Sábado, Dezembro 30, 2006
INEVITÁVEL
Há quatro dias que não dormia, precisava terminar o trabalho que lhe era enviado aos poucos, página por página. Os assistentes entravam em sua sala, eram dois. Um lhe entregava as páginas pares e o outro as ímpares. Ele preenchia os campos em branco, carimbava e rubricava cada uma delas, mas a cada nova página, uma outra era adicionada em seguida.
Seus dedos duros, quase sem movimento nas articulações, seus olhos fundos, a coluna arqueada, o nariz quase tocando a mesa de trabalho, mas o serviço precisava ser concluído.
As horas corriam e os dois assistentes entravam a cada sete minutos com uma página nova, que era adicionada a anterior, carimbada, rubricada e despachada.
Seus movimentos eram cada vez mais lentos, seus pensamentos condicionados, sua vida não estava mais em suas mãos.
Ele era e sempre foi assim, não tinha medo do trabalho, diziam dele que nunca havia deixado serviço pendente, e que nunca havia atrasado um despacho.
Os dias passaram e as páginas já não eram mais trazidas pelos assistentes, brotavam em sua mesa como mágica.
A cada carimbo de despacho rubricado uma nova folha materializava-se a sua frente. Uma após a outra durante dias e dias.
Ele as despachava com um leve sorriso no canto da boca e um orgulho secreto na alma.
A cada nova folha um novo desafio que era vencido assim que assinava na linha em branco. E quando se vence um desafio um novo se cria para que se mantenha viva a alma. Não há outro modo de se continuar, de se perpetuar sem eles.
Aquilo era uma tarefa, um propósito, um tema, um caminho, um destino, um degrau.
Assim como ele luta e vence cada nova página, o mundo também vence e se comporta da mesma maneira.
Não há saída e não há como evitar o entardecer e o fluir das águas.
Mil dias se passaram sem que ninguém notasse seu serviço, oito milhões de páginas foram carimbadas, rubricadas e despachadas, e novas páginas surgiam do nada. Uma seqüência interminável de ações coordenadas mantinha seu corpo e sua alma em plena atividade. Ele era um fantoche guiado por laços invisíveis.
Até o fim de seus dias ele despachou cada uma das folhas que surgiam em sua mesa, até a última rubrica ele honrou seu serviço, até o último suspiro ele cumpriu seu dever.
E ainda hoje, mil anos depois de sua morte, brotam folhas e mais folhas em sua mesa para serem carimbadas, rubricadas e despachadas.
Porque não há como parar o entardecer nem o fluir das águas.

ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 1:38 AM ¤ Permalink ¤ 4 comments
EDIÇÃO ESPECIAL DE ANO NOVO
Olá novamente!
Estou de volta (bom, isso parece um pouco redundante) da minha aula de meditação. A viagem do Nepal até aqui sofreu um pequeno atraso devido ao problemas nos nossos aeroportos.
Meu modem me ensinou outra lição: quem manda na conexão é ele, ou seja, só trabalha por alguns minutos e depois tenho que cancelar a conexão e discar novamente. Acho que ele esteve em reunião no Sindicado dos Controladores de Vôo e está fazendo "operação padrão" comigo.
Vivendo e se arrependendo com a tecnologia, né?!
Parece que falar de meu modem se tornou o assunto mais em pauta ultimamente, mas isso se deve ao fato de que (começo agora a me familiarizar com esse tipo de 'device').
Trabalhei por 6 anos no escritório e la´era 'banda larga'...não tinha esse negócio de clicar em conectar não...era ligar o micro e eu estava navegando na internet num piscar de olhos.
Mas Deus em sua aurélia sabedoria, me outorgou este desafio (ou castigo) e tenho de cumprí-lo.

Então...depois de um período (em que jogaram uma pá de cal nas minhas idéias) consegui escrever o texto acima. Não deixem de ler!

Vida Longa e Próspera
 
posted by Alexandre Costa at 1:18 AM ¤ Permalink ¤ 0 comments
Sexta-feira, Dezembro 29, 2006
EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL
Olá Pessoal!
Espero que todos tenham passado um maravilhoso Natal.
Estou aqui pra dizer que agora faço as minhas postagens da minha casa.
Infelizmente não tenho speed, virtua, etc!
Fiz um curso de meditação com um monge budista no Nepal e consigo postar agora minhas mensagens.
Fica um pouco difícil, já que acostumado com a velocidade da conexão rápida, meu modem me ensina todo dia que a paciência é uma virtude.
Antes de enlouquecer com a velocidade estonteante da minha conexão, prometo postar minhas obras literárias neste blog.
Não será como antes: regulares. Mas ainda estarão aqui para quem quiser ler.
Feliz Ano novo a todos!

Ps.: Ganhei uma almofada com uma Benção Irlandesa...que me dá forças para continuar esta loucura que é escrever!

Alexandre Costa - Direto do Nepal (self correspondente)
 
posted by Alexandre Costa at 12:37 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Terça-feira, Dezembro 12, 2006
SALVE O GERÚNDIO
.
.
Queridos Amigos

Estarei entrando de férias...então, estarei deixando de postar...logo, vocês estarão deixando de me ler..., mas por pouco tempo espero.
Estarei descansando...e estarei voltando (quem sabe) em 2007.
Então até lá e espero que vocês estejam comemorando um feliz natal e um próspero ano novo.

Logo estarei abraçando a todos neste momento!
 
posted by Alexandre Costa at 5:03 PM ¤ Permalink ¤ 5 comments
Sábado, Dezembro 09, 2006
MICROCONTO
.
.
"Ele bebeu toda a Carta, mas só gostava dos tintos."
....................................................................ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 11:09 PM ¤ Permalink ¤ 1 comments
Quinta-feira, Dezembro 07, 2006
MICROCONTO
"Ele era muito bom de memória. Só não se lembrava disso."
......................................................................ALEXANDRE COSTA
 
posted by Alexandre Costa at 10:10 PM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Terça-feira, Dezembro 05, 2006
A TRISTE E REAL CONDIÇÃO HUMANA
(Baseado em um fato real)

Esta semana fui testemunha de um fato triste e o transcrevo agora, aqui!

O dia estava abafado.
Na calçada em frente ao hospital, uma senhora de idade passa mal.
As pessoas na rua correm para ajudá-la.
Ela desmaia.
Aos gritos, alguém pede para atravessar a rua e chamar um médico na recepção do hospital em frente, pois uma mulher precisa de cuidados imediatos.
Na recepção, a atendente é avisada do acontecido, pega o telefone e... Liga para a telefonista???
- Rápido. Ligue para o RESGATE, tem uma mulher passando mal aqui em frente - fala nervosamente.
- Mas por que o RESGATE? Nós somos um hospital, chame o nosso médico! - avisa a telefonista.
- Mas ela não tem a nossa carteirinha. - retruca a recepcionista.

Pausa...

Custei em acreditar no que ouvi!
Não é papo furado não, nem um conto qualquer. Eu estava lá!

Nessa terra basta estar vivo para morrer, ou não ter carteirinha!
 
posted by Alexandre Costa at 8:24 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments
Sexta-feira, Dezembro 01, 2006
Coleções Poéticas
.
.
[Já cansei das palavras
Da quimera das falas
Do fato insensato da razão
Das falácias pleonásticas
Da jura incondicional
Das desculpas verdadeiras
Da soma das letras da canção.
Já cansei das vestes
E das máscaras de toda gente
Do novo e do diferente
Do antigo e do emergente
Da sua e da minha maneira.
Acho que tudo já é
E que mais nada será.
Mas não deixo de acreditar
Que alguma coisa ainda virá
Sem que possamos perceber
Para nos redimir
Do bem que nunca causamos
E do mal que nunca evitamos]


[Na sua presença
Já me dei conta
Que deixo de lado
Outra pessoa.
Não ligo, nem me incomoda
Ignorá-la tanto assim.
Sei que no final ela me perdoará.
Na sua presença
Nada mais faz sentido
Se não tiver em cada segundo vivido
Um pouco do seu ar para respirar.
Na sua presença
Outro alguém que enlouqueça
Não será melhor do que eu.
E assim
Vou vivendo na sua presença
Como nunca viveria sem ela
Mesmo que acompanhado de mim.
E mesmo que eu te deixasse
Você me encontraria em outro
Porque a sua presença
Encerra ao meu redor
O que foi, o que é e o que será]
 
posted by Alexandre Costa at 8:19 AM ¤ Permalink ¤ 3 comments
LEITURAS PARA O FIM DE SEMANA
Aurélio Falácio – O Repórter!

Nova York:Central Park:Edifício Dakota19:22pm – 29/12/06

Há 25 anos, desde o dia 8 de dezembro de 1981 não se tinha notícias dele.
Repórteres do mundo inteiro, postados desde aquela época em frente ao famoso edifício, aguardavam ansiosos os acontecimentos que se desencadeariam naquela noite.
Especulava-se que ele havia sido assassinado (tinha-se até um culpado que já estava preso) ou partido para um retiro espiritual que o elevaria à categoria de iluminado. Dizem até que ele já era!
John deu os últimos passos que o levariam para fora do prédio, estaria então de frente para toda aquela gente: repórteres e fãs. Ninguém acreditava no que estava vendo.
A notícia já havia sido divulgada dias antes pela imprensa, o que deixou o mundo e os novairquinos estupefatos.
Pois bem, todos estavam lá e puderam ver um John bem mais velho e magro, cabelos cortados curtos na altura da nuca, lisos e grisalhos, um leve sorriso no rosto e vestindo o seu famoso terno branco. Mas ele estava só.
Flahs estouraram por toda parte, uma multidão empunhando cartazes gritava o seu nome, microfones foram lançados em sua direção, na tentativa de pegar uma declaração ou um breve suspiro. Todos gritavam e cantavam a sua mais famosa canção.
Assustado com tudo aquilo, gritou com todos a sua volta:
- P..! Me deixa em paz. Vão todos pra PQP. Vão tomar...
A multidão indignada com a sua reação, calou-se.
Ele tirou o chapéu e os óculos, jogou-os no chão e voltou para dentro.
Alguém que estava bem perto gritou:
- É um sósia gente!

AF – da redação
 
posted by Alexandre Costa at 8:18 AM ¤ Permalink ¤ 2 comments