Quinta-feira, Novembro 30, 2006
MICROCONTO
"Dobrou a esquina e guardou-a no bolso"
ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:40 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
A Chuva
Aqui há chuva. Daquelas que molham, que umedecem a gente por dentro. Eu adoro a chuva: ela me acalma, me traz um analgésico em cada gota.
Se você concorda comigo, levante a mão.
Pronto. Ninguém está olhando. Só a chuva lá fora, que não cansa nem se demora em irrigar o jardim de cimento.
Penso numa coisa que virá com a chuva ou depois dela; café quentinho.
O lábio sentindo a quentura da xícara antes do líquido, mais quente ainda, molhar nossa boca... e o gosto delicioso do grão torrado e moído, coado e açucarado invadir nosso paladar. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Vai lá tomar o seu café, vai!
 
posted by Alexandre Costa at 10:22 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Nunca mais

















Meus pensamentos geraram mais palavras, mais textos.
Escolhi então a solidão de se estar só em meio a toda aquela gente.
Minhas palavras geraram textos incólumes, mas impronunciáveis.
Perdi as letras que trazia no bolso e que me ajudariam nos momentos vazios.
Escolhi virar as costas para as vozes e os olhares inquietos.
Minha face se calou, convicta de que nada poderia mudar aquela condição.
Meus pensamentos geraram ações, obscuras vozes dentro de mim.
E eram todos eles culpados de estarem ali a me fitar sem ver.
Decidi então que só a solidão me acalmaria, desmancharia minha ira.
Me levaria de volta de onde não parti e nunca estive também.
Meus pensamentos geraram imagens, falsas conversas entre gentes e povos inteiros, que não me acalmariam jamais.
Fui. Por isso estou aqui. Se vou? Partir necessário será! Mas não volto.
Nunca mais em pensamentos!
 
posted by Alexandre Costa at 9:10 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Terça-feira, Novembro 28, 2006
"O segredo do sucesso não é escrever bem, nem escrever muito, nem escrever difícil. O segredo é conhecer as palavras certas."
 
posted by Alexandre Costa at 9:09 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Partido de mim
Meu olhar estático na janela.
Me sentia como se tivesse partido de meu corpo. Nenhum pensamento, só o olhar fixo no movimento na rua.
Volto meu olhar para o teclado e decido que não tenho nada a dizer hoje.
Um longo suspiro e a tentativa de fazer as conexões no meu cérebro funcionarem, mas hoje me sinto fora de mim, sem temas, notícias, frases ou inspiração; talvez esperando um fim ou um começo. Mas de quê?
É, hoje não é um bom dia e decidi que também não poderia deixar aquele espaço em branco no meu blog!
 
posted by Alexandre Costa at 7:57 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Leituras para o fim de semana
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[Na medida das tuas palavras
cabe o tempo inteiro de um motivo,
a vontade incondicional de alguém que se apaixona,
a verdade mesmo que não seja dita,
as ondas e as partículas
que flutuam em discordante relação.
Cabe uma frase
que diz pela metade
o que é inteiro no coração]

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[Se eu tivesse você ao meu lado, me diga:
-Que importaria que o vento rugisse,
que as flores murchassem,
que as velhas corressem a maratona,
que o tempo perdesse a calma,
que as vontades fossem reais,
que as mentiras ganhassem o Nobel,
que o verbo perdesse a pessoa?]

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:18 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
She's gone

Ela se foi
Só disse duas palavras
Que contavam um tempo futuro
Eram letras somadas
Que não construíam frases
Mas diziam tudo.

Eu esperei que fosse um engano
Um digitar aleatório
Mas tudo estava lá
Frio
Impessoal
Intangível
Anacrônico.

Ela se foi
E com ela o que "não podia ser"
 
posted by Alexandre Costa at 9:22 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Quarta-feira, Novembro 22, 2006
SANDRA
Na vontade realizada de cortar os pulsos,
vê frustrada que não lhe corre sangue,
mas em vez disso uma hemorragia de letras,
que forma poças decontos, que escorrem rios de poesias,
mares de novelas...
Tanta arte desperdiçada, tanto a dizer, tanto a contar, um mundo de maravilhas a ser mostrado.
Mas para quem?
Para quem?
Quem lerá?
Essa é a dor que mata, aos poucos, mas mata!
A dor de colocar um pouco de nós em tudo que fazemos e doamos com amor ao próximo.
Que passa, e não se importa, e segue, e não vê e não lê.

ESPECIAL ROBERTO PRADO PARA CONTOS&CULTOS
 
posted by Alexandre Costa at 4:00 PM ¤ Permalink ¤ 3 comments
De pão e de letras nos alimentamos
De algum modo, todos querem se fazer ouvir. E, se apesar disso, dizer algo for difícil, esperam que faça sentido e que o outro os reconheça.Todos têm essa vontade dentro de si e, ainda que precariamente não consigam expressar suas idéias, suas emoções, fazem o possível para serem conscientes e expressivos.As palavras compõem todo o nosso ser, atravessa dimensões que vão desde a vida diária até nossos sonhos. Com elas falamos, pensamos, e escrevemos a nossa história.Em muitos momentos até brigamos na tentativa de organizar nossos pensamentos e idéias. Pensamos para falar e, às vezes, falamos sem pensar. Escrevemos para que os outros reconheçam em nós a voz do outro. Escrevemos para que exista a relação de troca entre duas consciências sadias e livres pensadoras. O reconhecimento de nosso esforço é a moeda que nos alimenta, que nos empurra para frente e além.Assim, a linguagem e a escrita desenvolvem a capacidade de comunicação com as palavras, e nos faz sentir mais livres.A liberação da linguagem e do pensamento passa necessariamente pelo espírito, para depois despejar-se no mundo material através da fala e da escrita.Escrever é comunicar o que foi ou está sendo vivido; é resgatar em cada linha aquela lembrança ou idéia que merece ser compartilhada; é enunciar os desejos e as esperanças.Escrever também é esclarecer e organizar as idéias, porque precisamos das palavras tanto quanto precisamos de amor. Escrever é doar, é retirar de dentro, expor desavergonhadamente o que somos e o que podemos ser. Afinal, não existe escrita que não seja construída com o corpo e com a emoção.
Assim, quando alguém desiste de escrever motivado por fatores alheios a sua vontade, por falta de reconhecimento, por ter sido calada pela ignorância e/ou aliciada pelo pseudo-blogueiro-leitor, devemos ficar tristes.

PARA AMIGA SANDRA PONTES
 
posted by Alexandre Costa at 2:52 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Terça-feira, Novembro 21, 2006
3 milésimos
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II

3 milésimos de segundos se passaram, como se passa uma eternidade quando o tempo aprisiona a vontade humana.
O olhar ainda fixo naquela mulher, a voz do computador do elevador, os pensamentos confusos, uma estranha sensação.Tudo isso fazia parte de uma vontade que não era dele.
E nesse instante, a porta se abre e a voz na cabine torna a dizer:
-“Ele não está pronto.”
- Como não está? - retrucou a mulher, tão baixa quanto sua índole.
- Você sabe que estou aqui há muito tempo, tenho que levar alguém comigo.
-“Ele não está pronto”. – repetiu novamente a voz.
- Ele não precisa estar pronto – disse ela com um tom mais áspero na voz.
-“Não é assim que as coisas funcionam. Você sabe que até “lá” existem regras.
- Não quero saber de regras!
-“Você sabe que estou certo, então aceite isso. Outros virão”.
Na vida, observamos pessoas que vem e vão, passam despercebidas pelo mundo, não se dão conta de que estão vivas. Elas não são donas de seu destino, já o perderam.
A metáfora da morte encena seus atos nos palcos do mundo real, recruta seus atores entre aqueles que perderam, antes mesmo de possuir, a vontade de viver.
A vigília deve ser permanente, no tempo e no espaço que nos é doado.
Ele ainda não se deu conta de que faz parte dessa triste história.
Por sorte, ou azar, ainda não lhe foi dado o poder de escolha, nem seu ‘tempo’ terminou. Ainda há uma chance, como também há uma chance para todos aqueles nas mesmas condições.
Essa é uma conspiração universal, que está tomando forma a cada novo 3 milésimos de segundos: esse é o tempo da partida, onde não se percebe que se escolheu não escolher.
Deixar-se ir não é exatamente seguir em frente.
Ele ainda vai descobrir isso!
O tempo, dentro daqueles milésimos que o consumia era infinito. Não havia como escapar por vontade própria, nem articular qualquer palavra ou decisão. Ele apenas estava lá.
Em algum momento não percebido por ele tudo se dissipou, inclusive seus pensamentos. No painel, os números dos andares lhe pareciam muito familiares; do lado de fora, pessoas aguardavam a sua saída para poderem entrar na cabine; ele as olhou encabulado e saiu lentamente, mas antes olhou para trás, a fim de certificar-se que estava só, e era verdade.
Uma sensação bem fraca de que algo havia acontecido ainda tomava conta dele, algo que pensou ser uma incomoda dor de cabeça.
Olhou para trás mais uma vez, viu o elevador lotado de pessoas que entravam para o trabalho naquela hora, então, viu a imagem da senhorinha no fundo da cabine, olhou o painel externo que indicava os andares e viu escrito D.3.5.T.1.N.0

FIM
 
posted by Alexandre Costa at 8:01 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Quinta-feira, Novembro 16, 2006
3 milésimos
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I

3 milésimos de segundos antes de apertar o botão do elevador que o levaria até seu destino, ele hesitou. Ficou ali parado, pensando no que seria melhor naquele momento.
Não havia números e sim destinos em cada botão.
- Qual apertar? – perguntou a si mesmo.
Não seria uma decisão fácil ele sabia. Muitos outros que haviam entrado ali, não conseguiram cumprir seus destinos.
- Viver é complicado e escolher é ainda mais. – disse uma senhorinha que estava no fundo do elevador.
- Eu não havia notado a senhora aí antes? – disse ele, encabulado.
- Talvez por causa do meu tamanho. Sou baixinha mesmo, quase não alcanço as coisas quando preciso delas.
- A senhora vai a algum lugar?
- Eu estou aqui há muito tempo e, como lhe disse antes, sou baixinha e não alcanço certas coisas. Gostaria de ter tido a chance de apertar um desses botões, mas...
- Sim, entendi! – disse ele percebendo que a senhora precisava da ajuda de alguém.
- Eu já escolhi o meu, meu filho. – disse ela com um certo ar de decepção na voz e, tirando um caderninho da bolsa, anotou o dia e a hora em que ele havia entrado no elevador, perguntando.
- E você, já escolheu o seu?
- Não. Ainda não! – respondeu.
- As escolhas não são fáceis de serem feitas e, bom seria se houvesse alguém que as fizesse para nós. Você não acha? – e agora havia algo estranho na voz daquela mulher.
- É! – respondeu com um tom carregado de dúvida.
- E não é assim quando nascemos? Nossos pais escolhem a cor de nosso enxoval, o tipo de roupa que vamos usar, a hora em que devemos estar de volta em casa, se alguém é bom ou não para nós, qual a melhor escola, o que devemos comer...
- É. A senhora tem razão! – disse interrompendo o raciocínio da mulher.
- Se era assim antes, por que não poderia ser agora também?
E ao olhar os botões no painel, pensou que poderia ser assim agora também. A maioria das escolhas de sua vida tinham sido frustradas até aquele dia, arrependia-se de quase todas as decisões que tomou.
Seria hoje, com a ajuda de alguém, que ele finalmente poderia acertar?
- Há quanto tempo a senhora vem aqui?
- Todos os dias de minha vida e da vida dos outros.
Poderia soar estranho a qualquer pessoa aquela resposta, mas ele não entendeu a gravidade das palavras na voz daquela mulher.
Concentrado em seus problemas, só pensava em se dar bem na vida.
3 milésimos de segundos antes da porta se fechar ele a segurou.
- Não estou pronto ainda para uma decisão! – disse olhando para a senhorinha no fundo do elevador.
- Por que não? O que você tem a perder hoje, que já não tenha perdido antes?
Aquelas palavras soaram como mil sinos em sua cabeça.
Havia algo, que ele não entendia, que o mantinha preso àquela mulher. Soltou a porta do elevador, que se fechou lentamente.
A voz metálica e impessoal do computador pedia: “aperte o botão da sua escolha por favor”.
E a mensagem se repetiu outras duas vezes antes de ele perceber que algo estava acontecendo.
- Você ainda não sabe qual destino escolher mocinho? – perguntou a senhorinha mais uma vez.
Ele não respondeu, ficou parado, fixo no olhar dela, preso no tempo.

(continua)...
 
posted by Alexandre Costa at 8:35 AM ¤ Permalink ¤ 4 comments
Terça-feira, Novembro 14, 2006
Leituras para o Feriado
A Chuva

Sob o olhar incauto de nuvens pesadas, carregadas de chuvas que lavam a alma, no banco da praça, observo.
Sobre a cama, na vitrine, num momento de cautelosa conversa, um vendedor de colchões fecha seu primeiro negócio do dia.
No céu, onde distraídos pardais voam em bandos à procura de migalhas espalhas pelas ruas, a primeira gota gélida cai sobre a minha cabeça descoberta.
Daí para adiante as águas caem como elefantes do céu; arrastam o lixo acumulado nas ruas; matam pardais; lavam a calçada; alimentam o solo; aprisionam todos debaixo de marquises e toldos. Em minutos o ciclo da água havia se completado.
E eu me perguntava por que não havia lojas de guarda-chuvas na cidade.

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Ela

Uma hora ‘ela’ estava lá, noutra desaparecia como por encanto. Eu a procurava entre um pensamento e outro, ou a esperava chegar de repente.
Se ‘ela’ me tornasse um grande escritor, não me importaria com seu vai-e-vem na minha vida. E ainda confesso que exatamente agora espero por ‘ela’, angustiado, com pensamentos perdidos e confusos, entre o silêncio de sua falta e o barulho da rua.
Às vezes, como esta por exemplo, tento escrever algumas linhas, mas sem ‘ela’, chego a desistir no meio e deletar minhas letras.
Hoje não parece ser um dia bom para textos. Definitivamente não.
Penso escutá-la batendo na porta, tocando a campainha, me chamando pelo pensamento, mas em vão, consigo aprisioná-la.
Ela não vem!
Ah! Inspiração. Onde está você hoje?

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Colecões Poéticas

[Tenho a alma presa
Dentro de um conto bizarro:
Uma borboleta
Que me fere com luvas
E um pássaro que nada
Sob minhas lágrimas.
E tenho essa amarga lembrança
De uma noite vazia e sem sol
Quando o que mais espero
Vem em forma de um corpo
Esguio e precipitado de mulher.
Esse conto me consome
As lágrimas afogam o pássaro
E a ferida me cala]


[Abre tua mão
E se for capaz
Segura minha vontade
Prende meu desejo
Agarra meus sonhos
Fecha a tua mão
E se for capaz
Deixe escapar-lhe o sangue
A vontade de amar
O medo e a alegria.
Não nos pertencemos
Não somos definitivos
E sim momentos aqui e ali.
Se este é o seu: sê]
 
posted by Alexandre Costa at 9:59 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Sexta-feira, Novembro 10, 2006
Coleções Poéticas
I

[Coleciono o passado
Em versos modestos
Curtos, rasgados.
Não me fazem melhor
Nem pior do que sou hoje.
Coleciono momentos
Mas só os que ainda
Não vi acontecer.
Talvez para me certificar
De que ainda está por vir
Algo que irá me redimir
Do pecado de guardar
O que me é tão impessoal]

II

[Se essa mistura
Que nos faz tão próximos
É nosso remédio amargo
Que seja assim então
Em doses cavalares
Em overdose de momentos
Presos entre os dentes
A palavra que alivia essa dor]

III

[Aqui me faço
Diante de todos os seus desejos
Sem procurar demasiada desventura
Em me afogar em seus braços.
Aqui me despeço
Ante teu olhar perplexo
Sem motivos aparentes
Sem amor
Sem você]

IV

[Entre as frestas
Motivos que me moviam
Desejos que jorravam.
Entre tuas pernas
O caminho
O delírio
O sol em forma de carne
A luz em espaços pequenos
Do teu gênero]
 
posted by Alexandre Costa at 8:42 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Quinta-feira, Novembro 09, 2006
A importãncia de ser entendido
Odnauq somevercse oa oirártnoc méugnin !ednetne
 
posted by Alexandre Costa at 1:40 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
A ESTRELA - um conto descaradamente inverossímil
Ao olhar o céu naquela noite de verão, não esperava nada mais do que ver algumas estrelas aqui, outras ali, como de costume. Conhecia a posição de cada uma delas em cada data e horário do ano, mas naquela noite havia uma outra estrela completamente diferente dançando para ele.
Dançando?
Sim! E seu movimento era muito rápido, descrevendo vários desenhos imaginários no céu.
Nada que voasse e que ele conhecesse se parecia com aquilo.
Depois de alguns minutos naquela dança frenética, ela começou a aproximar-se num movimento rápido e retilíneo em sua direção. Ele não se apavorou!
Como estava ficou, ali, paralisado por uma luz brilhante que envolvia tudo ao seu redor.
Escutou algo que ele mesmo definiu como um “estranho silêncio barulhento” que, de alguma forma, se comunicava com ele. Agora, era seu pensamento quem falava e escutava também.
Olhou a sua volta para certificar-se de que não havia ninguém por perto e ter certeza de que estava mesmo sendo abduzido.
A luz brilhante apagou-se de repente, uma leve brisa soprou, uma placa indicativa de trânsito caiu ao seu lado, ele percebeu que não estava mais em casa.
Confuso, pensou estar em outro planeta.
Mas a sua volta, tudo o que ele sempre havia visto durante toda sua vida, casas, ruas, árvores, postos de gasolina e sinais de trânsito, estavam ali no mesmo lugar de sempre.
Achou muito estranho tudo aquilo parecer-se tanto com a terra.
Como nunca havia estado ali antes, deduziu que estava em outro planeta. O que era lógico para ele.
“Vou tentar fazer amizade” – foi seu primeiro pensamento.
Entrou numa lojinha de roupas de aluguel e, para sua surpresa, encontrou seu primeiro alienígena. O vendedor estava fantasiado de ET, promovendo a noite das bruxas naquele mesmo dia, no clube da cidade. Sua fantasia fazia parte do marketing de vendas.
Sua primeira barreira seria a língua.
Pensou que seria melhor se comunicar por sinais, e assim o fez.
O vendedor achando que se tratava de um surdo-mudo, fazia uma força descomunal para tentar entendê-lo.
E, junto com os sinais, ele dizia algumas coisas, de um jeito bem arrastado:
- Queeeeroooo faaaaalaar commmm o seuu cheeeeefe!
O vendedor – com pena do mudinho – respondeu:
- Eeeeuuuuu souuuu o gereeeennnte aquiiiii!
O espanto foi acompanhado com um salto para trás e um pensamento martelando sua cabeça: “Ele fala a minha língua?”
Deu um grito no meio da loja; - Você fala a minha língua?
O vendedor retirou imediatamente a máscara, dizendo:
- Claro que falo, moro na mesma cidade que você!
Meia hora depois, ele, desolado, tentava explicar que pensou ter sido abduzido por um disco voador e que estaria agora em outro planeta. Envergonhado saiu da loja de cabeça baixa e nem viu um estranho objeto luminoso estacionado ao lado da lojinha de fantasias. Foi-se!
Dentro da loja o ET retira a roupa falsa de humano que havia comprado em uma loja de bugigangas em seu planeta e fala com um de seus companheiros, escondido atrás do balcão:

- Jlskhfh kjhsl lksfhsfsdfçsdjfhf khglglgk!*
- oiutytoiur vgjhgf otrtoypt! **




* Quase fomos descobertos dessa vez!
** Tome mais cuidado daqui pra frente!
 
posted by Alexandre Costa at 8:55 AM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Ainda há uma razão
Da qual não abro mão
De poder estar aqui
Sempre e nunca
Ontem e amanhã.
Ainda há uma razão
Para não dizer
Não falar
Só olhar
Pra você.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:29 AM ¤ Permalink ¤ 5 comments
NÃO QUERO PARTIR
Adeus é uma palavra que nunca deveria ser dita por ninguém, pois ninguém deveria partir.
Ninguém deveria deixar que outro se sentisse partido ao meio ou alejado de qualquer parte.
A companhia de alguém também é parte nossa. De nossa mente e nosso corpo.
Adeus é definitivo, sem volta, sem chances para ambas as partes.
Menos pior que fosse 'até logo', para que não sofressemos tanto na espera.
Mas, partir faz parte da vida, do vai-e-vem das contrariedades e obrigações.
E dessa palavra que só existe em nossa língua, resta a 'saudade' de tudo.
Não quero partir, quero ficar e perceber que fiquei feliz por isso.
Mas além de mim, muitos outros não desejam partir. Querem inflacionar o salão de festas e ficar até de madrugada, conversando e jogando o tempo dentro de uma cartola mágica.
Assim é que, nada deveria fazer menos sentido que um "Adeus!"

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:01 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments