doidinho como se fora uma fera acuada. Mas ela está imbuída do espírito empreendedor e fará desse jovem monstro alguém com alguém fumaça de cultura.

Pega o livro no chão, abre a esmo e torna a leitura.

__Canto XXIII. “Sem companhia, pois, mudos, sozinhos, íamos, uma à frente, o outro atrás, como os frades marchando nos caminhos...”

Batendo os pezinhos e a cabeça no chão, Doidinho grita para a Dona Dedé:

__Tia Dedé, falta muito para o Inferno? – Interrompe Doidinho.

Enfastiada, aborrecida, sentida pela total ignorância daquele jovem representante da degradação sangüínea de sua velha estirpe, a majestosa e meio decadente senhora, toma o moleque pelas mãos, e segurando a vela, sobe as escadas do velho casarão em direção ao seu quarto.
Ao lá entrar, ela coloca Doidinho diante de seu espelho de cristal, lembrança de sua muito amada tataravó.
Nesse momento um raio cruza o céu iluminando todo o quarto, fazendo com que Doidinho veja-se refletivo no espelho.
Apavorado a criança grita a ponto de balançar os quadros pendurados nas paredes dos antepassados de Dona Dedé.
E então, vindo da parte mais escura do quarto da velha tia-avó, ouve-se sua voz que diz:

__O inferno é isso aí.

Num sopro Dona Dedé apaga a vela.

ROBERTO PRADO
 
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Terça-feira, Junho 06, 2006
666 e o fim do mundo
6/6/06 às 6:6:06 h... e continuo a esperar o fim do mundo, que, não pela primeira vez é alardeado por fanáticos no mundo todo. Não, o nosso mundo físico não acabou, felizmente, embora os homens de poder se empenhem ferozmente em inexplicável empreitada.
Mas, nosso mundo ético e moral, acabou há muito tempo, nossas relações humanas, do simples ‘bom dia’ ao encontro entre diplomatas do 1º mundo, esse sim, já era!
Em todos os lugares, de guerrilhas urbanas às guerras entre continentes, os homens tem se digladiado em nome de religiões obscuras e filosofias políticas e econômicas traiçoeiras, que, em todos os casos dizima o pouco que ainda resta de humanidade em nós. O mundo realmente acabou, aquele mundo utópico, que ainda hoje, é ‘sonho de consumo’ de poucas pessoas neste planeta. O chavão que escuto desde que nasci: ‘O futuro é das crianças’, ou, ‘Esse é o país do futuro’, entre outros, deixou de significar algo importante, para apenas ser mais uma frase de efeitos em livros escolares e publicações pseudo-otimistas.
Devemos a todo custo resgatar o mundo moral, de respeito alheio, de amor, de solidariedade. Não devemos esperar que o ‘futuro’ nos encontre, e sim, fazê-lo acontecer agora, no presente, para que possamos lá na frente, ter o que comemorar.
Antes de uma reforma política, precisamos urgentemente de uma reforma humana, íntima, de princípios, que faça cada um de nós olhar para o outro e para o mundo ao nosso redor, como se fossemos um só.
Não temam o 666, mas sim os homens que acham, orgulhosos de sua ignorância, que estão certos com filosofias existencialistas e imediatas, esquecendo de seus próprios filhos e netos.
É urgente que mudemos a condição humana, para uma mais humanista e direcionada ao meio ambiente e ao próximo.

ALEXANDRE COSTA
 
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A carta
Naquela carta
toda a verdade era revelada
O grande amor!
A traição !
Uma explicação
Chegou por fim
Tarde demais.
Pois a carta reveladora
Veio psicografada!

ROBERTO PRADO
 
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Noites vazias

Sou teu brinquedo
Que desfaz
Aquelas noites vazias.
Sou teu remédio
Que cura
Aquelas feridas tardias.
Sou teu espelho
Que reflete
Toda sua vaidade.
Sou teu anjo fugido
Que invade
A tua outra metade.

ALEXANDRE COSTA
 
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Segunda-feira, Junho 05, 2006
Conheça a Sala de Arte
 
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Dia de Santo Antônio
Você mocinha sonhadora, ingênua e leitora de Sabrina, não se esqueça que o Dia de Santo Antônio já está chegando.
Já fez as suas promessas? Já pendurou o pobre santinho de cabeça para baixo? Já arrancou de seu colo a pequeno Jesus? Já praticou todo a sorte de atrocidades contra ele?
Já pulou fogueira? Já pingou gotas de cera para descobrir as iniciais do nome do seu futuro marido?
Já fez a trezena , rezando fervorosamente até os joelhos doerem?
Já arrancou os cabelos o ano passado, depois de ter feito tudo isso e nada aconteceu?
Se depois de tudo isso nada aconteceu, não perca, ainda, as esperanças. Faça tudo o foi descrito acima para São Gonçalo.
Se não der certo, suicide-se, ou conforme-se em ser a Tia Solteirona da vizinhança, assustando as criancinhas, fofocando no portão, e maldizendo as mocinhas bonitinhas e casadoiras...
Desejo a todos muita pipoca, amendoim, canjica...
Passem bem.

ROBERTO PRADO
 
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Sexta-feira, Junho 02, 2006
Ora, existe outra maneira de dizer?
O amor é assim, a vida é assim! Dualidade!
O universo é assim e todas as coisas que compreendemos ou não. Todas elas são compostas de dois elementos essenciais: o bem e o mal, o certo e o errado, o belo e o feio, etc.
Vivemos, amamos, temos relacionamentos duradouros ou não. Aceitamos, discordamos, fazemos amigos ou inimigos. Isso tudo faz parte de nossa existência. Mas (essa dualidade) é algo tão inerente à condição humana que não percebemos o processo. Não é perceptível aos nossos sentidos a maneira como essas coisas são construídas.
E essa mecânica é a mais perfeita possível, é a que nos protege e sustenta, nos faz ir para frente, não importa o que decidimos ou não. Não é destino, mas é um ingrediente da existência material e espiritual.
Mas, podemos claramente perceber isso quando se manifesta em nós e nas coisas, como por exemplo: os dois lado da moeda, faca de dois gumes, metáforas, etc.
E esse exercício de pensamento que se faz, como agora, nos coloca diretamente ligado a este processo, não para mudá-lo ou conhecê-lo melhor, mas para percebê-lo ativo, junto de cada momento nosso.
É assim que nos tornamos seres morais, capazes de atribuir valor a todos e a tudo. Decidimos, desistimos, ouvimos, escolhemos, participamos, não tomamos partido. Tudo isso são juízos de valores que carregamos em cada célula, em cada pedacinho de nossa alma.
Dualidade, destino, predeterminação: tudo isso são equipamentos construídos por um Ser que nos deu também, a caixa de ferramentas para que possamos usá-las da maneira correta. E essa ferramenta de ouro, a mais importante da caixa é o livre arbítrio.
E assim é, que o mundo é o que é. As coisas são o que são, e nós somos o que desejamos ser quando usamos a ferramenta certa para cada ocasião.
Para que tudo isso? Toda essa falação?
Ora, existe outra maneira de dizer?

ALEXANDRE COSTA
 
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Um bem e um mal
O encontro foi simulado
Uma cura para os meus males
Uma tortura para minha carne
Um bem e um mal
Mas tudo era você
Tudo era necessário.



Assim como as tuas vestes
Fossem nuvens a dissipar-se
Foram meus sonhos, caminhos
Que te trouxeram até aqui.

O amor foi simulado
Um presente para meus vícios
Uma gota de suicídio
Um bem e um mal
E tudo era eu
Tudo era necessário.

Assim como as minhas veias
Eram rios sem caminhos
Foram os teus sonhos
Que me levaram daqui.

ALEXANDRE COSTA
 
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Minha Vida
Capítulo VI

...
- Amor, vai ver se o Junior está dormindo!
- Claro querida!
Dois anos se passaram depois daquela noite sob as estrelas, e agora estávamos casados. Nunca imaginei que conheceria o amor da minha vida em uma festa despretensiosa, mas aconteceu.
Assim é o amor e a vida, minha vida! Agora, olhando para o passado com alegria e saudade, componho a imagem que me trouxe até aqui e gosto do que vejo. Continuo a ser a pessoa que sempre fui, os amigos ainda são os mesmos, mas nas festas não vou mais só. Ela é a minha deusa. A Afrodite que nunca sonhei mas que conquistei.
Eu não sou nenhum galã, mas dei sorte naquela noite. Quando perguntei se tinha namorado, ela disse:
- Não! Não dou sorte com homens, eles fogem de mim.
- Acho que eu entendo o motivo.
Sim, ela era belíssima. E isso a deixava solitária, pois mulheres assim espantam os homens.
- Mas parece que você não é de fugir. Disse ela me olhando fundo nos olhos.
- Pra dizer a verdade, eu também espanto as mulheres! E só eu sabia como.
Assim é o destino, ou não, mas o que importa agora é que estávamos juntos. Para sempre!

FIM

ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Junho 01, 2006
As Harpias*
Pensam os incautos que as harpias não existem mais (se é que já existiram), mas estão redondamente equivocados. Elas existem sim, trabalham ao meu lado. Sua voz é aguda como uma lâmina, quando elas falam, as plantas (mesmo as de plástico) fenecem, morrem. Os pombos nas janelas voam para longe e voltam somente muito e muitos dias depois, normalmente para morrer.
Elas, as harpias, não falam como nós os humanos, ela praguejam, amaldiçoam, caçoam daqueles que se encontram ausentes.
O ar à sua volta fica pestilento, a ponto de eu ter que sair da repartição para respirar.
Quando elas riem, tenho certeza que os mortos, em qualquer cemitério, se reviram em seus túmulos.
À guisa de asas, ela possuem cabelos armados com todos os tipos de produtos químicos cancerígenos (quem aposto também destroem a camada de ozônio), em lugar de penas, umas roupas feitas sobre medida (afinal são extremamente gordas) que mais parecem destaque de escola de samba.
A ladainha diária é sobre dietas, e como num ritual pagão, elas gritam entre si e para si:

- Olhem como eu emagreci de ontem para hoje!

Posso lhes garantir que é impossível ver qualquer diferença, por mínima que seja. Lêem Caras e discutem, aos berros e em altos brados o capítulo de ontem da novela.
Qual?
Qualquer uma, pois me parece que elas possuem vários aparelhos espalhados pela casa.
Sim é terrível trabalhar aqui, várias vezes pedi transferência para qualquer outro lugar, mas não consegui.
Mas pelo menos uma certeza trago em meu peito:

- O inferno É aqui, e em morrendo, vou para o céu.

*Harpia do Lat. harpeja < Gr. hárpyia, ave fabulosa de garras aduncas s. f., Mit., monstro alado, com rosto de mulher e corpo de ave de rapina; por ext. pessoa ávida e usuária;mulher de má índole e agressiva.

ROBERTO PRADO
 
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