
Procuramos em nosso quintal sombras que nos confortem, frutos que nos alimentem com esperanças, raízes fortes que nos mantenham firmes em nosso frágil caminho, coragem para deixar nossos pré-conceitos, amor pra recomeçar!
Vivemos de ilusões - aquelas que nos confortam - e nos mantêm firmes com o pé no presente e os olhos voltados para nosso umbigo. Não estamos errados, mas preparados para defender-se de tudo e todos. O mundo real nos avisa e nos agride todos os dias só pra dizer que ele está ali nos nossos calcanhares, à espreita. Espera que com um descuido nosso, ultrapassemos as barreiras de nossa ilusão - feita e preparada por nós mesmos para nos defender e manter-nos vivos.
Mas nossas ilusões nos protegem, e em determinados momentos, nos afasta desse mundo real. Mas nós sabemos que tudo isto é muito pouco, muito distante, muito frágil.
Vivemos em paz, mas a natureza humana não é de paz. Vivemos juntos com base em um "contrato social", mas somos seres individuais. Vivemos com medo, porque é ele quem nos impõem limites.
E assim - vivendo sem querer viver o que vivemos - nos mantemos 'vivos' dentro desses dois mundos: o ilusório e o real. Alimentamos os dois para que um não venha nos roubar do outro. Temos os pés fincados nessa linha divisória - que nos permite ver os dois lados.
Isso é bom, porque nos faz equilibrados - quando nos mantemos firmes em cima dessa linha.
Nós precisamos das ilusões - e este mundo ilusório - precisa de nós para que o alimento que damos a ele (nossas fraquesas, esperanças, medos, dúvidas, teimosias, raiva, etc), não o encoraje a nos sequestrar e nos mater reféns. Nossa força, alegria, esperança, amor, coragem, guardamos para alimentar o mundo real - aquele em que vivemos de fato.
E viver das ilusões que alimentam esse nosso mundo real pode ser de fato um caminho seguro. Mas, ilusões concretas. As utopias são caminhos de estrelas - longas demais para a luz nos alcançar.
Pense nisso, ou não pense em nada. De qualquer modo você estará certo!
ALEXANDRE COSTA