Eva entrara em minha vida tão de repente quanto saiu. Uma faísca e um incêndio ao mesmo tempo. Talvez tivesse sido tudo diferente seu eu não fosse tão molengão. Tudo começou há um ano atrás, quando decidi fazer aulas de meditação. Ela era a mais atrevida da turma, na verdade era difícil fazê-la ficar concentrada em alguma coisa. Talvez fosse esse o motivo de estar lá. Em dois dias ela já havia me convidado para dar um passeio pela praia. E como eu haveria de recusar?
Naquele dia ela estava especialmente bonita, enquanto eu, de chinelo, sunga e filtro solar no nariz, parecia um extraterrestre que acabara de cair no planeta.
Ela riu, e riu muito, até eu pedir para parar. E daí por diante a tarde foi quase perfeita, não fosse a minha alergia de areia da praia. Mas isso ela não sabia, não até aquele momento.
Bem! Sem perguntar uma única vez, ela me falou que se interessava por pessoas assim como eu: quietas. Acho até que ela queria dizer ‘estranhas’, mas foi delicada com as palavras.
Em um mês estávamos namorando firme – pelo menos para ela era assim.
Mas Eva era uma mulher totalmente independente, e eu, como pássaro de gaiola que ganha a liberdade, não sabia o que fazer com ela. Enquanto o tempo passava, eu aprendia com suas idiossincrasias. E assim foi que um dia Leo entrou para a turma. Os olhos dele brilhavam como duas chamas. Eu não era nenhum galã, nem tinha músculos como Leo, não tinha carro também, nem morava sozinho como ele. Esses eram os motivos – bem fortes – que nos diferenciavam. Hoje, eu e Eva não nos falamos mais. Ainda guardo o bilhete de despedida com as manchas de batom e lágrimas que ela derramou. Eu e Leo estamos muito felizes juntos, e quando lembramos o passado, digo para ele: ela foi apenas um desengano!
ALEXANDRE COSTA