Sexta-feira, Julho 07, 2006
FÉRIAS
Estas são as minhas últimas postagens. Estou saindo hoje de férias. Terei alguns dias para descanso e vocês terão alguns dias para lerem e comentarem com muita calma este blog antes da próxima atualização.
Até agosto gente!!!
 
posted by Alexandre Costa at 8:16 AM ¤ Permalink ¤ 6 comments
De todas as maneiras
Sem chão,
Sem teto,
Sem paredes,
Sem mistérios,
Sem vergonhas,
Sem impossibilidades,
Sem desculpas,
Sem arrependimentos.
Sem chão não podemos traçar caminhos,
Sem teto não podemos olhar para algo acima de nós,
Sem paredes não podemos nos sentir protegidos,
Sem vergonhas não podemos nos governar,
Sem impossibilidades não podemos nos impor limites,
Sem desculpas não podemos ser humildes,
Sem arrependimentos não podemos aprender com os erros.
De todas as maneiras, atribuímos valores àquilo que nos transforma.
De todas as maneiras, construímos castelos com palavras.
De todas as maneiras, somos mais do que aquilo que possuímos.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 8:14 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Nada mais foi dito ou perguntado
Eu sentia sua respiração ofegante em meus ouvidos quando me agarrou por trás. Ele levantou minha saia e senti suas mãos fortes apertarem minhas coxas. Eu podia sentir todo o seu corpo pesando em cima do meu. Virei-me rapidamente para poder beijá-lo o quanto antes. Seu gosto, seu cheiro, seu modo de levar aquela situação me fascinava. Nunca havia perdido e ganhado tanto em tão poucos minutos. Era uma sensação estranha e maravilhosa ao mesmo tempo. E nossas pernas e braços se confundiam enquanto nos amávamos. Nas duas bocas a mesma saliva, nos olhos a certeza de que éramos apenas um. Mais uma vez ele me virou, me deixando sem defesa. Depois, tudo que senti, parecia estar explodindo ao mesmo tempo. Gritei e ele me serrou os lábios. Estávamos prestes a perder totalmente o controle. E de repente, tudo explodiu em milésimos de segundos, mas se espalhou por longos momentos perfeitos. Agora, eu e ele estávamos cansados e totalmente entregues. Suas mãos fortes ainda me seguravam prontas para outra investida. Eu ainda o abraçava tentando eternizar aquele momento. Assim ficamos por um tempo até que ele sorriu e perguntou:
- Como é o seu nome?
- Carolina – Respondi ainda muito cansada.
No momento seguinte, as luzes se acenderam e o elevador voltou a funcionar. Quando chegamos ao térreo nos despedimos e nada mais foi dito ou perguntado.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 8:13 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Desengano
Eva entrara em minha vida tão de repente quanto saiu. Uma faísca e um incêndio ao mesmo tempo. Talvez tivesse sido tudo diferente seu eu não fosse tão molengão. Tudo começou há um ano atrás, quando decidi fazer aulas de meditação. Ela era a mais atrevida da turma, na verdade era difícil fazê-la ficar concentrada em alguma coisa. Talvez fosse esse o motivo de estar lá. Em dois dias ela já havia me convidado para dar um passeio pela praia. E como eu haveria de recusar?
Naquele dia ela estava especialmente bonita, enquanto eu, de chinelo, sunga e filtro solar no nariz, parecia um extraterrestre que acabara de cair no planeta.
Ela riu, e riu muito, até eu pedir para parar. E daí por diante a tarde foi quase perfeita, não fosse a minha alergia de areia da praia. Mas isso ela não sabia, não até aquele momento.
Bem! Sem perguntar uma única vez, ela me falou que se interessava por pessoas assim como eu: quietas. Acho até que ela queria dizer ‘estranhas’, mas foi delicada com as palavras.
Em um mês estávamos namorando firme – pelo menos para ela era assim.
Mas Eva era uma mulher totalmente independente, e eu, como pássaro de gaiola que ganha a liberdade, não sabia o que fazer com ela. Enquanto o tempo passava, eu aprendia com suas idiossincrasias. E assim foi que um dia Leo entrou para a turma. Os olhos dele brilhavam como duas chamas. Eu não era nenhum galã, nem tinha músculos como Leo, não tinha carro também, nem morava sozinho como ele. Esses eram os motivos – bem fortes – que nos diferenciavam. Hoje, eu e Eva não nos falamos mais. Ainda guardo o bilhete de despedida com as manchas de batom e lágrimas que ela derramou. Eu e Leo estamos muito felizes juntos, e quando lembramos o passado, digo para ele: ela foi apenas um desengano!

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 8:12 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Ritinha III
Ritinha entrou na pequena sala de 7 metros quadrados à espera de um remédio para o seu mal. Despejou todas as queixas que tinha na pobre mulher do outro lado, e pediu um remédio a base de produtos naturais. Depois de alguns minutos de procura na prateleira, recebeu em suas mãos, um remédio contendo mel, gengibre e aroma de hortelã. Confusa com tudo, já que seu mal era de amor, perguntou:
- Mas pra que isso?
- Para fazer os homens se aproximarem de você.
- Mas isso é remédio para o hálito?!?
- Adivinhou meu bem!

ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Julho 06, 2006
O quintal dos sonhos
Debaixo da amoreira, a sombra fresca era o meu prêmio naquele dia de sol. Ali, deitado com as pernas esticadas e os braços atrás da cabeça, eu descansava depois de colher as frutas, que deixavam uma tinta forte em meus dedos. Assim eu vivia a minha infância, colhendo amoras e brincando na terra à procura de tocas de coelho. Meu avô trabalhava na carpintaria que ele mesmo construiu. Um local cheio de ferramentas e todo tipo de bugiganga. Ficava ali durante horas, pregando e serrando todo tipo de madeira na construção de pequenos móveis para os vizinhos, e até que ganhava um bom dinheiro. Entre um descanso e outro, pitava um cigarro que ele mesmo enrolava, tomando suco de lima que minha avó fazia com muito carinho. Eu? Eu o ajudava às vezes, quando tinha de pintar alguma peça. Mas a minha diversão mesmo era brincar no quintal. Lá que eu era feliz. Bolinha de gude, pega-pega, futebol, subir nas árvores que rodeavam o terreno do meu avô. Quando a noite caía, ficávamos deitados no chão olhando as estrelas e contando histórias de fantasmas e heróis. Hoje, aqui nesta cidade grande e sem espaço, sinto falta do meu quintal e das brincadeiras, da minha infância e do suco de lima da minha avó. Hoje, posso apenas sonhar com tudo isso. Um doce e amargo sonho que ao mesmo tempo conforta e incomoda. O tempo passou para mim, mas a lembrança daqueles dias ficou. Não tenho medo do que virá daqui pra frente, pois onde eu estiver, comigo levarei a imagem do meu quintal dos sonhos.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 8:09 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Quarta-feira, Julho 05, 2006
A felicidade
A felicidade me disseram
Está no primeiro olhar
Num rosto iluminado
Num sapato macio
No sol que bate na janela de manhã
No silêncio do relógio mudo
No sorriso que ele te deu
No beijo que ela roubou.
Ah! Mas, feliz mesmo
É quem reencontra o que perdeu
Planta uma dúvida na multidão
Compreende as notícias no jornal
Descobre que aquele beijo não foi por engano
Segura a criança que começa a andar
Escreve para entender melhor
Pergunta mas não quer saber.
 
posted by Alexandre Costa at 8:05 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments