Terça-feira, Outubro 31, 2006
Acabou!
No começo tudo era novidade e a esperança de que desse certo pairava no ar como perfume de gardênia, mas o tempo passou e outros ventos trouxeram outros motivos que levaram o perfume e a esperança para longe da certeza.
E a certeza já não era mais certa, e uma profunda amargura tomava conta de tudo.
Era como se um coração sadio adoecesse de uma hora para outra. E além de tudo isso, uma profunda decepção com tudo acabou desviando seu olhar para outras coisas. Viver agora já não era tão importante quanto antes. Viver estava em segundo plano, o que se esperava agora com todas as forças da alma era uma sobrevida.
Mas este resto de vida não foi preenchido com nenhuma novidade ou alegria. De otimista passou a pessimista, e a depressão se aninhou em suas artérias, músculos, cabelos, tomando conta de seu corpo e sua alma.
Os ‘outros’ venceram a batalha. Vieram buscá-lo no dia de hoje e o levaram para um mundo vazio e de esquecimento. Um alívio para quem já não o aturava mais.
Sua morte fazia sentido apenas para ele. Alguns até sentiriam sua falta, mas mesmo assim ele sempre pareceu descartável para a conjectura das coisas.
Morto em dia de sol, sem enterro e sem convite.
Acabou!
 
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Sexta-feira, Outubro 27, 2006
AS COISAS PERTINENTES DA VIDA OU (Como decorar sua sala para as visitas)
“O amor é pertinente, assim como a paz, a razão lógica e o pão de fécula de batata.”

Não há nada de errado com a frase acima, pois dela tiramos tanto coisas muito particulares quanto generalizadas. E assim é que das coisas da vida (realidade, fato), não veremos palavras, mas coisas evidentes.
E é evidente que devemos levar em consideração tanto aquilo que nos é apresentado como fato como também o que imprimimos como sensação apenas. E é fato que a vida depende muito do amor e da razão, sentimentos cada dia mais raros neste mundo.
Nas particularidades encontramos afinidades que nos unem e separam ao mesmo tempo. Nas generalidades nos misturamos e mesclamos nossos ‘modos’ numa sopa tanto divergente quanto convergente. Assim, das duas maneiras nos procuramos e nos afastamos entre si.
Tanto o amor quanto a razão fazem parte do processo e moldam as atitudes e sentimentos.
Quando tomamos conhecimento dos fatos cotidianos, somos envolvidos por generalidades, vindas dos meios de comunicação. Somos vacinados com doses de informação fragmentada e cheia de imparcialidade, beirando até a indiferença. Mas quando sussurramos no ouvido alheio, dividimos nossa particularidade com o outro. E para isso chegamos bem perto do outro à distância de um sopro, à distância de um beijo, à distância de um toque.
A razão julga e dá razão ao que é mais prazeroso e vantajoso. A sensação faz o resto.
Os homens se afastaram disso tudo, e hoje, preferem apertar botões num gesto acéfalo e impessoal.
Mas, para aqueles que ainda cultivam o encontro semanal, o beijo matinal, o bom dia de outrora (carregado de desejos verdadeiros): aqui vai uma bela receita de café da tarde para as suas visitas.
Junte seus amigos, coloque na mesa um jarra de café bem quente, salpique canela ou derreta uma barra de chocolate dentro da xícara. Corte em fatias bem grossas um delicioso Pão de Fécula de Batata, passe uma grande quantidade de manteiga derretida e perca toda a tarde jogando conversa fora.
 
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Clik
Seus brilhantes olhos de vidro
Me olham estáticos e famintos
Me aprisiona num momento único
Na retina a imagem congelada.
Estou imóvel e desabrigado.
De todas as minhas armas
Tenho apenas aquele sorriso
E um olhar descabido.
Você apenas me olha e me prende
Nesse momento sem fim
Nesse conto inverídico
De um clik fotográfico.
 
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Uma canção é para cantar, um sonho é para contar









O sonho
Picasso

A sensação que um bom sonho imprime nos deixa estáticos por um dia inteiro. Esse sonho foi assim, até agora não consegui me livrar dele, e isso é ótimo. Mas o desejo de voltar esta noite a revê-la, grita em muitos tons em minha mente. Estou aprisionado por este sonho e sua veracidade.
É uma espécie de anestesia que nos deixa imunes aos acontecimentos ordinários do dia.
Não basta apenas lembrá-lo a cada minuto, tenho também de expô-lo para torná-lo verdadeiro. Se não fosse assim, qual sentido teria?
Compartilhar essa sensação seria perfeito, mas a deusa do sonho só existe em minha mente. Então, como transformá-la em real e viver novamente nosso encontro?
Esta é apenas uma pergunta retórica. Ficarei assim por hoje, à espera de voltar a dormir, reencontrá-la e recomeçar de onde paramos.
Uma canção é para cantar e um sonho é para contar.
 
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Quinta-feira, Outubro 26, 2006
TODOS OS MEUS VERSOS



















Todos os meus versos
Cabem em uma linha
Todas as vírgulas, porém
Contariam uma história.
São pausas que respiram fundo
Pra dizer que te procurava
Quando você parava para ouvir
Em cada espaço indizível
O que eu teimava em omitir.
Ah... se fosse amor!
 
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Quarta-feira, Outubro 25, 2006
O CONVITE
Quando cheguei não havia nenhuma indicação de que ela me esperava, mas disse que havia recebido meu convite pelo e-mail, mas eu não havia mandado nenhum, aliás, tinha recebido um dela.
Só a conhecia pela Internet, então, este seria o motivo ideal: um engano.
Fiquei imaginando como seria minha anfitriã: alta, morena, cabelos compridos, olhos azuis, corpo malhado, medidas perfeitas, voz suave, um anjo sem asas. Sim, porque não sou de esperar pelo pior.
Aquela surpresa me excitava e no caminho até sua casa fiquei fantasiando muitas coisas. Aquela seria uma noite inesquecível para os dois.
Cheguei no prédio e toquei o número do apartamento, minhas pernas tremeram, pensei: "Ela deve ser incrível. Linda, solteira e morando sozinha, é tudo que um homem deseja."
Ao atender o interfone pude ouvir um cachorro latindo desesperadamente e uma criança gritando, e no meio de toda aquela bagunça uma voz rouca aos berros perguntando: - Quem é?
Fiquei empastelado e mudo na frente do aparelho enquanto ela não parava de repetir.
- Quem é? Tem alguém aí? Fala logo que eu to ocupada!
O que eu diria agora? Surtei.
- É o gás.
- O gás? Essa hora?
- É um serviço especial de entrega.
- Mas eu não pedi gás.
- Sim. Nós só estamos passando para verificar se está tudo bem.
- Bem? Claro que está.
- Então tá minha senhora, qualquer coisa basta ligar para nossa empresa e viremos entregar a qualquer hora.
- Eu não preciso de gás, meu prédio tem encanado.
Bom! Agora a vaca foi pro brejo mesmo. Tentei disfarçar.
- Mas é gás combustível.
- Mas eu não tenho carro.
Enquanto isso ainda pude ouvi-la pedir aos berros para a criança e o cachorro se calarem.
- Então tá minha senhora, acho que foi engano mesmo.
- É. Acho que foi mesmo.
- Então até logo!
- Espere aí. O senhor não entende de encanamento?
- Não senhora, a empresa apenas entrega gás.
- Eu estava precisando de um torneiro aqui em casa pra arrumar minha descarga do banheiro.
Nessa hora todo o encanto já havia se perdido e aquela foi a gota d’água.
- Por que a senhora então não liga para uma empresa especializada?
- Já liguei mas eles não atendem urgências.
Então foi que pensei: "Por que não?" Eu já tinha perdido minha noite mesmo, e ‘eu’ entendia de hidráulica. Resolvi subir.
Ao abrir a porta vi uma morena escultural, alta, de cabelos compridos, olhos azuis, com medidas perfeitas, um anjo sem asas. Só a voz não combinava.
- Olá – disse gaguejando.
- Oi. Você pode vir por aqui.
Ela me levou até o banheiro para arrumar a hidra. Pra disfarçar tive de enfiar a mão lá dentro. Depois de 5 minutos eu estava cheirando igual urubu morto. Foi então que perguntei:
- É sua filha?
Foi então que tudo mudou.
- Não! De jeito nenhum. Minha vizinha saiu à tarde e deixou a filha dela e esse cachorro dos infernos aqui pra eu tomar conta e ainda não voltou, e pra piorar tenho um encontro com uma cara que ainda não chegou. Ta atrasado o imbecil. Eu detesto esperar e...

ALEXANDRE COSTA
 
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NÃO
O teu corpo vai abrindo caminho em mim, e o meu,
exilado e sem destino entre seus braços
me faz a vítima perfeita e fiel.
Me abraça, me aperta, me deixa e volta.
Me abre e me fecha tantas vezes,
que perco a hora de dizer NÃO.

ALEXANDRE COSTA
 
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Terça-feira, Outubro 24, 2006

 
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Segunda-feira, Outubro 23, 2006
Maria Beatriz
Aquele seu olhar
inédito, exclusivo
acompanhado de um sorriso,
foi tudo o que eu imaginava.
E seria sempre assim, durante todos aqueles dias.
Lá atrás, brincando com a lembrança
de nos ter novamente juntos, o tempo
também sorriu.
Hoje, ele conta essa história
só para nós ouvirmos.
E aquele tempo, mordido de ciúmes,
nos encontra novamente juntos,
à espera de um beijo, que sela mais uma despedida.
Despedida que nunca é para sempre, mas
para mais tarde!

ALEXANDRE COSTA
 
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Então...
Então ficamos assim
A olhar outros olhos
Dentro dos meus e dos teus.
A procurar palavras em cada boca
Gestos em cada movimento.
Ficamos assim
A esperar por um beijo
Entre minha alma e a tua.
Em cada segundo vivido
Por entre as linhas que nos descrevem.
E se não fosse assim
De que modo e tempo
Nossos corpos em movimento
Lado a lado
Em cima e embaixo
Juntos
Separados
Se entenderiam?
 
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Sexta-feira, Outubro 20, 2006
ÉTI(TI)CA ou A Lei de Gerson na prática
Desde a década de 70 a “Lei de Gerson” define a falta de ética do povo brasileiro. Hoje muito mais visível e descaradamente apoiada por nós mesmos (vide o resultado das últimas eleições, que levou de volta ao congresso, nosso sumido Fernando Collor de Melo – mérito do povo alagoano).
E depois falam mal do Pelé.
Além do Fernando, vamos contar para o próximo ano com outras figuras ilustres como Clodovil (que em uma entrevista recente estava mais preocupado com o próprio figurino do que com propostas para o povo brasileiro) e O Cãozinho dos Teclados (Frank Aguiar para quem não sabe).
Assim é o brasileiro, o que quer levar vantagem em tudo e por isso se engana e é enganado facilmente com propostas, juras e promessas. Ou seja, é o malandro sendo passado para trás! É digno de riso.
O dia-a-dia do brasileiro é assim: furando fila em bancos, nos pontos de ônibus; parando em cima da faixa de pedestres, fechando cruzamento, passando sinal fechado; jogando lixo no chão. E depois querem ser reconhecidos como cidadãos. Mas nem isso eles sabem o que significa.
Os nossos políticos nada mais são que o reflexo de nós mesmos.
Quem se esqueceu eu trato de lembrar: Zeca Pagodinho e um certo comercial de cerveja. Moral da história: Vale enganar, ludibriar, levar vantagem só pra mudar.
Mas, se você interpretar os dois textos abaixo, verá que (de um determinado ponto de vista), somos éticos sim e moralmente aceitos.

Ética: - Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana.
Moral: - Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada.

E não é verdade que o “nosso jeitinho” é aprovado por todos nós?
Pensem e tirem suas conclusões!

ALEXANDRE COSTA
 
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Reflita pelos próximos 100 anos


Nem sempre se é, às vezes se está!
ALEXANDRE COSTA
 
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Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Mil maneiras de nenhuma











Mil palavras não dizem
O que um pulso do coração pode mostrar.
Mil desejos não se realizam
Se nenhum coração o desejar.
Mil maneiras diferentes
Serão sempre iguais se você não mudar.
Mil vezes serão sempre mil vezes
Se você não aprendeu a contar.
Mil dias serão mil noites
Se seus olhos teimarem em se fechar.
 
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Quarta-feira, Outubro 18, 2006
PREMIERE






Está no ar a partir de hoje o jornal "O duelo".
LEIA AQUI!
 
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Terça-feira, Outubro 17, 2006
Clique Aqui!
Atualizado em 18/10/2006
[Clique nas imagens para ver em tamanho maior]
 
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Segunda-feira, Outubro 16, 2006
DEPOIS DE TUDO, NO FIM, AINDA HAVIA ALGO MAIS
O gato, trancado na gaveta, insistia em gritar feito um animal enjaulado, enquanto os telefones que voavam ao redor da sala, numa cantoria ensurdecedora e monofônica, não deixavam ninguém, que estivesse de pé àquela hora, dormir.

É óbvio que tudo parecia estar transcorrendo normalmente para quem estivesse passando por ali e resolvesse entrar para conferir. Mas num mundo psicografado pelas mentes mais diabólicas que um “ser maior” pode conceber, seria inverossímil acreditar num cenário daqueles. A não ser que você fosse também um “ser psicográfico”.
E agora devo explicar que esse estranho acontecimento, fazia parte e completava este mundo.
Mas se você me disser que tudo isso não passa de uma aventura sobrenatural, criada pela mente pérfida de um “ser psicocrônico”, provavelmente você seria capitulado no Art.1º - parágrafo único - da Lei de Repúdio ao Insólito. E daí, eu não poderia fazer mais nada por você. A não ser que você admitisse em público que tais acontecimentos faziam parte de uma “coisa maior”, que estaria fora do alcance das mentes menos favorecidas psicograficamente, como a sua.
Logo, se tudo isso é motivo para que eu continue a narrativa, assim o farei.

E no arranhar de dentes e unhas nas paredes internas da gaveta, o insistente gato tentava escapar de seu umbral.
O que ele não sabia – nem poderia – por se tratar de um animal psicomonocéfalo, é que a fechadura e as chaves estavam dentro da gaveta com ele.
Isso ratifica como uma mente tão diabólica pode ser tão brilhante.
Mas nem tudo estava perdido. Enquanto as asas das xícaras estivessem em seus lugares, presas e impossibilitadas de atacarem os telefones voadores, a paz estava garantida.
Mas no chão, as nuvens acinzentavam-se preconizando um grande temporal, rugiam ao redor dos presentes, indignados por não poderem deitar e dormir.
De repente um estrondo e um gato voando através da janela deu sentido a tudo aquilo.
As nuvens se dissiparam, os telefones abatidos pelos tiros de canhão que vinham da cozinha, se despedaçaram no chão e todos puderam dormir em paz.
E então, depois do fim, a sombra do gato, aprisionada na gaveta, começa a arranhar os ouvidos dos que se deitaram com ouvidos de ouvir.
Com a ajuda de alguns garfos e facas, puderam então jantar e esperar em paz pelo novo dia que já se prenunciava lá fora. FIM!

E você que se perguntava se o “fim” seria mesmo o fim de tudo, eu diria que depois de tudo, no fim, ainda havia algo mais.

ALEXANDRE COSTA

[ VEJA TAMBÉM MEU SITE DE DESIGNER GRÁFICO "SALA DE ARTE". ]
 
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Quarta-feira, Outubro 11, 2006

 
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Segunda-feira, Outubro 09, 2006
Meu desejo não é meu destino
Não tenho promessas pra te dar
Pois a partir deste momento e sempre
Não estarei mais aqui.
Talvez, se houver uma carta
Ou uma vontade de contar
Eu o faça o mais rápido que puder.
Serão minhas crônicas.
Versos ou prosa que contarão minha história.
Poemas ou rabiscos que não farão diferença.
Meu desejo não é estar aqui
Mas meu destino me mostrou este lugar.
A partir desde momento e para sempre.

ALEXANDRE COSTA
 
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Leia aqui todos os meses da: VIDA SECRETA DE UMA MULHER QUALQUER - ANO I

 
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Sexta-feira, Outubro 06, 2006
O ÚLTIMO POST
Sentado confortavelmente, olhava o teclado a sua frente, talvez esperando coragem ou motivo para não desistir naquela hora, mas também lhe faltava alegria de escrever. Suas palavras foram ficando escassas e vazias, não para ele mas para seus leitores.
Sentia que algo estava fugindo entre seus dedos. O encanto das novas letras não lhe fazia melhor, nem seus leitores se multiplicavam. Não era a primeira vez que pensava em desistir.
Pensava consigo mesmo: "Por que motivo eu não desisto?"
Ele sonhava em sair do anonimato e ganhar um pouco de reconhecimento e respeito. Ali, entre as paredes e móveis de seu escritório, entre o teclado e a vontade de continuar, não via motivo para isso. Olhou tudo ao seu redor, o movimento da rua através da janela, o barulho das teclas ao digitar...tudo aquilo lhe fará falta, mas estava decidido a mudar sua história. Se não haviam motivos para que fosse lido, ele também não os daria a mais ninguém.
Talvez a sua história não seja a única, muitos antes dele provavelmente desistiram ao entrar na selva das palavras virtuais. Trabalhar com o subjetivo não lhe agradava mais. E o que dizer quando todos perguntarem? O que fazer se ninguém notar?
O seu ato seria lembrado como o suicídio de suas palavras e pensamentos, o assassinato de muitas histórias carinhosamente contadas. Ou então, apenas mais um que se foi.
Seus pensamentos, em espiral, o levavam para uma decisão unilateral (o que de certa forma não era o que ele queria), mas não havia ninguém ali para impedí-lo.
De repente o telefone toca, era um amigo lhe pedindo que escrevesse um texto sobre "dicas de leitura de blogs". Ele riu e disse que o faria assim que pudesse.
Descansou as mãos sobre a mesa e decidiu que "O FIM SERIA A SUA MELHOR HISTÓRIA."

ALEXANDRE COSTA
 
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A Carona
No carro.
Chove fininho, o limpador do pára-brisas indo de lá para cá. O trânsito, carregado.
Dentro do carro, o casal calado. Olham para frente, esperando uma chance de se deslocarem, saírem do lugar, poucos metros que sejam.
Falta assunto.
A razão? Não vem ao caso e nem nos interessa...
Para quebrar o gelo, o homem, comenta, tentando, quem sabe melhorar o clima:
- Nunca mais essa rádio tocou a nossa música, não é?
No que a mulher entre ríspida (afinal ela está ao volante) e com pouco caso:
- Nossa música? Desde quando nós temos uma música? Você tá viajando? Vê se entende uma coisa de uma vez por todas, isso é só carona, não sou sua mulher, não sou sua namorada e nada sua, além da pessoa que lhe dá carona, compreendeu isso de uma vez por todas?
De repente parece que o engarrafamento nunca mais irá acabar. A chuva engrossa, e o rádio não toca a música “deles”...
E o clima dentro do carro piora.

ROBERTO PRADO (EXLUSIVO PARA CONTOS E CULTOS)
 
posted by Alexandre Costa at 8:52 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Terça-feira, Outubro 03, 2006
DICA DE LIVRO
A Vida Secreta de uma Mulher Qualquer - Ano I

A vida de uma mulher comum vivendo sozinha e com seus conflitos amorosos é retradada pelo autor em pequenas histórias divididas em 12 meses do ano. De janeiro à dezembro, ela vive intensmente cada mês como se fosse o último de sua vida. As passagens nem sempre fazem nexo
com a anterior, mas diverte e nos faz refletir sobre a vida das mulheres solteiras que moram sozinhas.

Achei algumas histórias pesadas, outras insólitas. No geral a gente acaba torcendo por ela.
Vou postar regularmente algumas partes dentro dos meses divididos pelo autor.

Confira aqui algumas passagens do livro

A vida secreta de uma mulher qualquer - ano 1
Autor: Alexander Lawless
Editora Diálogo - 182 pgs.
Preço: 19,00
 
posted by Alexandre Costa at 1:28 PM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Segunda-feira, Outubro 02, 2006

 
posted by Alexandre Costa at 8:25 AM ¤ Permalink ¤ 5 comments