Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Poeminha de Dona Dedé
Dona Dedé sempre sentada
Em sua cadeira de balanço
Para frente e para trás
Tricotando uma mortalha sem fim

Indo e vindo na cadeira
Indo e vindo na cadeira

Um olho no ponto
O outro no sobrinho-neto

Um olho no ponto
Outro no Doidinho

Um olho no ponto
Outro no moleque

Um olho no ponto
E...

De repente um grito
Um ai, profundo e doloroso

Trocando o olhar
Errando o ponto
Espetou a agulha no dedo

E sobrou para o pobre do Doidinho
Que pela primeira vez inocente
Apanhou da mãe e pai

Pobre Doidinho
A vida não lhe faz justiça!

ROBERTO PRADO - ESPECIAL PARA CONTOS E CULTOS
 
posted by Alexandre Costa at 7:59 AM ¤ Permalink ¤ 5 comments
O velho casarão
Na parede, desbotada, de cor vaga e manchada, um retrato de família, coberto de poeira e cocô de mosca, é a última reminiscência de um dia feliz, onde todos se reuniam para almoçar aos domingos. Abrir presentes no Natal, abraçarem-se no reveillon.
Nada mais resta deles, além de um retrato, em preto e branco, que com o tempo tornou-se sépia, e desbotando-se pouco a pouco, extinguirá o derradeiro resquício de uma família.
As gretas, apostando corrida com tempo, estão prestes a deitar abaixo o velho casarão...
Lá fora a mata espessa cobriu o velho portão de ferro, o vento bate as poucas janelas que sobraram nos batentes, presas por trepadeiras e outras ervas daninhas.
Os únicos resquícios de vidas são os ratos, que correm e percorrem todos os caminhos, e uns sons de correntes à noite...
Quem ganhará a corrida para o olvido?

ROBERTO PRADO - ESPECIAL PARA CONTOS E CULTOS
 
posted by Alexandre Costa at 7:57 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Terça-feira, Setembro 26, 2006
PÉS













Aproveitando a postagem no Nêmesis sobre 'os meus pés', resolvi fazer uma blogagem coletiva e dar a minha versão sobre 'pés'.


Onde quer que você me leve
Que seja leve o caminho
E o pesar de tantos desvios.
Onde quer que você se dirija
Que me leve em passos largos
Com motivos escassos
E sem tristezas.
Onde quer que você me leve
Me leva sem peso
Sem medir distâncias
Sem pedir descanso.
Seja como for
Que pés e outros meios
Me levem até o meu amor.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:24 AM ¤ Permalink ¤ 6 comments
 
posted by Alexandre Costa at 8:04 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Segunda-feira, Setembro 25, 2006
QUEM?
- Alô.
-Alo. Que falar com quem?
- Sim, por favor ela está?
- Quem?
- Sim, ela está?
- Ela quem?
- Sim, a Ken está?
- Quem está sou eu?
- Você é a Ken?
- Não eu sou a Ro.
- E Ken. Não está?
- Quem não está eu não sei, eu sei que eu estou.
- Se ela não está por que você não me disse antes?
- Disse o quê?
- Que Ken não estava.
- Mas como eu vou saber quem está?
- Ora, se você perguntar a ela?
- Ela quem?
- Sim, ela, Ken.
- Não serve eu?
- Eu quem?
- Ro.
-Não!
- Então você quer falar com quem?
- É...ela está?
- ...
 
posted by Alexandre Costa at 8:25 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Sexta-feira, Setembro 22, 2006
O Amor faz a Liga
Depois de ler o post “Recados de Amor” da Sandra Pontes em seu site, fiquei com essa sensação de que deveria escrever algo sobre o assunto. Lá, ela mostra como um casal tem seu relacionamento mudado ao longo de 10 anos de convivência. O que no começo era encarado como ‘uma coisa normal e bonitinha’, se transforma em ‘uma coisa que incomoda e irrita’ o outro. Assim, se no começo da relação ir à rodoviária buscar a sogra era motivo para ELE agradá-la, depois de algum tempo, isso se transformava em um martírio para AMBOS, algo para desencadear uma briga.
No comentário que fiz disse: “É Sandra, nas relações humanas tudo tende para um estado natural de ‘caos’. Uma entropia que vai fragmentando normas, valores e atitudes. Mas, enquanto houver respeito, o amor perdura e acaba fazendo a liga!!!”
Pois é isso aí mesmo, com o tempo as coisas vão se estreitando, as atitudes e regras vão ficando mais rígidas e, o que antes não acontecia, agora virou rotina. Isso porque no começo de uma relação um está CONQUISTANDO o outro. Passada essa fase da conquista (com sucesso), temos a fase da MANUTENÇÃO, onde se pisa em ovos e se aceita muitas coisas (até erros são tratados com muita tolerância). Com o tempo vem então a fase da ACOMODAÇÃO, onde os dois conhecem muito bem o outro, e aí, então, a tolerância começa a diminuir, cada um pensa mais em si (em termos de estar com a razão). Não se colocam mais um no lugar do outro. A última fase é a da ACEITAÇÃO. Cada um sabe exatamente como é o outro, suas manias e idiossincrasias.
Esta fase não se caracteriza apenas pela discordância incondicional entre os dois, mas também pelo respeito de ambos a esse ‘modos operandis’ de cada um. Nesta fase o que mais tem valor é o RESPEITO que ambos tem um pelo o outro. O amor já se modificou drasticamente desde o início da relação, mas ‘modificar’ não quer dizer acabar, mas sim, MUDAR para algo que se comporta como uma ‘ligação’ afetiva muito grande.
As brigas tendem a diminuir e (como numa viagem ao túnel do tempo) opera-se uma sensação de volta aos velhos tempos, quando eles ainda estavam se conhecendo. Mas com uma pitada de experiência acumulada. Mas, nem sempre as coisas acontecem desta maneira.

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, MAS PODE NÃO SER!

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 8:48 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Segunda-feira, Setembro 18, 2006
Blog novíssimo
Todos temos medo de alguma coisa. Ou você não tem medo de nada?
A intenção do autor é mostrar que o medo é uma reação natural e sadia do ser humano.
Li e gostei!
Veja o POLIFOBIA.
 
posted by Alexandre Costa at 9:21 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
MUNCH, DRUMMOND, MOLIERE E ALMODOVAR
Eu estava lá, e bem devagarzinho como se fosse um vento leve a soprar montanhas, deixei-me pousar em seu colo. Ela estava lá, e quase nem percebeu que aquele ato impensado de seu corpo nos colocaria tão perto que a pele dos olhos tremeriam de desejos impensáveis!
Meus lábios secos e os dela úmidos, distantes como frase em outra língua, cuspiam outras palavras impronunciáveis. Ao redor, tudo que havia, estava lá por algum motivo, e o que não estava fazia sentido também.
Cabelo e dedos, mãos e perna, tudo sincronizava e nada se movia.
Meus pensamentos em terceira pessoa rimavam com meu medo: Ele estava lá, ela estava lá, e tudo mais que podia caber em tantos desejos estavam lá também.
Mas a falta do movimento que não havia completava nosso martírio.
“Agora eles não tinham mais nada a dizer, a não ser palavras que não se falam, gestos que não se completam, pensamentos que não se realizam.”
Nós estávamos ali, e bem lentamente como se fosse areia a deitar em vidro quente, nos tocamos pela primeira e última vez, como se fosse pela necessidade de se tocar, como se fosse pela vontade de se tocar. E um grito de uma garganta seca, rompeu o silêncio que não havia, lábios se tocaram e trocaram a umidade pela unidade, e pelo olhos sentimos na pele o calor e a dor da falta de toque.
Toda aquela cena: um quadro de Munch, um poema de Drummond, um texto de Moliere, um filme de Almodóvar!

ALEXANDRE COSTA
IMAGEM: O GRITO (MUNCH)
 
posted by Alexandre Costa at 9:02 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Arranca do meu peito
A tua falta
A tua ausência
Mastiga minhas veias.
Toma meu sangue
Em seu colo côncavo
E brinda nosso destino.
Adoro em vão
Teu corpo sagrado
Maculado
Aleijado de paixão.
Você é essa
Toda minha prisão
De amor
De corpo
De ventre
De ilusão.


ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 9:00 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Sexta-feira, Setembro 15, 2006
Ritinha IV
Ritinha olhou para os lados, depois para o teto, fitou a foto da família na cabeceira da cama, já era tarde! A cama de molas balançava com um vai-e-vem frenético.
Ela sussurrava alguma coisa entre o incompreensível e o lamento. Sabia que sua vida amorosa era péssima, mas insistia na tentativa de ser feliz um dia (ou uma noite que fosse).
Pesando em cima de si, o namorado, que em vão tentava levá-la a um orgasmo.
Mas ela só conseguia pensar no estrago que a cabeleireira fez ao tingir seus cachos de vermelho!
 
posted by Alexandre Costa at 8:25 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Quinta-feira, Setembro 14, 2006
"Eu só perdôo os mortos, eles estão livres de errarem outra vez."

ROBERTO PRADO
(ESPECIAL PARA CONTOS & CULTOS)
 
posted by Alexandre Costa at 8:10 AM ¤ Permalink ¤ 4 comments
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
THE END
Doidinho e Dona Dedé Percebem Algo Errado.

Na janela do velho casarão, com os cotovelos apoiados no batente, Dona Dedé afaga os cabelos de Doidinho, que tristinho chora baixinho, perguntando:

__O que será que houve Tia Dedé? Ele tá chateado com a gente? Foi alguma coisa que eu fiz?

Suspirando profundamente, a encanecida senhora responde:

__Não sei meu filho, não sei. Olho para o céu todos os dias, leio as cartas do Tarô, minha bola de cristal, na borra do café... Mas nada, nada, me responde...

Na janela do velho casarão, os dois suspiram.

A quase centenária senhora, deixa uma furtiva lágrima, escorrer pela face enrugada, ao perceber que Doidinho não saiu correndo para procurar suas cartas de Tarô nem tão pouco a bola de cristal (que não existe)! Dona Dedé murmura:

__...errado demais. Será o fim?

Em volta da janela, as paredes, os móveis, e tudo mais parece desvanecer-se, Biscoito, o papagaio cala-se.

O silêncio abrange tudo!



O ÚLTIMO POEMINHA DE DOIDINHO E DONA DEDÉ.

Na casa
Não mais loucuras
Não mais insanidades
Somente a certeza do certo
Do lógico
Do esperado
Acabaram-se as surpresas
Findou o absurdo
Os barulhos
Ruídos fantasmagóricos
O real reina absoluto
Tudo é como deve ser
Deveria ter sido sempre
E para sempre será
Sem dúvidas
O inesperado, foi-se
Para todo o sempre
O pai de olhos vazios
A mãe de olhar distante
Na carteira, a foto de Doidinho sumiu
Na parede da sala, o grande quadro à óleo de Dona Dedé
Já não está
Teria sido, tudo o que viveram, um porre Homérico?
Uma ilusão?
Uma graça divina, desperdiçada?
A vida, embora sossegada
Agora é cinza
O que é, é
O que tem ser, é
De mãos dadas
Com as vidas sem rumo
O pai e mãe, sem se falarem
Perguntam-se:

__O que é de Doidinho e Dona Dedé?

...e lá no éter

Dona Dedé sorrindo, está com Doidinho em seus braços
E com as asinhas brancas cobrindo seu corpinho
Ele dorme o sono dos anjos

Para os pais a vida segue
Mas, para onde?
E para quê?


Fim

ROBERTO PRADO
(ESPECIAL PARA CONTOS & CULTOS)
 
posted by Alexandre Costa at 10:12 AM ¤ Permalink ¤ 6 comments
 
posted by Alexandre Costa at 8:42 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
DA REDAÇÃO III
Tenho estado ocupado ultimamente com trabalhos paralelos ao Blog, mas saibam, amigos, que continuo lendo-os. Falta-me tempo para comentar, pois comentários não devem ser vazios ou bonitinhos apenas para agradar e angariar mais leitores!
 
posted by Alexandre Costa at 8:31 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Os amanhãs são possíveis?

Talvez amanhã
Não nos lembremos mais
Ou se possível fosse
Que tudo se transformasse em hoje
Pra não termos que esquecer!
 
posted by Alexandre Costa at 8:48 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
 
posted by Alexandre Costa at 8:37 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
"NOVO BLOG NO AR"
Quem foi Nêmesis

Nêmisis era a deusa do destino e da fúria divina contra os mortais que desrespeitavam leis morais e tabus. Representava a força ríspida e implacável, que não estava submetida aos ditames do Olimpo. Suas sanções tinham a intenção de deixar claro aos homens, que devido a sua condição, não poderiam ser excessivamente afortunados. Ela castigava aqueles que cometiam crimes e ficavam impunes e recompensava aqueles que sofriam injustamente ou não tinham boa sorte.
Foi Nêmesis que castigou Narciso, depois que numerosas donzelas desiludidas pelo belo jovem clamaram por vingança aos céus. Um dia, ao sair para caçar, a deusa provocou um calor tão forte que Narciso teve de aproximar-se de um arroio para beber água. Ao ver seu reflexo no espelho d'água, ficou deslumbrado com a imagem e ali ficou, contemplando-se até morrer.

Na mitologia mais recente, Nêmesis aparece como uma figura monstruosa, furiosa e sedenta por vingança. Nos tempos antigos, porém, ela era representada por uma mulher alva alada que punia todos que transgrediam as regras morais e sociais impostas por Themis, a deusa da justiça. Ao contrário das Erínias, o poder de Nêmesis não era retaliador, mas sim de restabelecimento da ordem justa, tirando a felicidade ou riqueza excessiva dadas por sua irmã Tyche. Nêmesis, em seu aspecto de Adratéia (a inevitável), era representada com uma guirlanda na cabeça, uma maçã em sua mão esquerda e um jarro na direita.

Leia o texto completo em http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusanemesis.htm
 
posted by Alexandre Costa at 8:19 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
ATENÇÃO: ESTE TEXTO FOI FALSIFICADO
Hoje se falsifica de tudo, até batatas fritas! E não há nada que eu ou você possa fazer para mudar isso.
Falsificam-se remédios, atestados médicos, pulseiras de campanha sociais.
Falsificam-se idéias.
Mas a única coisa que não se falsifica é a mentira
A corrupção é a mentira convertida em verdade.
É uma falsificação da realidade.
Falsificam-se brinquedos, utensílios, ferramentas, alimentos.
Falsificam-se sentimentos.
Mas a única coisa que não se falsifica é a vergonha.
A mentira não passa pelo crivo da consciência, que julga e condena.
Será que somos todos corruptos ou desavergonhados?
Falsificam-se votos, dinheiro, passe de ônibus, óculos de sol.
Falsificam-se direitos e deveres.
Mas a única coisa que não se falsifica é a moral.
Falsificamos ideologias, mundos perfeitos, sociedades igualitárias.
Somos assim, propensos a todo tipo de doença, inclusive a da falsa coragem.
Hoje se falsifica de tudo, linhas de pesca, cds e dvds, textos literários.
Perfis de Orkut e Blogs!
Só não se falsifica a discórdia.
O autor deste texto também foi falsificado, senão, que sentido teria tudo isso?
 
posted by Alexandre Costa at 2:55 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Sexta-feira, Setembro 01, 2006
HISTÓRIA PRA GENTE DORMIR
Aqui havia, em outros tempos, uma pessoa comum, que ao olhar pela ‘janela’, podia ver apenas aquilo que desejava. Essa pessoa abraçava a si mesmo todos os dias, porque era feliz consigo mesma (e se orgulhava disso), e o mundo lá fora, nunca teve a oportunidade de se mostrar verdadeiramente para ela.
Assim, todas as aventuras que poderiam fazer parte dessa parceria, nunca aconteceram. E viver sem aventuras parecia ser o ‘normal’ na vida de qualquer um (pensava ela).
Se era verdade ou mentira que alguma mudança poderia fazer sentido na vida, isso não era motivo relevante para que ela mudasse de atitude.
Mas, num certo dia chuvoso e frio, o vento atirou um graveto que veio bater em sua porta. Aterrorizada com a possibilidade de haver ‘algo’ lá fora, ela com muita dificuldade foi ver pela ‘janela’. Ao olhar, encontrou uma paisagem totalmente diferente daquela que acostumou-se a ver todos os dias de sua vida. “Tem alguma coisa diferente lá fora” pensou ela. “Não me lembro de ter visto essas ‘cores’ antes”.
A curiosidade foi mais forte que o medo e ela abriu a ‘porta’. No minuto seguinte foi invadida por todas aquelas ‘cores’. E mais! ‘Sabores’ e ‘odores’ diferentes também a tomaram de surpresa. Num golpe forte do vento a ‘janela’ se quebrou e ela pode ‘ver’ coisas que o ‘vidro embaçado’ não deixava anteriormente.
A vida venceu.
Ali havia agora, uma outra pessoa, mais verdadeira e mais dissimulada, mais experiente e mais cautelosa.
Estava tudo ali, em frente a ‘janela’ que ela olhava sem ver, na porta que ela trancava por fora e não conseguia sair.
“Não tire nenhuma lição disto, afinal somos todos assim. Contamos contos pra fazer pontos e diluir nossas dúvidas e angústias.”
Aqui existe agora uma porta aberta, uma janela sem vidros, mas não há mais uma mulher comum.
 
posted by Alexandre Costa at 9:09 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments