O tempo se fecha ao redor dos ouvintes, o teto parece esmagar a todos dentro da sala, o advogado de defesa sua frio enquanto o promotor salivando diante dos jurados, cospe seu discurso acadêmico de acusação.
O juiz do caso, de olhos esbugalhados e ouvidos atentos bate o martelo e pede silêncio a todos.
- O caso é grave. Peço a todos que tenham um pouco mais de respeito com o réu. – esbraveja em direção ao público.
O advogado de defesa, entre o espanto e o choro compulsivo, tenta argumentar algo em vão, novamente a platéia se inflama diante das provas apresentadas pela acusação.
Mais uma vez o juiz pede silêncio ou tira todo mundo da sala.
Em um canto, guardado por dois brutamontes do estado, em estado cataléptico, o réu ouve tudo sem mover um único músculo do corpo, fato que deixava os advogados de defesa espantados.
As câmeras de TV que filmavam o julgamento davam closes no réu, que por um estranho motivo, que incomodava a todos, não se movia, não chorava, não xingava, não se abatia com nada. Com certeza, certo de sua inocência.
- Então senhoras e senhores. - continua o promotor. O réu voltou-se para a vítima e com este mesmo olhar de peixe morto (e aponta o réu para todos) começa a rir descaradamente, a balançar os ombros, e cai sobre o corpo estendido no chão.
Aquela última frase foi a gota d’água para a audiência. Um murmúrio seguido de alguns palavrões dava como certo a condenação do réu.
Em defesa do réu, naquele exato momento, os advogados nada tinham a dizer. Este era um dos casos mais difíceis e bizarros que tinham aceito, e pareciam já quase desistir da causa quando um dos defensores pediu a palavra.
- Senhores jurados. Nada justifica um crime, e o crime do meu cliente foi não ter vontade própria, não poder escolher entre cometer e não cometer um ato, meu cliente é culpado por não ter livre arbítrio, nem poder torcer para nenhum time de futebol. Neste mundo, atores de televisão, redatores e bonecos de madeira articulados são culpados por não serem eles mesmos. Mas o fato de ser o que não se é não é motivo para se deixar de ser alguma coisa.
Meu cliente é um boneco de madeira, mas poderia ser qualquer outro tipo de boneco. Se disse o que disse, foi porque colocaram palavras em sua boca. Bonecos de madeira, atores e redatores não são culpados pelo que pensam ou falam, pois são de uma certa maneira manipulados.
Assim, digo que meu cliente é inocente da acusação, pois estaríamos também condenando a quem manipula.
A sala ficou em completo silêncio. Podia-se ouvir o cabelo crescendo nas cabeças alheias. O que parecia impossível estava acontecendo, o jogo estava virando.
Os jurados com lágrimas nos olhos ouviram o juiz ler o veredicto final:
- Em decorrência dos fatos aqui apresentados pela defesa, declaro o réu inocente. E digo mais:
Não vou tolerar esse tipo de agressão, ainda mais levando em conta que meu tio é ventríloquo.
Hum... mto bom! Concurso da Piauí, né? Eu não escrevi nada pq essa frase, definitivamente, não me cativou. Não me achei capaz, sabe? Mas você se saiu mto bem!
Obrigada pela visita e volte sempre!
tb gostei daqui..
bjo